<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184</id><updated>2012-01-03T12:29:39.231Z</updated><title type='text'>Escritos Dispersos</title><subtitle type='html'>[...] Agora eu, primogénita, estou sozinha. Não, estou contigo, meu irmão, vamos fazer o quê com o legado dos nossos pais? De braço dado, pelo único caminho que nos deixaram, vamos nós para o abismo, caminhando, um passo à frente. Olha para isto! Daqui do alto do abismo, olha para o mundo escuro que nos deixaram... Diz-me, agora, o que fazemos?[...]</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>174</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4813165216905433889</id><published>2011-11-12T16:20:00.001Z</published><updated>2011-11-12T16:20:45.971Z</updated><title type='text'>Cicatrizes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nestes dias em que tudo o que quero é morrer, surge esse cão em casa dos meus avós que me deixa apaixonada. Samoieda, cães grandes, como eu gosto. O Freddie tem 6 anos. Parece uma grande ovelha. Tem o focinho arranhado, vê-se a carne junto ao nariz. A orelha esquerda está caída. Tem várias feridas ao longo do corpo. Os antigos donos fartaram-se dele. Uns vizinhos dos meus avós, lá da terra, tinham-no abrigado e davam-lhe de comer. Por vezes, ele fugia e só o viam muito depois. Ofereceram-no aos meus avós. E aqui está ele, agora. Quis voltar da cidade dos estudantes para casa no dia em que o trouxeram. Hoje, demos-lhe banho. Está escovado, asseado, mas o pêlo ainda não adquiriu o tom original branco. As crostas das feridas saíram no banho e ele começou a sangrar por demasiados lados. Está cheio de pulgas. Há que o levar ao veterinário. Agora, eu, com os braços cortados, quando só me apetece morrer, com ataques de ansiedade e de pânico dia sim, dia não. Eu, que assim que chego à terra roubo os medicamentos da minha mãe. Aparece-me o Freddie e eu não lhe resisto. O Freddie é um cão grande que só ladra quando precisa de ladrar. Eu gosto de cães grandes, não gosto nada dos pequenos. O Freddie enternece-me. Adoro fazer-lhe festas, correr para ele e abraçá-lo. Adoro dar-lhe beijinhos. Adoro quando ele me deixa lambuzada. Quero morrer, mas também quero o Freddie. O Freddie é óptima companhia. É um bom amigo. Agora que a Pantera desapareceu, há já mais de um ano, eu preciso de alguém. A Joanna desapareceu, o Yuri está longe. Não vou mentir a ninguém, não vou mentir a mim mesma. Não tenho mais amigos. Tenho o André, mas não posso falar com ele como falava com a Jo ou com o Yuri. E ele não me pode fazer companhia como a Pantera ou o Freddie. Estou a pensar voltar ao psiquiatra, à psicóloga. Quero curar-me, definitivamente. Voltei a ler. Escrevo, de vez em quando. Estou a escrever para o NaNoWriMo, mas muito pouco. Adoro as minhas colegas de casa, mas estou a ir-me a baixo, injustificadamente. Quero estar sempre onde não estou. Em casa, quero estar em Coimbra. Em Coimbra, quero estar em casa. Na praia, quero estar bem longe dali. Quero dormir o tempo todo. Para não pensar nas promessas de nunca mais me magoar. Para não pensar na vontade infinita e assoladora de parar já. Para não pensar que não há sentido em continuar. Tenho o Freddie e o Freddie vai morrer em breve, sabe-se lá quando. A mamã diz que estou a ficar como a minha prima e é quase verdade. Sabe-se lá se não é verdade mesmo - só que de maneiras diferentes. Sabe-se lá porque sou tão parva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto que me cortam as pernas cada vez que quero viver os meus sonhos com alguém. Não é que não o possa fazer sozinha. Mas quero muito mais partilhada. Quero entardeceres de outono com o Freddie.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4813165216905433889?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4813165216905433889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4813165216905433889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4813165216905433889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4813165216905433889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/11/cicatrizes.html' title='Cicatrizes'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-8022295292410140543</id><published>2011-08-15T19:14:00.000+01:00</published><updated>2011-08-15T19:15:56.366+01:00</updated><title type='text'>Rapaz da bicicleta I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há um banco de jardim, velho, inclinado, junto à ponte. A bicicleta não cai do braço, no rio já é pouca a água, não é só de ser verão, também o rio se cansa, também o rio se morre. No início, há apenas espaço vazio. Então, começa ele, aquilo das mães é verdade. E muito ficou por dizer. Acha-las monstros, todas. Todas não, há sempre quem fuja à regra, mas nem tudo que não seja premeditado é desculpável. És muito dura para com ela, odeia-la. Não, amo-a, só que também não lhe perdoo. Devias aprender. Não. Ficam segundos em calma. Foi uma infância difícil. E que infância não é, se perguntas se me batiam, se me faziam trabalhar, se não me davam amor, se passei fome, se passei frio, se tive traumas, a tudo responderia não. Então. Esquecemos facilmente do quão difícil é ser criança, é tão fácil chorar, é tão fácil ter medo do absurdo, é tão fácil recear, a crueldade inocente dos adultos. Não achas que seja a altura em que somos mais felizes. Nunca somos, apenas achamos que sim, porque logo o esquecemos, aliás, o próprio conceito de felicidade é absurdo. Explica-te, por favor. Não sei, ao certo, no fundo felicidade é um estado tão inalcançável quanto a perfeição. Ninguém é perfeito. Ou ninguém perdoa as faltas dos outros mas desculpa, inevitavelmente, todas as suas. Já o pôs a sorrir com o trocadilho. Suponho que sim. Não seria tão radical quanto tu, não quer dizer que a perfeição exista, apenas que é efémera, se é que sabemos realmente o que é, é um estado, um momento, cristalino, onde tudo existe em harmonia e que se quebra no segundo seguinte. E aplicas o mesmo à felicidade. Essa contradiz-se a si própria, sabes, por intuição deve estar interligada com a perfeição, a tua satisfação pessoal depende do grau de perfeição do momento. Hum, estou a seguir. E a felicidade teria uma resposta mais ou menos positiva, como um riso, não. Acho que sim. Então pensa num momento verdadeiramente perfeito, que sintas toda essa harmonia cristalina, por mais curto que seja. Imagino. Consegues rir. Rir. Sentes-te mais inclinado às gargalhadas ou às lágrimas. Agora que falas nisso. Ou seja, a felicidade exclui-se a si própria. Ou a perfeição não seja felicidade. Consegues dizê-lo sinceramente. Não sei, tenho de pensar, mas não tem de ser a única fonte. Dá exemplos. Alcançar algo que se deseja, talvez, aquela alegria. Que parece durar para sempre. Sim. Mas nunca dura, nunca é permanente. Podes ter tudo quanto queiras. E nunca ser feliz. Desejar não alimenta a felicidade, mas a vontade de viver. Então, que sentiste quando eu parei a bicicleta e vim falar contigo. Incredulidade. Só. Bom, pelo meu raciocínio, vontade de viver. E felicidade. Talvez, um pequeno esgar. Como um momento perfeito. Só em sonhos imaginado. Mas desejado. Sim. E não te apeteceu sorrir, por dentro. Não. Não me mintas. Agora que penso nisso, os sorrisos só vêm depois, naquele momento é só aquilo. Lágrimas. Por dentro, como dizes. De alegria. De felicidade. Não é o mesmo. Não. Então que é alegria. Pensar que te vou ver amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-8022295292410140543?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/8022295292410140543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=8022295292410140543' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8022295292410140543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8022295292410140543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/08/rapaz-da-bicicleta-i.html' title='Rapaz da bicicleta I'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1693632036356817547</id><published>2011-08-06T16:16:00.002+01:00</published><updated>2011-08-06T16:18:32.716+01:00</updated><title type='text'>Livro do Inferno - As Cores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As cores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Misturam-se, fundem-se, confundidas em manchas difusas, de castanho, de breu, de vermelho, talvez de verde muito, muito morto. Das paredes agrestes, do chão rude. Ela vai, enquanto caminham as pessoas. Esses espectros magoam de os olhar. Fantasmas não falam, não murmuram, talvez rumurejem para si mesmos, sem, porém, se darem. Ela vai, em passos, olhando em volta. Eles assomam à janela, medonhos, caras sem cara, secas, apenas para regressar ao interior. Sabem-se os próprios passos, só ela não sabe os que lhe pertencem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A fome rói-lhe as entranhas. Comida a há. Suspiros abatidos aos cantos, dos que devoram o bife do prato. Os ovos enfrascados, remexidos até ao sumo. Não é que falte a comida, falta-lhe a ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passos dos que sabem para onde têm de ir, não ela. Olha em volta, procurando recordar-se de algo que lhe remói a mente de há muito, muito tempo, sem saber o que é. As Galerias têm escuro apesar da luz. Têm calor, apesar do néon e da infinidade. Os corredores começam, acabam, terminam, desbocam em salões de figuras e silhuetas. As figuras são pessoas. As silhuetas são coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A fome que a domina, os dentes que apodrecem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algures num canto há-de haver comida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por que não aventurar-se por outro corredor escuro, se todos são iguais e em todos há fantasmas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma porta. Outra. Uma perante outra. Há que decidir-se. Pelo círculo ou pelo triângulo. De qualquer modo, são os dois o mesmo. Acaba onde começa. Matematicamente, perfeitos. Há que decidir entre um ou outro. Escolhe a porta à direita. Um bafo nauseabundo vem a seu encontro no momento em que se esvai pela curta fresta que delimita a porta e o limiar. O interior - ou exterior, da perspectiva dependendo - arde como as entranhas da própria terra: e instantâneamente ela compreende que ali não há comida. Talvez na porta à esquerda. De um passo atrás, puxa a maçaneta: e um cheiro semelhante, um vapor da mesma textura, sombras da mesma consistência vêm a seu encontro. Como portas paralelas darem para o mesmo simétrico mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já não se lembra porque aqui veio, aqui, ao mundo. Não se lembra de nascer, como se, desde todo o sempre, houvesse vivido nas galerias. Mas tem os dentes podres, pelo que se decide a uma das portas. Dos tubos exala o fumo, do chão, das paredes. Bacias marmóreas, donde escorre água. Passa-lhe as mãos. Em frente, um espelho; creme para os dentes. A água ferve. Enche os dentes em creme. Tem de se lavar nos lavabos públicos, porque não tem mais onde ir. Enconcha as mãos e recolhe líquido à boca. Espera e deita fora. As bacias, mármore; o chão, mámore; o branco, verde, em lodo. Regressará. Mas não ali, pois lavabos os há em cada corredor escuro. Não sabe como o sabe, mas sabe. Está certa da sua própria verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por agora, retirar-se-à, com a cadência da névoa ardente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1693632036356817547?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1693632036356817547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1693632036356817547' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1693632036356817547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1693632036356817547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/08/livro-do-inferno-as-cores.html' title='Livro do Inferno - As Cores'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7799384652698235639</id><published>2011-08-06T16:16:00.000+01:00</published><updated>2011-08-06T16:18:26.932+01:00</updated><title type='text'>Livro do Inferno - Morte da Morte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mar haveria... mar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, costa aquela de um imenso, imerso, infinito corredor. Outras dessas colossais Galerias sem nome. Mar onde? Mar o quê? Mar, seco, agora, só palavra desidratada. Mar: muito, grande quantidade. Mar de calor, mar de corredores interligados, cavernas artificiais, forjadas na pedra. Como tantas palavras mortas, mar. Mortas, céu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Céu: tecto, luz. Abóbada sem fim, pululada de luzes a todo o comprimento. Toda a extensão de galerias, corredores, céu, e céu tecto e céu luzes. Palavra morta, como tantas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não há palavra mais mora: que morte, morrer: morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falar também lhe parece morto, enquanto atravessa, em passo lento, as galerias infinitas. Pessoas, como fantasmas. Só.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Memória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é que se esqueça das coisas, mas não há nada para recordar. Galerias, luzes, néon, corredores, fantasmas. Caminhar. Saber onde está: não sabe. Saber quem é: não sabe. E, depois, ecoam-lhe estas palavras soltas na memória, mar, céu, morte, outras, mas ela não se consegue lembrar do que significam, a que sabem. Sentir, nada. Sonhar, dormir, nada. Tudo confusão, como que um vidro sujo ou embaciado, que deixou ver e já não deixa. Comer. Tem fome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde que se lembra, tem fome. Desde que se lembra, nunca comeu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decerto se lembraria se tivesse comido. Sim, de certeza. Talvez…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7799384652698235639?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7799384652698235639/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7799384652698235639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7799384652698235639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7799384652698235639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/08/livro-do-inferno-morte-da-morte.html' title='Livro do Inferno - Morte da Morte'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5222805233483115806</id><published>2011-08-03T22:54:00.001+01:00</published><updated>2011-08-03T22:57:44.613+01:00</updated><title type='text'>O Livro do Inferno - O Pobre Diabo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As escarpas abriam numa clareira circular. O céu sangrava todo o vermelho. Do outro lado, uma caverna negra, com o fim a cair de vista, como uma grande boca de um peixe emergente, colossal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentado, resguardando a entrada, uma aterradora figura, de olhos atentos, postos nela. Sentiu-se a paralisar. Talvez devesse voltar atrás, mas nem ao menos era capaz de pensar. Nenhum músculo respondia. O ar tinha fugido. O coração não parava, magoava como facas cravadas no peito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quis acordar. Aquele pesadelo macabro tinha de terminar. Oh, mas, para seu terror, sabia-se bem consciente. Nada podia ser mais real. Tomou coragem. A jornada fora imensa, não podia deixar-se naquele impasse, pois a besta não parecia fazer nada, limitando-se a observar. Engoliu em seco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um primeiro passo em frente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diabo seja! - berrou a criatura, fazendo-a saltar em sobressalto. Que raio és tu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Permaneceu sem articular palavra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não esperava que um som minimamente humano saísse das entranhas de tão inconcebível ser. Os olhos que a fitavam, agora, carregados de inquisições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A medo, começou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu vim até aqui. Para vir morrer, pensou. Para vir morrer, disse em murmúrio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O quê? replicou a criatura. Tens de dizer isso mais alto, porra!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela fez-se repetir, um pouco mais audível. Ele respondeu com cara de troça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anda até aqui, chamou-a com o braço. Que não entendo um corno do que dizes!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A medo, cautelosamente, avançou. Avançou até olhar, nos olhos, a besta. Foi então que reparou que este era mais baixo que ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desembucha de lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vim para morrer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O medonhinho franziu o olhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Argh! Bah.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lançou-lhe um esgar de nojo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas será que ninguém me deixa em paz? Primeiro lá de dentro, agora do raio daqui de fora!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela estranhou-lhe a linguagem. Sim, era grosseiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De onde já se viu um ser divino tão grosseiro. Apontou-lhe a boca de baleia encovada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabes que é aquilo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O inferno?, perguntou-se, em voz alta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A besta deu pequenos passos, de um lado para o outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inferno, purgatório, submundo, o que lhe quiseres chamar. É terra de ninguém, to garanto. Quem morre, é para ali que vai. Naturalmente, põe alguém de guarda, porque aqueles danados querem voltar à vida. Onde já se viu isto? É o Diabo, o Bicho, o bobo da corte, a troça de todos que se escolhe. Estou cá, desde sempre, impedindo os tolos de voltar. Vivos e mortos no mesmo mundo! Separo-os aqui. E agora chegas-me tu, a quereres entrar. Saem uns, entram outros. Lotação esgotada, aguarde, por favor! Bah. Ao menos aqui nem há música. Aqui estou eu, para todos rirem. Do cornudo, sem maneiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem as lendas que o Diabo é maldoso. Que causa o mal no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mal? Já não basta ser porteiro, agora sou o mal? Achas que sou segurança de lá de baixo? Achas que não te vou deixar entrar? Qual quê! Todos os vivos seguros, comigo aqui. Protejo este mundo, assim é que é! Sem mim, eram almas penadas a vingar por todo o lado. E só espaço para essa gente toda? Ali em baixo há todo o espaço que possas imaginar! Aqui não, já mal podemos connosco, olha o que iria ser do mundo sem mim!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem os mitos que o Diabo é o imperador dos Infernos, o supremo soberano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E isto di-lo com voz de grande espanto. Depois, contorce-se para trás numa gargalhada, meia risada, meia grunhida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanta fama! Proveito, qu'é dele? Mas digo-te uma coisa. Poucas vezes estive ali abaixo e não guardo saudades. Ser rei naquilo não era reinar, era ser escravo! Lá em baixo estão todos mortos. Ah ah, eu rei! Bem bom, talvez pudesse ter descanso. Em vez de porteiro do casebre fúnebre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz uma pausa para a olhar, de cima a baixo. Franze as sobrancelhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com que então queres morrer, hum?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assente. Sim, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como descobriste o caminho para aqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um mapa, responde ela. Um mapa, num anúncio de jornal. Folheio o jornal e ali está. Como morrer em cinco passos, Guia para a travessia do Vale dos Infernos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os tempos, Diabo!, os tempos! Já não me bastam os que passam a morte a querer viver, agora terei filinha a compasso de espera, todos para falar com o Diabo!, entrevistas com o Diabo!, 24 horas na vida do Diabo!, fora os parvalhões que não querem viver. Não o sabias ter feito com um veneno ou uma corda, como antigamente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela desvia o olhar. Não quero deixar vestígios de mim. Não quero que nada fique para trás, nenhuma prova, nenhum corpo. Quero ser uma vaga memória na mente daqueles com que me cruzei. Parou para respirar. Quero que elas se perguntem se eu existi realmente ou fui apenas sonho ou imaginação, até que me esqueçam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tá bom, 'tá bom, já percebi, não digas mais nada. Sabes, deixa-me curioso esse artigo de jornal&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anúncio, interrompe ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anúncio, pronto. Intriga-me, porque és a primeira da eternidade a aparecer aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, a nossa personagem vai ser um pouco maldosa para com o diabo e dizer-lhe algumas palavras de mau gosto. Nós, alheios, vamos ouvir, tentando compreender. Eles os dois entendem-se, isso é que interessa para a história, mas nós, aqui deste lado de fora, podemos ficar algo confusos. Aí ficam as palavras, de mau tom, que de mau tom só o sei serem, porque o Diabo se ressente e responde algo que não responderia a todos, ela diz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por certo a sua mulher, ele responde com um olhar de poucos amigos, algo desconcentrado, e com o fraseado,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cautela miúda, só se entra uma vez, dali não se sai, se a Morte é certa, porque não esperar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esperando, já há muito, responde-lhe assim: Porquê esperar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há nada de bom lá em baixo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só vim para morrer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não encontras mais portas aqui. Só guardo para fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A entrada da caverna parece coberta com um véu negro, onde nem os vislumbres da vermelhidão do céu chegam. Talvez se devesse despedir, mas não sabe de quem nem do quê. Do Diabo, da clareira morta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só vim para morrer. Debruça-se nas portas do inferno, perante toda a escuridão. Só vim para morrer, ou assim espera que seja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5222805233483115806?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5222805233483115806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5222805233483115806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5222805233483115806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5222805233483115806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/08/o-pobre-diabo.html' title='O Livro do Inferno - O Pobre Diabo'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4960969308230621880</id><published>2011-08-03T22:53:00.002+01:00</published><updated>2011-08-03T22:58:02.228+01:00</updated><title type='text'>O Livro do Inferno - Nos Portões do Inferno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um segredo. Montas, altas, como ondas. Precipícios cor de uma laranja sangrenta. Um segredo, esse que caminha por entre os escombros. Sabemos e vemos, dando passos inseguros. Estacando, por vezes. Hesitante, outras. Confiante quando apressa. É um cabelo escuro. Ela está pronta, mas nem sempre avança. Tem arrepios. A certeza não consegue esfumar o medo. Um segredo. Ali, não há quem a detenha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho-te em passo passadiço, no passeio enfadonhado dos negados ao mundo. Já esperas a morte atrás de cada escarpa. Um vulto esquelético, um sorriso que não sorri. Esperas frio. Tenho-te ao meu ritmo, passo após passo. Esperas dor. Doença. Crueldade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se apercebe da caminhada, por vezes, absorvida nos próprios pensamentos. O céu torna-se um vermelho cada vez mais vivo. Como se o sol se estivesse a pôr e a noite não mais chegasse. Não há plantas. Nem o mero vestígio de verde. Um tímido musgo, um feto. As escarpas ladeiam o desfiladeiro. Sem pedras. Sem imperfeições. Não pode ver para lá dos desvios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqueles caminhos, pensa, são cruelmente labirínticos. Agarra-se com força ao papel, cheio de vincos, amachucado, que traz consigo desde ainda antes dos Jardins desérticos que atravessa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da vida injusta. Cruel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caminha ao fim, sem saber quando o fim irá chegar. Caminha ao sabor de si mesma, aterrada. Sabe bem porquê. Sabe que não há meia volta a dar. Todos os passos são em frente, os dela dados, os dela pensados. Inclinam-se as encostas, em seu redor, ora vira à esquerda, ora à direita, sem vislumbrar desfecho a tanta perambulação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho-te em minha lei e, apesar disso, no caminho certo. Irás chegar onde tens de chegar, confio-te essa conversa. Passeia-te, frágil, com os teus receios. Falta menos de nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Portões estão ao virar da esquina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, a escrita gasta não mente. As letras impressas indicam-lhe o passeio, guiando-lhe os passos. Sim, já está na última linha, as palavras ditam-lhe para continuar. Está no fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perante si, a figura escura, que tanto receava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4960969308230621880?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4960969308230621880/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4960969308230621880' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4960969308230621880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4960969308230621880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/08/nos-portoes-do-inferno.html' title='O Livro do Inferno - Nos Portões do Inferno'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2119214592715869364</id><published>2011-06-20T00:51:00.000+01:00</published><updated>2011-06-20T00:52:24.253+01:00</updated><title type='text'>Mundo de todos iguais (humildade zero)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;Quase nos queimam vivos se damos a nossa pouco humilde mas sincera opinião. Frequentemente me dizem: "Já imaginaste o que seria do mundo se fossemos todos iguais?". Na verdade, somos todos praticamente iguais - aliás, alguém que apareça diferente é rapidamente alienado. Os mecanismos de tortura social são activados. Imagino um mundo de pessoas todas iguais: e vejo cidades repletas de arranha-céus, vejo salas e cozinhas e quartos e casas de banho, vejo as famílias reunidas no sofá, à televisão. Por isso, dando uma outra volta à questão: imagino que já o seja. Não faço parte desse mundo precisamente por ser diferente. A entrada é-me vedada. Um mundo repleto de pessoas que aguardam as instruções: programas na televisão para verem, revistas de moda que lhes dizem que vestir, prateleiras de hipermercados que decidem o que hão-de comer, estações de rádio que ditam as músicas que se devem ouvir - e estaríamos, ainda, no princípio desta lista de instruções, do manual de viver e conviver. Se fossem pessoas como tu, o cenário seria ainda mais cruel que a realidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-justify:inter-ideograph"&gt;Porém, se, acaso, fossem todos como eu. Vejo um mundo como uma espécie de paraíso. Vejo músicos e cientistas, físicos, engenheiros, matemáticos, violinistas, pintores, escritores, pensadores. Vejo-nos a criar algo livre de preconceitos. Vejo-nos a construir algo com gosto. Vejo a cultura a ser mais que meros massivos: a crescer, evoluir, edificar, grandiosa, construtiva, humana. Homens que beijam mulheres que beijam mulheres que beijam homens que beijam homens. Vejo amor, bondade, criatividade. O modo sublime como eclipsar-se-iam todos os defeitos: qual truque de magia!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2119214592715869364?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2119214592715869364/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2119214592715869364' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2119214592715869364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2119214592715869364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/06/mundo-de-todos-iguais-humildade-zero.html' title='Mundo de todos iguais (humildade zero)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1361113945204447136</id><published>2011-04-17T23:54:00.001+01:00</published><updated>2011-04-18T01:29:01.549+01:00</updated><title type='text'>Pseudo-grito-por-ajuda (ficção #2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já escrevi tantas cartas de suicídio que lhes perdi a conta. Desta vez, porém, não vou cair na hipocrisia de desculpar toda a gente. Não vou dizer à minha mãe que a culpa não é dela. Oh, sim, porque a culpa é tua, mãe. É tua, pai. Avós, primos, tios, de toda a família. A culpa é dos caixas de supermercado e dos fabricantes de rolhas. Das apresentadoras de programas de entretenimento familiar, das actrizes das novelas rascas da televisão. Dos catálogos da LaRedoute, das músicas sem música que passam na rádio, dos exames nacionais, dos médicos, dos relojoeiros, dos banqueiros, dos romances baratos, dos feridos de guerra, das empregadas de limpeza. A culpa é dos técnicos de manutenção de piscinas. De quem nos faz uma geração mais estúpida, a cada dia. Das gerações anteriores, por terem tantos problemazinhos. Dos padres, dos polícias, dos encenadores. Das faculdades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já escrevi tantas destas que me sinto afogada. Tantas vezes voltei atrás, por remorsos. Pedi desculpas, absolvi-vos do crime.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos modelos de perfeição dirijo esta responsabilidade. Como nos tapam os olhos. Compremos mais. Tenhamos tudo. O mundo. Sejamos felizes. Aos modelos atribuo tudo. Ao medo da dor e da morte. E como nos tentam proteger da realidade com sorrisinhos de plástico, como tudo o que existe, atrás das câmaras. Sejamos lindos. A culpa é das preocupações fúteis em manter as unhas arranjadas, simétricas, com o verniz delineado. Dos cremes para a pele brilhante e hidratada, dos anúncios que o proclamam como essencial, como qualidade de vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou farta do receio da morte. Do prolongamento da vida, para podermos apodrecer, cada vez mais sozinhos, cada vez menos capazes, cada vez mais dependentes, ao apodrecer do mundo. De anúncios, até nos noticiários, em quanto vai o jackpot do Euromilhões? Farta do que nos ensinam na escola, com professores frustrados, para depois aprendermos a fazer uma porcaria qualquer na universidade, para nos atirarem à cara que não existiam tais comodidades nos anos que passaram, para arranjarmos um emprego, para chegarmos a casa, ao fim do dia, cansados e fartos. Para aprendermos a ser professores frustrados ou incompetentes de outra área qualquer. Para o ponto alto da nossa vida ser jantar à frente da televisão, cada dia. Para o ponto alto da nossa vida ser o fim de semana, quando não sabemos o que fazer com tanto tempo livre, acabando por não fazer nada e chegar ao fim, achando que passou tão depressa. Vamos criar filhos, como quem cria ilusões e desilusões. Estou farta de Natais sem significado, de Páscoas celebradas como dias importantes - ainda se fossem! - de vizinhos e falsas amizades, falsos sorrisos, peúgas compradas à pressa para aniversário, para demonstrar o quanto gostamos uns dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À minha mãe, por querer de mim a perfeição que eu não quero. Por querer o melhor para mim que não quero. Por esperar que viva para sempre. Por ver em mim quem não sou. Por me amar, incondicionalmente, quando preciso de ser amada pela pessoa que sou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quero ser escrava de uma sociedade. Não quero ter medo. Não quero seguir modelos. Quero ser livre de um modo como nunca fui. Não ter nada, porque chegamos a este mundo sem nada. Só depois nos impõem uma família, um lar, uma vida. Quero cortar laços e não amar ninguém. Não quero ser especial. Não quero andar bem vestida, não quero ter cabelo bem cortado, não quero saber das feridas, dos hematomas, das cicatrizes. Não quero esconder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao viver, sinto-me um bocado como a minha vizinha. Vou contar-vos da minha vizinha, para o caso de não saberem. Ela acorda, trata das tarefas domésticas. Depois, senta-se todo o santo dia no baloiço da varanda e fica a ver as pessoas que passam e a falar com elas. Trata das flores, por vezes vai dar umas voltas. Para passar nos mesmos sítios e ver as mesmas pessoas. Por vezes, vai até países estrangeiros. Para ver coisas diferentes, numa espécie de orgia mental.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia, essa senhora vai morrer e vai para debaixo de terra. E rapidamente será esquecida. Basta a extinção desta geração. Esquecer pessoas mortas é muito fácil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao viver, sinto-me num baloiço de varanda. É verdade que o mundo se vai modificando e transformando, mas vejo-o como o passar dos dias, no calendário. No final, é tudo tão insignificante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia partir em busca de mim mesma, mas não acredito que haja nada. Quanto mais nos procuramos, mais infelicidade encontramos. Quanto mais verdadeiros a nós mesmos, menos há que seguir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Renunciar à vida é o meu último acto de fidelidade a mim mesma. Despedaçar o corpo que me foi dado. Roubar-lhe toda a beleza, abandoná-lo. Sem música, filmes, livros, sem mais nada mas eu, seguir na última aventura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem hajam, odeio-vos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1361113945204447136?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1361113945204447136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1361113945204447136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1361113945204447136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1361113945204447136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/04/pseudo-grito-por-ajuda-ficcao-2.html' title='Pseudo-grito-por-ajuda (ficção #2)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5900775735058051349</id><published>2011-04-02T18:04:00.000+01:00</published><updated>2011-04-02T18:05:24.979+01:00</updated><title type='text'>Dizer-te (ficção)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu devias ter morrido nos meus braços. E não longe, no voo de um sexto andar de uma cidade distante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembras-te de quando ficámos sozinhas no museu e passámos lá a noite? Quantas pessoas passaram a noite fechadas num museu? E não estávamos sozinhas: eu tinha-te a ti e tu tinhas-me a mim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu devias ter caído a meus braços e não no asfalto duro ou na calçada suja. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como naquele dia na praia, de mãos dadas, o mar rugindo, de mãos dadas, tu querias as ondas, eu queria beijar-te, querias que o mar te engolisse, queria salvar-te. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu devias ter esperado por mim. Mas não esperaste. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim vejo, a amiga que fui. Deste-me tudo que numa amizade tão forte poderia querer. Deste-me mais do que imaginei ser possível no mundo. E eu, que te dei de volta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devias saber que eu te amava. Deves, tens de saber que te amo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu fui miserável para ti, mas amei-te sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu sabias, certamente sabias. Pelo modo como te abracei, no meio de toda a gente. Pelo modo como te dei o meu casaco para não teres frio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu devias ter-me dito. Porque tu sabes que eu compreenderia. Sem sentir o que sentias, sem ter passado o que passaste. Sabes que compreenderia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E então eu haveria de apanhar o último autocarro e de correr, de subir as escadas a correr, para um último abraço, para um último beijo, um último olhar, um último sorriso. Dizer-te, amo-te, serás sempre a minha melhor amiga. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, deixar-te-ia ir, sem me veres chorar. Haveria de correr escadas abaixo, haveria de me deitar a teu lado, no chão, no teu sangue e chorar o teu crânio quebrado. Haveria de te abraçar e não querer largar, quando as ambulâncias chegassem. Haveria de sentir o teu corpo, rígido, frio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu devias ter morrido nos meus braços. Deveriam ter-me levado numa confusão, já quase nem pessoa, a casa, deveriam ter falado com os meus pais. Quando as pessoas me vissem, desconfiariam sempre de mim. Porque não fiz nada, perguntar-se-iam. E eu deveria ser levada a casa com o teu caderno no bolso. E andar sempre com ele, como um guia e uma mensagem: tu amas-me e eu sou a tua melhor amiga. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria tudo diferente. Mas agora seria mais forte. E não teria deixado nada por dizer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amo-te. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Serás sempre a minha melhor amiga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5900775735058051349?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5900775735058051349/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5900775735058051349' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5900775735058051349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5900775735058051349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/04/dizer-te-ficcao.html' title='Dizer-te (ficção)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7129989863251059926</id><published>2011-03-18T22:17:00.000Z</published><updated>2011-03-18T22:18:50.134Z</updated><title type='text'>Conto a uma escritora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contar a história do que realmente aconteceu. Não houve escândalo, foi tudo o mais discreto possível, de qualquer modo, estava no início. Tu escreves bem, dissera-lhe a amiga. Os outros colegas leram e gostaram, alguns. Outros não, mas fizeram-se de fingidos, também passaram. Eventualmente, as páginas chegaram às mãos da professora de português. Tu escreves bem, e acrescentou-lhe agora a outra ladainha, porque não tentas publicar? Ela não ia dizer que não em frente a uma professora, baixou os olhos e corou, uma resposta tímida de agradecimento, mas sem sentido. Uma editora de segunda aceitou logo, claro, quem não aceita meia dúzia de trocos, seja pelo que for? Assim se viu saído o primeiro livro, também ele de olhos baixos, tímido, lá ao canto das prateleiras, sempre só. Sempre teve alguma saída, porque o que vai de boca em boca alguma coisa há-de levar, tantos aqueles que o compram e nem o chegam a ler, mas isso a ela nem lhe interessa, até fica feliz, continua a não dar pelo nome que se deu na capa, que raio disso é nome, claro que fica mais bonito ter um volume grosso nas mãos do que páginas perdidas rabiscadas a esferográfica ou tinta permanente, mas continua, lá dentro, uma pesada angústia a revolver-lhe as entranhas. No jantar, sagrado, dos domingos, reunia-se toda a família, eram os tios mais velhos, os primos quase licenciados, já formados na bebedeira, os tios mais novos e os primos de fraldas, que ainda não entendiam uma palavra que fosse dita, o avô na poltrona ao canto da cozinha, coisa mais estranha, uma poltrona em plena cozinha, enfim, os hábitos tomaram-se assim quando foi tempo de nos habituar, hoje se alguém tirasse a dita poltrona da cozinha, então sim, todos estranhariam, de não ver a poltrona, de não ver o avô, que é certo que o avô está onde estiver a poltrona, fumando cachimbo, que decerto estará onde o avô estiver, depois a avó que diz que o avô se casou com ela por gostar tanto da poltrona, mas depois também cora, porque recorda tudo o que já se passou naqueles almofadões e encosto acolchoado, numa cadeira tão grande dá para fazer muita coisa, que raio de pensamentos agora foi ter, anda de um lado para o outro, fingindo-se atarefada, é o modo, enfim, que tem de abafar os suspiros da nostalgia, tempos que foram há muito e não hão-de repetir-se nunca mais. Naquela cozinha, àquela mesa, onde cada vez mais são os pratos e os lugares e as pessoas, onde a cadeira de bebé nunca se chega a tirar, não porque o bebé não cresça, mas porque, dado o pulo, já lá vem outro, é o mal das famílias numerosas - mal ou bem, depende de cada um, para esta nossa tímida menina é mal, lá terá os seus motivos para não gostar da vida parida aos seus pés, naquela atmosfera sente-se a tensão, o orgulho, a senhora escritora, com dezassete anos apenas já tem um livro editado que está a ser um sucesso!, e já todos, bebés inclusive, têm um exemplar, mas, pois, os bebés não o lerão já, é para quando um dia compreenderem, aliás, ninguém admite, mas ninguém leu, ainda. Quando alguém tem um daqueles livros de capa laranja suave, letras castanhas e finas, nas mãos, dá-se-lhe um aperto, só de os ver, como se tivessem a alma dela nas mãos, não apenas um livro, se o abrem, então, em vez de se sentir liberta, incomoda-se, a alma é quase como o sexo, íntimo lugar onde mexer, não andamos por aí a apalpar o sexo uns aos outros, ainda temos respeito, mas que era feito dele quando lhe folheavam os livros e sorriam perante a mancha difusa de palavras, se nunca sequer lhe haviam sorrido antes, que era feito desse respeito, quando punham na boca as palavras, escritora, tão nova, onde estava tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mãe, não leias, mas não havia modo de a dissuadir, mãe dela tinha a obrigação primária de ler o que a filha escrevia, tanto mais editado!, e deu-lhe um beijo na fronte e afirmou que gostava muito dela, de tanto amor transbordante que o seu objecto se encolheu e resignou, de que valia tentar fazer a mãe perceber que não ia achar ali um conto de fadas, se ela até lhe emoldurara umas pinturas a marcadores, dos tempos do infantário, feias até à exaustão, e as pendurou na parede do corredor, ainda lá hoje devem estar. Mas logo nas primeiras páginas a mãe franziu o sobrolho e lembrou-se de que tinha trabalhos de casa para corrigir, desta feita ficou a filha aliviada, não era aquela a hora das suplicias - que seria do mundo se as mães conseguissem ver a alma aos filhos? Confiada a estes pensamentos, fugiu com o livro onde a mãe não o visse e não se lembrasse mais dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega em fim o fim dos exames, altura de baixar os óculos de sol da cabeleira para os olhos, calçar sandálias e um vestido mais leve, sair assim à rua festejar o verão que se avizinha. Já se passou muito tempo desde o primeiro livro, o próximo tem direito a apresentação ao público, dia vinte e cinco do mês que vem, com cinco ou seis pessoas da rádio e dos jornais, mais para a família e amigos - ora, ela não compreende porque há-de apresentar o livro novo à família e amigos, se é certo que são os primeiros a correr para ele e os últimos a perceber o que ele diz. E a mãe pergunta, o que vais levar, e a filha responde, oh, mãe, sei lá, falta mais de um mês, e achas muito?, quem o pergunta é a mãe, conhecendo-te como conheço, menina, precisas de bem mais tempo para te arranjares com duas peças decentes, sem pareceres um manhuço, é um dia como os outros, mãe, um dia como os outros!, exclama a mãe com surpresa, sim, não é nada, também não estou a pensar no que hei-de levar no dia vinte e três, nem mesmo no dia seis, que é muito mais perto, como podes dizer isso?, pergunta a mãe, de mãos na cara, trémulas, vai lá estar a imprensa!, e tu só te preocupas com o que os outros dizem, e tu nem te preocupas com nada!, não é bem assim, mãe, simplesmente não olho para as roupas como tu, pois não, e sabes porquê? porque estás gorda e nada te fica bem, se fosses elegante ias ver como gostavas de combinar as coisas como deve ser, mas fica palhaço à vontade, se gostas assim!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A isto a filha não responde nem ressente, já está habituada, conversas que começam da mesma maneira, acabam da mesma maneira, ao papel dela já o tem decorado, o guião diz que, com esta deixa, a mãe deve sair do cenário e a mãe sai, realmente, evidente que segue o mesmo guião, não se enganou nem trocou, como por vezes acontece, e andam as duas desentendidas por julgarem diferente a mesma coisa ou a mesma coisa por coisas diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve uma noite, um jantar de domingo, em roda da mesa, sem esquecer a poltrona nem o cachimbo, em que as emoções trouxeram até lágrimas de comoção, estando o televisor ligado, como era habitual, mas todos sabiam o que ia ser diferente, os bebés tiveram de ser forçados a silenciar o choro, pois todos ouviam atentamente o que o Professor Marcelo tinha a dizer, muitos ouvindo sem ouvir, porque só queriam ver, ver, então ali estava, um outro livro tímido, espreitando, o nome da família precedido por um feminino, o primeiro livro levado assim à televisão, a primeira vez que o Professor Marcelo se lhe referia, e lá estava ela, recebendo aplausos e abraços e lágrimas, enterrando-se no assento, como que o dia do aniversário tivesse chegado mais cedo, ali estavam todos a olhá-la e bater palmas, ela sem saber que fazer da cara, que fazer das mãos, ao menos antes podia fixar os olhos no bolo, nas velas, na chama, ali nem isso, tinha de se contentar com o lombo devorado. Apeteceu-lhe, também, chorar, mas afogada de tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jovem escritora. Como tudo põe a cru, apesar de tão nova, tão pouco experiente, parece prever os males onde os há e não finge que não os vê. E as obras publicadas com que conta. Uma encruzilhada de histórias, para o público mais novato, chama-se Nahaia, nome mais estranho, depois uma colectânea de contos, desde meia página a meio livro, mas sempre chamados contos, o dos Pulsos está lá, qualquer outro também, se procurarmos. Um policial, estranho quebrar da corrente, mas também bizarro a seu modo, chama-se Culpa dos Inocentes, saiba-se porquê, talvez tenha sido outrora outra ideia de que depois se fez título, ainda um misto de comédia com outro mundo bizarro, As Ocorrências mais Estranhas e Extraordinárias da Vida de Edgar Perry, fiquemos com Edgar Perry, para abreviar, depois há aquele tenebroso Crónicas do Lodaçal, o das viagens de carro ao país, Desejo de Estrada, ou como se chama, e há ainda o que começa nos Portões do Inferno e não se sabe bem onde termina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora a mãe quer ler. Tem de ler, é inevitável. Bate à porta do quarto da filha, diz, isto é acerca de mim?, a filha diz-lhe que não. Mãe só tens uma, por isso tem de ser acerca de mim. Essa não sou eu, responde-lhe a filha, fui eu que inventei uma e que inventei a outra. Inventaste de onde?, da minha cabeça. E sabes lá tu como são as outras mães?, por isso inventei. A mãe ajoelhou-se à beira da cama. Os olhos morriam em lágrimas, tu achas que sou assim?, perguntou entre soluços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo isto está a matar-me.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltei ao psiquiatra. Que vai ser hoje? Já nem me recordo da primeira razão, a minha mãe leva-me ao psiquiatra desde muito cedo, porque ele é uma espécie de amigo de infância. Que vai ser hoje? Já fui diagnosticada com depressões, fobias sociais, esquizofrenias, apetite compulsivo, já usaram todos os termos que conseguiram, dissecaram todos os meus sonhos e todos os meus textos. Os livros só fizeram pior. Agora, há material. Ele pega ao acaso numa frase de um livro e molda-a até chegar onde quer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É verdade que fui encontrada dentro de um armário, a cheirar mal do egoísmo de me ter matado. São coisas que se fazem. Tinha a alma tão suja que já nem sabia como a haveria de limpar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7129989863251059926?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7129989863251059926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7129989863251059926' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7129989863251059926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7129989863251059926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/03/conto-uma-escritora.html' title='Conto a uma escritora'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2298170111388688947</id><published>2011-03-06T21:29:00.001Z</published><updated>2011-03-06T21:36:11.538Z</updated><title type='text'>.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que estou a matar a minha mãe. Dia após dia. Em cada sorriso a menos. Em cada chamada mais curta. Em cada noite fora de casa. Em olhares distantes quando estou com ela. Em respostas carregadas de sarcasmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morre por minha culpa, lentamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2298170111388688947?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2298170111388688947/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2298170111388688947' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2298170111388688947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2298170111388688947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/03/blog-post.html' title='.'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2741372289323468885</id><published>2011-02-07T19:04:00.000Z</published><updated>2011-02-07T19:05:08.393Z</updated><title type='text'>Q: porque não tens orgulho em ser portuguesa?</title><content type='html'>&lt;div&gt;A: Que fiz eu para ser portuguesa? Lutei durante anos pela minha obtenção de nacionalidade? Ou andei pelo mundo até decidir assentar neste lugar? Ou, ao nascer, resolvi que iria falar português como língua materna? Caramba, não. Nasci aqui. “Decantaram-me” aqui. Impuseram-me um país, uma língua, uma família, um estatuto social, depositaram expectativas e moldaram-me a essa imagem. Como posso ter orgulho numa coisa de que não sou culpada e para a qual não contribuí? O orgulho pela nação é a primeira coisa que os fascistas fazem celebrar e cultivar. É esse orgulho a primeira causa de intolerância. Esse orgulho primitivo que sabemos lá se acaso merece existir. É a primeira causa de conflitos. E, depois, já se sabe, de guerra. Por isso eu não tenho orgulho em ser portuguesa. Não tomo créditos pelo que outras pessoas fizeram. Não tenho orgulho em ser um ser humano. Nem sequer tenho muito orgulho em estudar na cidade onde nasci, porque me limitei a seguir o que esperavam de mim. Ser portuguesa é uma etiqueta, impressa debaixo da minha pele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2741372289323468885?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2741372289323468885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2741372289323468885' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2741372289323468885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2741372289323468885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/02/q-porque-nao-tens-orgulho-em-ser.html' title='Q: porque não tens orgulho em ser portuguesa?'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-351355520736356786</id><published>2011-01-02T20:04:00.001Z</published><updated>2011-01-02T20:04:40.623Z</updated><title type='text'>Cansada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida sabia-lhe a insípido. Diziam-lhe o que fazer e ela fazia. Trabalhava, como uma pequena formiga que não sobressaía. Ela não queria sobressair, de todo. Mas queria ser ela própria. Queria dar de si ao mundo - e não do que todo o ser humano é capaz de fazer. Era por isso que não tinha família. Depois de ser criada, vira-se obrigada a fugir. Não suportava as paredes daquele ninho de incompreensão, expectativas e hipocrisia. No entanto, sair de casa só lhe serviu para descobrir que a sociedade era um ninho em ponto grande. Em outros países, continuava o mesmo sentimento à beira-rio de conformismo. Não dizia a ninguém, mas sentia-se sozinha ao sentar-se com outros no sofá a ver televisão. Ninguém vivia. Apenas aceitavam. Existiam. E tal não era viver. Diziam-lhe que trabalhasse e ela trabalhava. Diziam-lhe que comesse e ela comia. Diziam-lhe que passasse os sábados e os domingos a arrumar o apartamento e lavar a casa de banho e ver televisão - e ela tudo fazia. No ecrã, rostos sorridentes. Sorria com eles. Porém, esse sorriso era uma máscara, tal como as dos actores do ecrã. Nada havia de verdadeiro. Apenas ordens não ditas. E sinais de assentimento, vagos, lentos, imperceptíveis. Era como uma vida sem cores nem som. De que lhes valiam se não lhe diziam nada?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-351355520736356786?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/351355520736356786/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=351355520736356786' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/351355520736356786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/351355520736356786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2011/01/cansada.html' title='Cansada'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4707568757180953498</id><published>2010-12-29T22:05:00.001Z</published><updated>2010-12-29T22:19:48.225Z</updated><title type='text'>Ilegal Anormalidade (NaNoWriMo)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltou tudo ao normal. Era estranho como tudo voltava ao que sempre fora de um modo tão natural, como se nada tivesse acontecido. No entanto, tal estranheza nada mudava. Se uma figura pública tivesse sido encontrada morta, todos rodeariam durante muitos dias a história, apesar de tal falta não mudar, realmente, a vida dos que o conheciam. Passado alguns dias, os meios haveriam de se render, pois o peixe já não venderia. Agora, ali, era simples. Era um imposto, imposto a todos. Na realidade, era uma multa com outro nome. A lei ressaltou de um dia para o outro. Houve queixas, houve conflitos nos arredores das grandes cidades. Houve tentativas de revolta. Mas, uma semana depois, tudo na mesma. Imposto sobre música não programada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia uma pequena menina que adorava ouvir música, mas nunca a ia buscar à rádio, como todos os outros. Ela olhava em volta, há procura de árvores enormes, a que todos, de tanto habituados, já nem as viam. Ela, porém, não se limitava a olha-las, reparar nelas: agarrava-se docilmente e trepava&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;aos ramos mais altos. Por vezes, demorava um pouco mais até lá chegar, mas nunca desistia. Lá de cima, deixava-se embalar. E, quando voltava, trazia a cabeça muito mais cheia e poderia sempre voltar. Essa floresta é, está claro, a música, toda a música. Tudo isto não é mais que uma metáfora. Mas essa menina carregava o seu leitor com músicas e músicas, todas as que ela gostasse. Sabia que lhe davam alimento mais que tudo. Eram a alma dela em revista. O alimento, a respiração. Sem música, podia ser humana, mas não era pessoa, porque se tornava oca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imposto sobre música não programada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No início não lhe fez diferença. Nem a ninguém. Com o tempo, todos se habituaram a não ouvir o tipo "errado" de música, aquele que se tinha de pagar. Música era bom. Mas não um luxo. Um imposto começa a ser um pouco demasiado para poderem ter o pequeno conforto. Dispensável, portanto. Não para ela. Continuou a dar as onças pelos segundos, longos minutos, ternas horas em que escutava quem quer que preferisse no momento. Ligava a caixinha de música e, algures na sede da polícia do governo, um cronometro acionaria a contagem. Ela ouvia sempre música fora do programa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conseguia ver o que estava mal, ou "errado". As letras, chocantes e incitantes, aliciantes ao lado perigoso da vida…Os sons, todo o espectro que conseguiam abarcar de sons, estranho, difícil de seguir. Ela compreendia - o governo tinha medo dos pensadores, das pessoas que fossem levadas pelas músicas a fazer o não esperado. E, assim, ninguém ouvia. Ela não o dispensava, porém. Era o ar que lhe compunha a alma. Continuou, submissa, a pagar todos os cêntimos que cada segundo valia, porque cada segundo valia a pena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo, deixou de ter comida em casa. Vendeu a roupa e ficou apenas com um farrapo. A música ia-lhe morrendo. Os segundos, cada vez menos. Era como uma droga, lhe diziam. Com o tempo, começou mesmo a ser vista como uma droga. A estranheza dos sons. Alienados deste mundo. Nada poderia existir realmente assim. Drogados dos músicos que só tocam e cantam o irreal, diziam. Ela via os que lhe falavam assim e notava-lhes a arrogância de se acharem maiores e que as palavras haveriam de fazê-la calar, fazê-la parar. Se antes, oh, ao menos antes, gritassem, a plenos pulmões, talvez ganhassem um pouco de razão e ela conseguisse perceber as tolas insignificantes palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo, teve de vender tudo. Deixou de ter dinheiro. Até que deixou de haver música.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia em que deixou de haver música, ela atirou-se ao chão sem conseguir respirar. Sofucava com as lágrimas, de olhos a jorrar de vermelho. Soluçava e tinha a garganta cheia de amargo. Todos abanaram as cabeças e ninguém a ajudou. Pobre drogada. As mães afastaram os filhos dela, repreendendo-os.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma semana depois, no meio da rua, começou a cantar, a mais cara das músicas que conhecia. Cantou-a bem alto, para que todos a ouvissem. Calou as lavadeiras dos prédios circundantes, cantou e calou a cantiga dos melros que debicavam as primeiras frutas, cantou e cantando mais alto calou as buzinas distantes e as sirenes de ambulâncias e cantou e calou o mundo só com uma, a mais cara das músicas, cantou até ser calada. Quando o bastão da polícia a atingiu com brusquidão, o mundo que ela calara ficou cego e negro. E sentiu a cara contra o chão. E não sentiu mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do canto de uma estreita avenida que dá para esta cena, encontra-se uma outra menina, um pouco mais nova, tentando se esconder por detrás do vão da escada. Ela chora a morte da sua heroína e mentora e está aterrada de tão assustada. Essa menina vai crescer num outro mundo, onde já não é preciso pagar para ouvir. Ela há-de se agarrar à sua caixinha de música, com atenção e absorvendo tudo o que pode. Todos hão-de estranhar tais modos e de lhe perguntar por que está sempre de música nos ouvidos. Ela, simplesmente, irá encolher os ombros e agarrar-se com força ao que tem e aproveitar cada segundo em que pode ouvir música sem ter de pagar imposto nem multa. Ela, simplesmente, nunca vai mostrar a ninguém o que ouve, com medo do bastão da polícia. E essa será aquela que mais bem saberá ouvir música. E a que terá a alma mais cheia. E a que nunca deixará nada voltar ao normal quando o mundo mudar as regras da liberdade, mesmo à sua frente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4707568757180953498?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4707568757180953498/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4707568757180953498' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4707568757180953498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4707568757180953498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/12/ilegal-anormalidade-nanowrimo.html' title='Ilegal Anormalidade (NaNoWriMo)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6833582132476738657</id><published>2010-12-04T16:19:00.001Z</published><updated>2010-12-04T16:20:46.222Z</updated><title type='text'>Mãe, tenho saudades minhas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Mãe, tenho saudades tuas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Dos dias em que levavas a tua pequena princesa à cidade. E aqui foi onde tu nasceste, e aqui é onde a mãe compra as meias, não toques em nada. Lembro-me de ficar quieta, à tua espera. A minha mão cabia na tua e eu mal te chegava à barriga. Quando via um pedinte na rua, chamava-te e dizia:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; - Não lhe devemos dar qualquer coisa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; As tuas respostas variavam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; - Não, que é para as drogas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; - Não, que já pouco temos para nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; - Oh, Adriana, se fossemos dar a todos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Mas, por vezes, cedias e eu corria a pôr uma moeda na mão estendida, no chapéu, no estojo de violino ou saxofone. Muito eu gostava de dar moedas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Eu era pequena e tinha de estar contigo. Mãe, desculpa ter roubado a tua pequenina. Mas ela teve de crescer. Tu sabias. A infância nunca é eterna. Tentei prolongar a minha, mas não deixou de ser efémera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Com saudade,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;da tua&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;fifi&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6833582132476738657?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6833582132476738657/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6833582132476738657' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6833582132476738657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6833582132476738657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/12/mae-tenho-saudades-minhas.html' title='Mãe, tenho saudades minhas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-8823029123106044181</id><published>2010-09-11T17:52:00.007+01:00</published><updated>2010-09-12T05:09:13.075+01:00</updated><title type='text'>O chapéu e o pássaro (conto)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Uso chapéu porque estou careca. Podia ter sido pior, mas não foi e estou grata. Tenho de usar chapéu, mas até me fica bem. Se o tirar e virem a minha cabeça rapada, decerto que farão troça de mim. Não, estou segura. Protegida por um chapéu. Amanhã, posso trazer um boné, e no dia seguinte uma boina. Posso fazer uma colecção de chapéus de todo o mundo. Posso ser quantas personagens em cada dia. Estou careca. Privada dos meus doces caracóis e do seu peso gentil quando pousavam nos meus ombros com a força da rebentação das marés nas costas da areia. Os meus cabelos eram ondas suaves e deles conseguíamos ouvir o som do mar. E agora estou careca. Não levo a cabeça despida, tenho um chapéu e amanhã outro. Estou careca mas poderia ser pior. Estou careca, mas tenho saúde e tenho peito. Se bem que ainda não tenho peito realmente, um dia terei. Obrigo-me a sorrir, porque está tudo bem. Estou bem, estou segura. A mulher chorosa a meu lado na sala de espera não. Não me disse nada, mas li nos olhos dela. Está-lhe escrito em toda a cara, nas mãos que tremem, que a morte já a acolhe em seus braços gelados. Vai morrer, talvez já esteja morta. Já está pálida. Já está fria e arrefecida. Já está rija, como pedra. Esperamos sempre que continuem suaves, para alimentar a ilusão de que estão a dormir. Mas não estão. Estão mortos. Estão rígidos. E já não são vivos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Eu estou viva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Eu tenho chapéu e saúde e peito e estou grata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Que mais posso que sorrir?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Tira o chapéu, diz a professora, e todos olham para mim. Já todos olhavam, eu fingia que não. Agora, é impossível de ignorar. Tira o chapéu, diz a professora. Tira o chapéu, Tira o chapéu, Tira o chapéu, repete, insiste e debita a professora. Já só é automática, agora. Tem peito e tem cabelo e não imagina a importância do que me pede. Tira o chapéu, Ana Marta, imita alguém no fundo da sala. Todos me olham e o meu sorriso desfaz-se porque o mundo parou para me ver tirar o chapéu. De súbito, deixou de importar ter peito, ter saúde ou estar viva. Não tenho cabelo. Não tenho cabelo. Palavras que murmuram ao meu ouvido, palavras que ecoam por dentro e me fazem estremecer. Deixei de ser a menina corajosa e o encanto das enfermeiras. Agora, sou a rebelde que não quer tirar o chapéu. E depois serei a que não tem cabelo. Assim posta e exposta. Não quero, por favor, não me obrigue a tirar o chapéu, por favor. Sei que o digo em voz, mas na minha voz, tímida e baixa. Tenho medo de a gritar. Mas ela ouve-me. Tem a prática de apanhar mexericos. De dois passos e um gesto, arranca-me o chapéu. O silêncio. Ninguém se atreve. Todos eles compreendem, agora. A cara dela, choque. Vai devolver-me o chapéu sem uma palavra e o mundo vai prosseguir, arrependido. Vão perguntar-me, mais tarde, se tive de tirar alguma coisa e vão contar como a antiga porteira teve de tirar o peito. Eventualmente, vão compreender o quão perto estive da morte e vão ficar assombradas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Se ao menos a realidade fosse como a esperamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Se ao menos a humanidade fosse prática, lógica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Agora, surpresa. Choque estampado nos rostos. A professora é a primeira a avançar. O choque tornou-se fogo. Então, grita-me uma voz carregada em fúria, então é por isto, menina mal encarada, que te escondes atrás de chapéus? Virou-se para a turma toda. Ninguém, numa aula minha, há-de esconder os seus actos arrependidos atrás de um ridículo chapéu! Vejam, vejam bem este vosso exemplo! Vejam, e isto disse-o como que para o abjecto mais nojento que ela alguma vez vira, a beleza de uma menina careca!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Todos me olham e não consigo dizer nada, porque o meu sorriso se desfez em lágrimas, porque o mundo parou para se rir da menina sem cabelo. Ninguém percebe. Ninguém vê que podia não ter peito. Ninguém vê que podia ainda estar doente. Ninguém vê a mulher pálida, fria, rígida e morta comigo na sala de espera. Ninguém vê o abraço gelado da morte que nesse dia a escolheu a ela mas que do mesmo modo me poderia ter escolhido a mim. E hoje podia ser o meu enterro e a escola fechava em luto e ninguém me obrigaria a tirar o chapéu e ninguém se riria de mim e não seria eu a chorar, todos me olhariam e o meu sorriso haveria de estar desfeito em morte e o mundo pararia para me chorar. Ninguém vê nada disto. Arrumo-me no canto da sala, em choro apertado, sem chapéu e sem vida. Ou assim a desejaria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Estou outra vez na cama da enfermaria e não sei se compreendo. O doutor disse-me que estava tudo bem. Então por que estou outra vez aqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Não me iludo, bem o sei. Queria estar bem e enganaram-me para viver a minha última semana feliz. Já não me enganam mais. Desta vez, sinto as penas da morte a roçarem-me e acariciarem-me e beijarem-me nas faces. Descobri que a morte é um pássaro gentil e um pássaro que sabe beijar. A morte não se ri de mim. Acompanha-me nas noites de insónias, cantando ao meu ouvido tristes melodias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Queria ter amigas que me confortassem. Queria que elas se lembrassem, lá na escola, mas já não tenho ilusões. Em duas noites deixei de ser criança. Sou quase capaz de as ouvir, ao pé de mim. A Ana Marta está no hospital? Sim, com uma daquelas doenças em que nos tiram o peito. Tiraram-lhe o peito? Não. Então porquê tanta choradeira?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Queria que o meu pai estivesse aqui, mas ele trocou-me por outro país, do outro lado do mar. Queria que a minha mãe estivesse aqui, mas ela deixou de me olhar nos olhos. Queria que a minha irmã estivesse aqui, mas ela culpa-me pelas amantes do meu pai e pelas bebedeiras da minha mãe. Queria alguém mais para além do pássaro morte e da enfermeira que me alimenta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Pergunto-me sobre quem irá ao meu funeral. Mas isso não interessa, porque já estarei morta. Aqui, estou viva, estou a morrer, estou sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Aqui, respirando dolorosamente, a única desta cela, não julguem que vos guardo ressentimento. Consigo ver-te. Sei que estás enternecido comigo. E amo-vos, todos, intensamente, como às vidas que não pude trazer à vida e amar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Cai um pássaro morto no peitoril da janela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; É o meu sinal: está na hora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-8823029123106044181?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/8823029123106044181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=8823029123106044181' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8823029123106044181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8823029123106044181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/09/o-chapeu-e-o-passaro-conto.html' title='O chapéu e o pássaro (conto)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1632654398992429779</id><published>2010-09-11T17:32:00.004+01:00</published><updated>2010-09-11T17:52:02.485+01:00</updated><title type='text'>Escapadela II</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" &gt;(21.07.2010)&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;O que todos esperam de ti. Que tu, invariavelmente, não fazes. Esta é a tua segunda escapadela. Já sabes que tudo vai correr bem. Tinhas saudades de comboios. Vais de costas e deixas-te embalar pelo solavanco constante das carruagens. Respiras este som, com saudades de quando era o de todos os dias. Deixas o nevoeiro matinal na cidade onde nasceste. Aqui há Sol! Sol! As nuvens flutuam como pequenos milagres. Vês os campos infinitos, vês as linhas, sujas em óleo, gastas pelas centenas de aniversários. Sabes este mundo de cor, o cenário dos viajantes não muda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Aqui, não há ultrapassagens perigosas, nem curvas apertadas, nem trânsito.  O que poderia correr mal, com o teu companheiro de viagens eternas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Desculpa, mãe. Perdoa-me por te mentir, mas não havia outro modo. Deixavas-me vir, se soubesses? Perguntar-te-ias pela razão. Eu amo-te, mãe, mas tu não compreendes. Desculpa. Preciso disto, porque é isto que sou: uma viajante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;As nuvens, altas, regressam. São grandes e imensas. Correm com o vento ou talvez sejamos nós que fugimos. Vejo os pinheiros, cismo onde estou. As pessoas dão demasiada importância a tudo, como se uma viagem fosse algo descomunal. Calma! Interessa-me que vocês compreendam? Só fazia bem. És louca. É só uma viagem. Viagem comigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1632654398992429779?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1632654398992429779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1632654398992429779' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1632654398992429779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1632654398992429779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/09/escapadela-ii.html' title='Escapadela II'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-3666107820750894478</id><published>2010-09-09T20:35:00.002+01:00</published><updated>2010-09-09T21:11:58.052+01:00</updated><title type='text'>Vamos às compras, querido.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos comprar um ferro de passar, &lt;i&gt;querido&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos &lt;i&gt;comprar&lt;/i&gt; uma máquina de café, um microondas, um secador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos comprar, querido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos submergir na corrente da expectativa de adquirirmos ditos confortos do mundo moderno, ditas facilidades dos novos dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim julgamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos submetermo-nos à escravidão real de fazermos nossos os hábitos de todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos&lt;i&gt; vestir&lt;/i&gt;, querido, o conforto dos nossos lares &lt;i&gt;de igual&lt;/i&gt;, com os outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem nos vai julgar? Quem nos vai estranhar? Quem nos vai dizer que não podemos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos comprar uma carpete para a entrada, querido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos vender a nossa alma a esta causa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos vender a nossa honra, querido, a nossa dignidade, a nossa individualidade, para comprar as nossas grilhetas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos trocar o sangue por óleo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos vender os livros de nossos avós para comprar uma torradeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos vender as nossas memórias para comprar copos em cristal. E vamos gritar e bater quando algum se partir, porque o cristal é &lt;i&gt;insubstituível.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos desmembrar o nosso cão ou gato e vendê-lo órgão a órgão a quem nos der melhor preço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos vender a nossa sombra pelo melhor preço. Para que nos serve uma sombra?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos vender a nossa integridade ao melhor preço. Para que nos serve a integridade?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-3666107820750894478?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/3666107820750894478/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=3666107820750894478' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3666107820750894478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3666107820750894478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/09/vamos-as-compras-querido.html' title='Vamos às compras, querido.'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-8493562490598577083</id><published>2010-08-12T23:17:00.003+01:00</published><updated>2010-08-12T23:44:35.468+01:00</updated><title type='text'>Diário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não costumo fazer isto. Isto, isto, isto. Esta espécie de tom de diário, não nos meus textos. Mas preciso, estou a morrer. Sinto-me a morrer. Não conseguia aguentar muito mais naquela casa. Sinto-a lá, como um esqueleto pendurado que me segue para cada canto - e me chama: Adriana, Adriana, Adriana. A suavidade das coisas que fazíamos, das coisas que poderíamos fazer. Se hoje o mar estava lindo, lembrava-me da tarde em que passeámos de mãos dadas, os meus pulsos ainda intactos, os dela dolorosos da dor que a corroía por dentro: e eu sem saber que dizer, só estando com ela e salvando-a do mar, quando eu sabia: eu sabia sempre: que ela não queria ser salva, que ela queria que o mar a afogasse ali mesmo, porque o mar é calmo e bruto ao mesmo tempo e está cheio de carinho. Porque o mar a podia matar, mas não a magoaria tanto. Nós a brincarmos com as ondas, a brincarmos com pedras, como duas miúdas, a brincar com gaivotas, os pulsos dela, eu podia ter dito, enquanto brincávamos, eu amo-te, seria verdade, &lt;i&gt;eu amo-te&lt;/i&gt;, mas não o disse, nem sequer a consolei, os pulsos dela, eu fiz de criança quando ela tinha perdido a inocência toda, eu fiz-me de inocente, quando ela não podia, eu amo-te, &lt;i&gt;eu amo-te&lt;/i&gt;, por vezes grito-o na rua, para o vento, para a chuva, para o mar, mas é sempre para ela, &lt;i&gt;eu amo-te&lt;/i&gt;, no cemitério, à beira do esqueleto, eu amo-te e é verdade, ainda hoje, eternamente, ternamente to repito, mas as lágrimas doem, o peso no peito dói, os soluços, eu não quero chorar, mas até quando não choro tu estás lá, estás na praia, a fingir que brincas. No meu quarto, eu tento adormecer, mas sei que lá estás, eu sinto-te, mas sei que estás morta e estás lá, arrepio-me, não de medo, mas de remorsos, nessas alturas não digo que te amo, porque nessas alturas odeio-me por tudo o que não disse e tudo o que não fui, e por tudo o que disse e tudo o que fui, odeio-me e peço-te para me deixares embora, porque tu foste minha amiga e eu não te mereço, porque eu quero dormir e tu não me deixas, és essa grave memória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adormeço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Primeiro sono.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;És sempre tu e eu. Eu contigo. Tu às vezes estás morta, outras estás viva. Todas são odiosas, porque depois acordo, lavada em suor. E ainda com o sabor amargo da tua lembrança. Tento não chorar. Viro-me para um lado e para o outro, com medo de adormecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Segundo sono.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não interessa em quantos sonos vou, tu estás sempre no sonho, naquela casa. E eu acordo sempre a chorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Último sono.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hei-de acordar sem que os meus pais o saibam. Ouço-os a baterem as portas dos armários, a abrirem com cuidado os estores, ouço passos no corredor, vozes, ouço uma porta que se fecha, póc-póc dos chinelos a baterem contra os degraus, na luta contra as escadas, a porta a abrir, a porta a fechar. Sei que foram comprar pão e que não tenho muito tempo. Deixo o choro romper, mas tomo cuidado de o interromper. Levanto-me, lavo a cara, lavo os olhos. Estão pesados e cansados. Eu estou cheia de sono. As olheiras fazem covas, assustam. Lavo os olhos, vermelhos. Deixo-me assoar, passo a escova pelo cabelo. Não estou melhor, mas disfarça. Volto para a cama e olho o dia que amanhece, pela janela. Esse momento é de paz, é o único de paz num dia inteiro. É sempre interrompido, bruscamente. Passos a subir as escadas. Conto-os, apesar de os saber de cor. A porta abre-se e eu fecho os olhos. Controlo a respiração. Dali a pouco, há-de aparecer alguém que me vai acordar. Eu quero chorar. Ainda não deitei tudo. Mas não posso, faço por fingir que sorrio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Doloroso. Porque, a cada momento, tenho esperanças estúpidas. Porque, a cada momento, foi tudo um sonho ou uma partida de mau gosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se me chamam, se me dizem,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adriana, desce, vamos embora!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu ouço,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adriana, está aqui a Joanna!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu quero chorar quando me fixo no espelho, porque não me consigo olhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com outros, finjo que está tudo bem. Finjo que já passou. Mas como pode passar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como pode passar, se ela está presente nos lugares mais imagináveis?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Amo-te. Perdoa-me, por favor.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Amo-te e não consigo evitar.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Perdoa-me, minha querida,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;quem me dera poder merecer uma fracção da amizade que me deste.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Obrigada por tudo, e perdoa-me.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-8493562490598577083?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/8493562490598577083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=8493562490598577083' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8493562490598577083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8493562490598577083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/08/diario.html' title='Diário'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7181309500813774486</id><published>2010-08-02T22:12:00.001+01:00</published><updated>2010-08-02T22:13:40.489+01:00</updated><title type='text'>Novo Dia (macabro e parvo)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia novo amanhecia no largo, o mar ouvia-se ao longe e as gaivotas pousavam no topo dos edifícios, calmas, como a brisa. Esse dia que começava alinhava-se com os outros dias, no correr do tempo e assemelhava-se a tantos outros. Se o pudéssemos saber de antemão, não nos preocuparíamos tanto quando atravessamos a estrada ou quando nadamos no mar, sob o olhar perturbador da bandeira vermelha. E, por outro lado, se não tivéssemos esse cuidado, tudo seria alterado e o dia poderia ser diferente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Sol, as nuvens desaparecidas, a brisa calma eram todos prenúncios de bom dia. Podemos imaginar mil e uma maneiras de não ser, mas, por agora, vamos ser optimistas. Porque esta manhã começa bela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um gato passeia agilmente por entre os escombros. Pois, sim, esta cidade está despedaçada e não se vêem sobreviventes. Excepto aquele gato. E o mar. O gato percorre o que já foram avenidas com passo rápido, para não se deixar apanhar pelo que tenha ficado para trás. Este gato não tem destino, porque acompanha a vida pelo que ela é presentemente. Para este gato, não há passado nem futuro. A cidade está assim porque sempre foi assim, porque sempre será assim. Não é que ele não se lembre - simplesmente, não quer lembrar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O gato avança por entre estilhaços de parede escura, caída, desfeita, desmoronada. Algo emerge daquele pedaço de terra. Uma mão, um braço, um ombro. O gato segue viagem e deixamo-lo entregue a si próprio, pois decerto que quem só olha o presente não tem grandes histórias a contar senão as que podemos ver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Sol ergue-se do mar, tal como a mão se ergue dos blocos de madeira e pedra degradados pelo tempo e pelas bombas. A luz esmorece, até o Sol se envergonha perante tal visão: há uma extensão de um ser que luta pela vida. O Sol esconde-se atrás da primeira nuvem que encontra. A mão procura, apalpa o ar, apalpa o chão, retorce-se e está retorcida, já não é mão, já não é braço. Está sangrada, está ferida. Será que vive?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cai para o lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está morta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Sol nasce, então, descansado. A brisa treme e faz tremer a areia. O Verão morre no céu e o frio inunda a terra. O Sol não diz nada, só ilumina, não aquece. A cidade apagada, despedaçada, torna-se inferno gelado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cidade cai para o lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está morta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Sol está morto, já nem ilumina, está escondido, envergonhado, está morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a brisa, só penteia remoinhos na areia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até que já nem isso, a brisa esmorece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está morta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está tudo morto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7181309500813774486?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7181309500813774486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7181309500813774486' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7181309500813774486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7181309500813774486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/08/novo-dia-macabro-e-parvo.html' title='Novo Dia (macabro e parvo)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-333666656641324834</id><published>2010-07-15T03:07:00.000+01:00</published><updated>2010-07-15T03:09:13.421+01:00</updated><title type='text'>Possivelmente natural</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este dia é fabuloso. Podemos fazer tudo. Podemos ser tudo. Podemos comprar tudo. Este dia é o mais fantástico das nossas vidas. Comparamo-nos e vemos que somos iguais porque tudo podemos ter. Somos fabulosos porque é hoje o dia de tudo o que nos passe pela cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste momento em que todas as realidades me são permitidas, magico uma paisagem. Estamos no norte, no meio de montanhas alpinas, triangulares, cobertas de neve. As coníferas rodeiam-nos no seu abraço irregular. Algures, ouço o gotejar de água, o desbravar de caminhos por uma ou outra fonte algures. Algures. Acrescento-lhe, agora, flores, rasteirinhas, de todos os tipos, das que se dão bem nestes climas. Flores pequeninas, miúdas. E a água vai desaguar a um regato e o regato finda num formoso lago, num imenso espelho de pequena ondulação que se estende até ao nosso horizonte. Sentes o fresco da paisagem e sorris. Quase que és feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste momento em que posso tomar a realidade pela mão, construo uma pequena cabana, minúscula, para ser sincera. Dentro dela - tudo o que me é essencial. Um colchão no chão, mesmo à beira da lareira. Uma porta que esconde apenas vestidos simples, que caem como folhas, como pétalas de rosa, que caem no outono. Desbravo esta pequena casa, a sua secretária onde repousa a minha máquina de escrever e as minhas penas. E os tinteiros para as penas. É com alma que escrevo nesta casa, acerca da beleza e simplicidade da natureza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste triangular momento, vejo os meus filhos brincarem com objectos simples, deles tirando todo o proveito. São criativos e amam a natureza. O meu amor chega a casa - não tardou. Traz fruta para os pequenos e para nós ambos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É fresca, esta realidade. Sorrio para o simples que se me revela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-333666656641324834?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/333666656641324834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=333666656641324834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/333666656641324834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/333666656641324834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/07/possivelmente-natural.html' title='Possivelmente natural'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-893974881655429181</id><published>2010-07-13T20:32:00.000+01:00</published><updated>2010-07-13T20:56:22.697+01:00</updated><title type='text'>A história daquele dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fugi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faltei a laboratórios e teóricas obrigatórias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apanhei o primeiro comboio. O primeiro comboio que me havia de levar a Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fugi&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fugi porque é isso que quero para a minha vida. Ser clandestina da sociedade. Sou uma viajante. E uma romântica. Fui a Lisboa ter com ele. Que bem me faz? Para o curso, para os meus pais, para a minha vida, para tudo? Que mal me faz? Que consequências terá tudo isto? Em menos de nada, estarei a magoar alguém, os meus pais vão ficar desiludidos, vou-me magoar, não vou ter amigos, não vou ter família, vou cair no desemprego, a sociedade não me aceitará. Enfim. Que loucura. Não tenho o direito de tentar ir atrás dos meus sonhos? Uma vida estável não me seduz. Sou dos viajantes, dos clandestinos nos supermercados, no povo das estações de comboio. Eu sou nómada. "Conheces o nome que te deram. Não conheces o nome que tens."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-893974881655429181?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/893974881655429181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=893974881655429181' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/893974881655429181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/893974881655429181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/07/historia-daquele-dia.html' title='A história daquele dia'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1757775194310121276</id><published>2010-07-13T20:10:00.002+01:00</published><updated>2010-07-13T20:32:06.421+01:00</updated><title type='text'>Amor Suburbano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Grandiosas forças movem o mundo, fazem dias, fazem noites, fazem Sol da meia-noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Grandiosas forças dão vida à vida e somos todos essas forças. Somos tão complexos que não colapsamos. Oh!, Quão belo é o mundo, afinal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gloriosos somos, somos todos, mesmo os doentes, mesmo os vegetais, mesmo os que morrem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos gloriosos só por chegarmos aqui, só por fazermos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos tremendamente horríveis e obscenos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...] Confrontemos o mundo perante nós. Esta excelente colecção de horrores e ódios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como te amo e gostaria de estar outra vez contigo! Ah, mas não to digo, pois, não to digo, poderia estragar tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]Amo-te, amo-te e estou farta de me abster de amar. Que propósito tem esta vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]Amo-te de modos tão bizarros e intensos! Vê o fogo que me incendeia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amo-te de todos os modos bizarros, como roubar flores da bicicleta que passa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;És lindo. Adoro-te. És um pensador. Amo-te. És o todo. O meu todo. O meu tudo. Mais que o meu tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;És o meu mais que tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1757775194310121276?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1757775194310121276/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1757775194310121276' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1757775194310121276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1757775194310121276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/07/amor-suburbano.html' title='Amor Suburbano'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5148336879398756521</id><published>2010-07-13T19:42:00.001+01:00</published><updated>2010-07-13T19:42:42.381+01:00</updated><title type='text'>Carta de um novo dia.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Isto não é uma brincadeira. É uma luta que tenta chegar aos confins do mundo - aos confins da mente.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Não sei quem és. Não sei o teu nome, a tua cara, não sei o que fazes nem como és.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Não sei sequer se alguém lerá isto.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Mas arrisco. Pouco tenho a perder.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Espero que tenhas um pouco de loucura.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;É sempre bom, sempre essencial.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;E particularmente essencial.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Escrevo esta carta porque estou a morrer.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Não quero que tenhas pena de mim.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Vivi pouco, mas raros foram os arrependimentos. Vivi pouco, mas vivi uma vida cheia.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;E a morte, que agora me leva, é calma, plácida, pacífica. Não me traz dores - muito pelo contrário, sinto cada vez menos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Pouco tenho a perder - nada que não perca totalmente dentro de alguns dias.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Se há algo que me enche de melancolia é olhar à minha volta e ver milhões de infelizes que não conseguem pensar. Será que vim a este mundo viver como vivi, sem deixar alguma marca para o futuro? Serei o objectivo do Universo?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Decidi não levar estes pensamentos para o fundo da terra, comigo para o túmulo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Decidi-me a escrever-te, para quem quer que sejas. Quero contar-te tudo! E esperar conseguir abarcá-lo nesta carta.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Esta é a carta de um novo dia: um dia que provavelmente será teu, mas que de certeza não será meu.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Nota importante: as gravatas não servem para nada!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5148336879398756521?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5148336879398756521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5148336879398756521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5148336879398756521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5148336879398756521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/07/carta-de-um-novo-dia.html' title='Carta de um novo dia.'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7261834684594073224</id><published>2010-07-13T18:50:00.000+01:00</published><updated>2010-07-13T18:51:21.155+01:00</updated><title type='text'>Devaneios pelo meu mar doce de palavras.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Se eu fizesse colectânea de palavras lindas!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Casaria comigo mesma e o discurso seria de morte:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Nos estilhaços que deslizam sob suave ternura do embalar de páginas descritas em cadernos de contos de fadas, esmorece uma névoa que afaga quem estremece. Nas melodias harmoniosas, despedaçam-se tufos de musgo, cristalino do orvalho. As infâncias vêm em bibes descolorados, ao som de discos entorpecidos numa grafonola antiquada. No meio de bugigangas viajadas com bufarinheiros, cintila uma caixinha de âmbar pitoresca. Os meus olhos deleitam-se com tais arabescos, deliciosos, preciosidades, irresistíveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto a névoa me afoga em claridade amargurada e reluzente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O brilho dos teus olhos são vitrais."»&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7261834684594073224?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7261834684594073224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7261834684594073224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7261834684594073224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7261834684594073224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/07/devaneios-pelo-meu-mar-doce-de-palavras.html' title='Devaneios pelo meu mar doce de palavras.'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2831745925077670633</id><published>2010-06-21T15:13:00.001+01:00</published><updated>2010-06-21T15:13:34.031+01:00</updated><title type='text'>Noite e Alvorada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite esmorece num qualquer bar. É tarde. Já não há gargalhadas nem exaltos, apenas restos em cacos partidos, espalhados no chão. Esta é a hora em que os resistentes moem as dores de cabeça. Esta é a hora em que os poetas se afogam no desespero da existência e da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reencontro sombras nas esquinas, lamuriando-se, lembrando-me de quem sou. Estão aos cantos e espalhadas, perseguindo-me neste amanhecer. O céu é tremeluzente cor néon, como quem vai avariar a qualquer momento. Há um chio a dobradiças velhas e os gatos resmugam e rugem por um pedaço de sardinha. Tenho uma caneta e um papel na mão, mas o café ainda não abriu. É cedo, minha rica mãe!, é cedo e as silhuetas ainda são difusas e estas sombras confusas de becos escuros. É tudo oco, porque faz tudo eco, porque a noite vibra, agora não, agora não há ninguém. Nem mesmo o vagabundo sem abrigo e mal cheiroso. Nem os trabalhadores que se levantam com a alvorada. A esta hora, só há gatos nas tampas do lixo e milhentos ecos desinibidos vindos de lado nenhum. Neste silêncio, raia a manhã, agridoce, de brisa gelada, harmonia. Nem pássaros, nem cigarras, nada no meio das sombras. Anseio silenciosamente a manhã e as suas gentes. Quero, quero ver dia e mundo e não este medonho cenário. As nuvens passam a galope e o céu é branco. A cidade é negro contraste. Quero fugir daqui, mas não me atrevo, quero desaparecer, mas não posso, quero fechar os olhos a isto, mas não ver é saber ainda menos, é só escutar. Tenho medo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;16.o5.2o10&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2831745925077670633?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2831745925077670633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2831745925077670633' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2831745925077670633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2831745925077670633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/06/noite-e-alvorada.html' title='Noite e Alvorada'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6865797967960073659</id><published>2010-06-08T17:29:00.003+01:00</published><updated>2010-06-08T17:37:29.769+01:00</updated><title type='text'>Repetindo o repetido</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A chuva cai, calma,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As gotas despedaçam-se no chão,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;desfiguradas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O alegre conforto relaxante da chuva entra janela adentro e inunda-me em cheiros e sensações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero voltar às origens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero chorar infinitamente com a chuva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedaços de nuvens agarram-se às coisas normais do mundo. Mundânices urbanas, quaisquer coisas banais. Encharcam-se as árvores e os panos e o chão, as poças formam-se em formas disformes de salpicos. Os putos chapinham em gargalhadas de puro deleite, os mais crescidos repreendem-nos. Entro em crise de choro de depressão. Afinal, é à minha volta que tudo se desmorona, que tudo se desfaz. Agarro esses pedaços de réstias do que sobra, mas não é nada, mas que não é nada, entro em desespero e choro porque não tenho onde me agarrar! Não tenho a quem me agarrar... ela escapou-se-me em estilhaços por entre os dedos, caio de joelhos e não tenho vontade de fazer nada,  não tenho vontade de continuar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dão-me empurrões e abanões para acordar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me alegram, porém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não posso ser alegrada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6865797967960073659?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6865797967960073659/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6865797967960073659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6865797967960073659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6865797967960073659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/06/repetindo-o-repetido.html' title='Repetindo o repetido'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-8196067074061973524</id><published>2010-05-28T21:38:00.001+01:00</published><updated>2010-05-28T21:54:56.892+01:00</updated><title type='text'>Pelas Ruas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passo na rua pelas pessoas incógnitas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está a arrefecer, as almas vagueantes são cada vez menos, a claridade esmorece. Eu escuto música de me levar ao outro lado do mundo e olho o horizonte. O Sol está a pôr-se e as nuvens são lindas, fofas, grandiosas, coloridas em todos os tons, graciosas, acarinhando o astro solar nesta última despedida. Onde estou há um banco de jardim, virado de frente para a paisagem e a música sugere-me a sentar-me nele, mas no encosto, de onde vejo mais pedaço de horizonte, mais pedaço de céu. Eu hesito, porque não quero parecer louca, mas ponho os pés no banco e subo ao encosto. Vejo o pôr-do-sol e ouço a música de me levar ao outro lado do mundo. Este é o mais belo momento do meu dia. Mas não o deve ser, não pode ser, porque não está ninguém comigo, eu sou a única a aperciar a forma disforme das nuvens, a brisa calma e fresca acaricia-me apenas a mim, ninguém mais e eu saio dali, quem sou eu para aperciar só tão grande obra? É-me demais. E onde estão as pessoas a ver aquele pedaço de beleza? Estão em casa, no trabalho, nos seus afazeres, fazer a sopa, compôr a roupa, servir os clientes, fechar a loja. Para quê? Para continuarmos a viver, dia após dia, para podermos ver outro pôr do sol e outro mais ainda? Mas de que serve viver assim, se se privam de encadear pelo pôr do sol?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A luz de frente cega-me os olhos, ou talvez sejam as lágrimas, e eu saio dali, daquele banco, daquela rua, eu vou-me embora porque nada faz sentido, porque eu estou sozinha a ver o sol na despedida. Oh, quão triste é essa despedida, porque é única e não voltará, ninguém mais vai rever os recortes das nuvens ou o modo como os montes se preparavam para embalar o astro celeste em mais uma noite, só eu o vi e quem sou eu? Sou ninguém, um rodopio no meio de nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saio dali em choro e revejo esta terra visitada. As calçadas que piso já não são as mesmas, apesar de estar no mesmo lugar. A minha infância está morta, tão morta como as minhas ideias, como o meu pensamento, como o cheiro a café e torradas barradas de manteiga, como o sabor a pão com chocolate de avelã, como a voz dos velhos, como o embalar de estar ao colo, como a minha amiga, como o pôr do sol, está tudo morto, e eu não quero morrer, mas mais urgente, não quero viver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque me fizeram existir?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-8196067074061973524?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/8196067074061973524/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=8196067074061973524' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8196067074061973524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8196067074061973524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/05/passo-na-rua-pelas-pessoas-incognitas.html' title='Pelas Ruas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7401238872057668048</id><published>2010-05-03T18:39:00.002+01:00</published><updated>2010-05-03T18:44:21.604+01:00</updated><title type='text'>Sophia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como contar-te tudo o que me foste?&lt;br /&gt;Não me recordo do dia em que nos conhecemos ou sequer da primeira palavra que dissemos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem da última.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já foi há muito tempo. Porém, lembro-me daquelas horas mortas e aborrecidas para os outros, ocupadas com jogos à bola e macacas e cordas. E que a nós, as caladas e distantes, bastava olhar o céu, sentir o tempo passar. Lembro-te comigo, inventando um jogo sem precisarmos de trocar uma palavra, nenhuma de nós seguia a outra, íamos lado a lado, a não ser quando nos empoleirávamos na beira do passeio...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já foi há tanto tempo...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A escola e as pessoas sempre foram injustas para nós. Chamavam-nos tímidas, aproveitavam-se para nos empurrarem ao canto. Mas, dessa vez, eu tinha-te a ti, tu tinhas-me a mim. Criámos mil códigos e linguagens, tu tinhas tanto jeito para criar e eu para decifrar, de certo modo completávamo-nos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sempre foi assim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sophia, estrangeira, vinda lá das Américas...&lt;br /&gt;Lourinha, tão ao contrário de mim.&lt;br /&gt;E, porém, foi em ti e não nos meus compatriotas que achei uma alma gémea.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como contar-te tudo o que senti, desde sempre senti?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os anos passaram e ficámos eternidades sem nos vermos, sem trocarmos palavra. Mas esse tempo passou e quando voltei a estar contigo foi como se nada tivesse mudado.&lt;br /&gt;Oh, mas tu estavas diferente, é certo, e também eu. Mais crescidas, mais maduras. Contudo, a distância não havia conseguido fazer-nos mudar uma da outra.&lt;br /&gt;Todos os dias nos descobríamos, descobríamos que éramos mais parecidas do que alguma vez antes.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sophia... o teu nome é uma melodia cantada pelo vento... Sophiiiaa....&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma vez, roubaram-te, despedaçaram-te e desfiguraram a tua alma.&lt;br /&gt;Pudesse eu torturar o cabrão que te fez isso!&lt;br /&gt;Tu tentaste escondê-lo de mim, ocultaste as lágrimas com o cabelo, viravas as costas e só te voltavas quando conseguisses exibir um sorriso.&lt;br /&gt;Mas eu sabia, Joanna...&lt;br /&gt;Sabia mas fingia que não sabia, dizia-te disparates e tu rias às gargalhadas, éramos amigas como sempre e à noite, cada uma em sua casa, sufocávamos em choro.&lt;br /&gt;Um dia, o fado voltou a atirar os nossos destinos para longe. Deixaste a o lugar a meu lado na carteira, abandonámos a escola que havíamos partilhado.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estás tão longe, agora...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A saudade agride-me violentamente.&lt;br /&gt;Quero-te aqui, outra vez. Quero-te a meu lado...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Enquanto há vida, há esperança&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era de noite e chovia em torrentes.&lt;br /&gt;Ia no comboio de regresso a casa.&lt;br /&gt;O menino dos olhos verdes saiu de ao pé dos colegas e cumprimentou-me.&lt;br /&gt;Olhou-me e disse com cuidado que a minha melhor amiga se havia suicidado.&lt;br /&gt;E, se o meu mundo não acabou aí, não sei onde então. Já me não sinto viva, já não sinto nada, que esta pesada solidão.&lt;br /&gt;É tudo feio e melancólico, quero chorar e desistir.&lt;br /&gt;Fazer como tu, mas não posso. Tenho uma família, tenho de existir.&lt;br /&gt;Pergunto-me onde estás, mas sei que repousas em nenhum lado.&lt;br /&gt;No cemitério, ainda te falo, e às vezes esqueço que morreste.&lt;br /&gt;Quero voar contigo, borboleta, Joanninha&lt;br /&gt;Quero-te amiga, que tanto amei&lt;br /&gt;Sinto agora que estarei eternamente sozinha&lt;br /&gt;E não há comprimidos que apaguem o que passei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tenho tantas saudades!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7401238872057668048?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7401238872057668048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7401238872057668048' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7401238872057668048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7401238872057668048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/05/sophia.html' title='Sophia'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-9220808416095102867</id><published>2010-04-28T22:12:00.001+01:00</published><updated>2010-04-28T22:16:13.346+01:00</updated><title type='text'>Noites de Verão</title><content type='html'>O Sol pousa no poente, a luz estremece, o negro inunda-nos. A Lua nasce.&lt;br /&gt;Saio à rua, em manga curta e calções. Está quente mas não está calor. O ar envolve-me num abraço morno e a brisa esfria  todas as possibilidades de isto tudo ser demasiado insuportável.&lt;br /&gt;Saio à rua, em manga curta e calções. Está escuro, só se vêem estrelas, a Lua, raras nuvens. E casas pitorescas lá ao longe. Caminho com calma sobre a terra batida. Trago sandálias simples, quase como se fosse descalça.&lt;br /&gt;Ando um pouco, à luz da Lua. Cheira a pinheiros, mimosas e eucaliptos. Cheira a arvoredo e a serra. Cheira a terra quente. Quente como um abraço maternal.&lt;br /&gt;Ando um pouco, à luz da Lua. Os grilos cantam, suaves, compassados. As folhas do bosque estremecem com a brisa que as afaga, ouve-se o bater de galhos contra galhos, ouve-se o vento. Ouve-se, ao longe, a ribeira que cai em pequena queda de água.&lt;br /&gt;Ando um pouco, à luz da Lua. E depois corro. Deixo que o vente me penteie o cabelo, deixo que a morna brisa seja braços de um abraço, deixo que esta doce terra me seja a minha casa.&lt;br /&gt;Sinto-me em casa.&lt;br /&gt;Estou na terra de meus pais, em terra onde outrora se conheceram. Este chão murmura e grita as histórias de séculos passados e promete-me que estou em casa.&lt;br /&gt;Sigo carroças e imagino-os na sua mocidade. Nesta pequena aldeia que deveria ter sido a minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-9220808416095102867?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/9220808416095102867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=9220808416095102867' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/9220808416095102867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/9220808416095102867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/04/noites-de-verao.html' title='Noites de Verão'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4998216431770258043</id><published>2010-04-28T21:19:00.002+01:00</published><updated>2010-04-28T22:12:12.181+01:00</updated><title type='text'>Este ritmo que nos percorre, na praia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quero o prazer astuto de beijar o mar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero a liquidez de tais lábios, magoosos de tão salgados. Quero esbracejar, entrar na areia e encher-me nela, rebolar-mo-nos, movimentos bruscos e convergentes, eu contra ela, ela contra mim, rebolamo-nos, movimentos doces de esgares de prazer. Este ritmo não pára, são os tambores do pulsar da vida, os tambores do pulsar do coração, este ritmo não pára, eu nela, ela à minha volta, abraçando-me, e esquecemos quem somos, esquecemos o que somos, somos tudo o que sentimos e sentimos este ritmo cada vez mais forte, cada vez mais rápido, cada vez mais intenso. O mar, o mar enche-se de ciúme, inunda-nos no nosso abraço, agarra-nos, está no meio de nós, percorre-nos a espinha, cavalga-nos o corpo e, naquele exacto momento, estremecemos, estremecemos em frio, em fome, em prazer do que somos, em prazer de quem somos e neste momento somos o que sentimos.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Quero afligir-me nas tuas águas&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quero afogar-te em minhas mágoas&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quero afogar-te em mim&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;e roubar-te a respiração.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quero cravar-te nos meus braços.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4998216431770258043?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4998216431770258043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4998216431770258043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4998216431770258043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4998216431770258043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/04/este-ritmo-que-nos-percorre-na-praia.html' title='Este ritmo que nos percorre, na praia'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4224862105740747934</id><published>2010-04-23T22:34:00.002+01:00</published><updated>2010-04-23T23:00:35.038+01:00</updated><title type='text'>Nos verdes campos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era um dia nos verdes campos. Estávamos sós, estávamos calmos. Éramos, seriamos só nós. Enfim sós.E sós que fazíamos? Conjugávamos todos os presentes do indicativo de olhar. Olhávamo-nos profundamente e explorávamos todas as variações, cada degrau da graduação, um arco-íris de modos de ver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O campo é simples. É um céu, algumas nuvens, é uma clareira verdejante, algumas árvores. Sós estamos. No campo. Tu comigo, eu contigo - e sem querer estar mais além deste momento e deste lugar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tu moves-te com agilidade, uma certa destreza adquirida com o passar dos tempos corridos a pontapé. Eu vejo-te tão eficaz e por fim compreendo que tu és imaginário, és uma sombra de vapor que parte da minha própria cabeça e que se desfaz num gesto mais ousado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estás comprometido. E eu amo-te.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fecho os olhos e deixo as lágrimas correr.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes amar e não ser correspondido&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes chorar por não amar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que perder de um modo tão dramático o nosso amor, a nossa alma gémea.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adormeço na clareira, agora à beira rio. Quis contar-te algo, descrever-te a luz do sol que se espelha na água e brilha como se amanhã não houvesse, mas depois lembro que és imaginário. Amo-te e por isso te choro.Levanto-me e parto para casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para a nossa cabana, para a minha cabana. O meu abrigo provisório, sempre provisórias são as minhas casas. Nela olho para as paredes ocas, para as prateleiras vazias, para o espaço que sobra em excesso da tua ausência. Recordo uma vez mais que não existes. E que nunca te hei-de ver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A um canto, um colchão e um saco-cama. Uma almofada, uma boneca de pano. Uma lanterna, uma vela. Uma mochila meia aberta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda só pernoitei uma vez nesta casa, neste outro lar construído do nada. Quanto tempo serei capaz de ficar? Não me interessa - as minhas necessidades logo o hão-de ditar. Estou à mercê do momento, de cada momento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a cada momento sei que te amo e que ainda não te encontrei e que não posso estar contigo. Talvez nunca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comigo trago meia dúzia de livros. Os meus queridos companheiros de viagem. Três cadernos, duas canetas de tinta permanente, recargas. A história de uma amante da vida que sofreu toda a infância perdas tão duras quanto pôde aguentar. A história de duas viajantes solitárias que correm o mundo procurando melhorar as vidas às suas voltas com chocolate e toda a sua magia. A história destas duas viajantes que se tornaram quatro. A história dos adolescentes musicais. Ah, histórias! Depois, as minhas. Um diário, um de notas e um de histórias. Hoje e amanhã, tal como ontem, continuo a ser o que escrevo e é na escrita que continuo a revelar-me verdadeira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afinados seguem comigo vozes de cantares. "Perde a estrela d'alva o seu fulgor", canta Zeca Afonso, em doces acordes, embalando algum menino, ou menina como eu. Pequena, adormeço, após fechar os olhos. A Lua entra pelas frestas do telhado. Quis amar-te tanto e quis tanto estar sozinha que agora essa é a dor que mais me angustia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já nem o ter de andar nómada me causa transtorno - não, é mesmo para isto que nasci - é a tua ausência eterna, o vazio da tua não presença que nunca existiu. Quero-te algures comigo, para provares o café matinal que exala da cafeteira improvisada, para saboreares o chá da noite, o calor que conforta por dentro e prepara já o corpo para repousar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Querido, querido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinto-te tanto a tua falta, nesta casa, cada canto tem menos vivacidade por tu não estares comigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Liberta-te das tuas inexistências e impossibilidades e vem sentar-te comigo, vamos os dois ver cometas à nova Lua.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4224862105740747934?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4224862105740747934/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4224862105740747934' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4224862105740747934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4224862105740747934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/04/nos-verdes-campos.html' title='Nos verdes campos'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-3860822693059280769</id><published>2010-04-06T20:22:00.001+01:00</published><updated>2010-04-06T20:22:19.956+01:00</updated><title type='text'>Natural</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo pequenas estátuas douradas feitas de trigo. O pão é o nosso ouro. O nosso dinheiro, a nossa vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tudo o que temos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo um imenso azulejo de lápis-lazuli. O céu é o nosso azul.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fogo os nossos ruis, a verdura as nossas esmeraldas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A água cristalina são os nossos diamantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A névoa é um véu de prata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quê procurar pelos recantos e profundezas do mundo se a riqueza abunda à superfície?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pequeno lince fita-me com cautela. Estendo-lhe a mão e imobilizo-me. Espero. Ele avança com pequenos passos e atreve-se a aproximar o focinho. Fecho os olhos e reabro um pouco apenas. Mal respiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atrás de mim, um ramo é partido por um coelhinho e esse som basta para o felino virar-se e fugir de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O meu verdadeiro tesouro era ser capaz de acariciá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-3860822693059280769?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/3860822693059280769/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=3860822693059280769' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3860822693059280769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3860822693059280769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/04/natural.html' title='Natural'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4244031777522992634</id><published>2010-03-23T22:46:00.002Z</published><updated>2010-03-23T22:49:40.674Z</updated><title type='text'>Expectativas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém te pede para seres escritora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedem-te estudo das matemáticas, das físicas, dos circuitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedem que te apliques no teu ofício de estudante da Engenharia Biomédica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedem-te para fazeres relatórios, ninguém te pede para escrever.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedem-te que fales com os colegas, pedem que tenhas atenção, pedem que poupes dinheiro, mas ninguém te pede a dedicação que ofereces à escrita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém te pede para seres escritora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é escritora o que tu queres ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4244031777522992634?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4244031777522992634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4244031777522992634' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4244031777522992634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4244031777522992634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/03/expectativas.html' title='Expectativas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-3892453399004123308</id><published>2010-03-08T21:20:00.001Z</published><updated>2010-03-08T21:20:27.432Z</updated><title type='text'>Pequeno excerto dos Renegados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parou dois segundos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela era a má da fita, a que todos odiavam, a que só fazia mal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ela gostava tanto de magoar os outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentou-se ao pé do sem-abrigo, ao lado de quem ninguém se sentava. Ele estava sujo e era louco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Ora, estou farta disto" pensou. E, pensado isto, beijou-o.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sem-abrigo-louco tornou-se invisível,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas ela não o largou, "não te atrevas a fugir-me"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;porque tu és a única pessoa, percebes? és o único, nós os dois somos rejeitados por todos, não fujas agora, não me escapes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E continuaram num beijo profundo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ele deixou-se rolar pelo telhado e caiu e morreu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora era ela e o rapaz morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rapaz morto, rapaz morto, estás aí?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queres falar comigo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero sim, rapaz morto. Eu não compreendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É porque nada há para compreender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também o suspeitava. Então, então, que faço?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada. Tudo. Alguma coisa. Vai dar ao mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rapaz morto. Diz-me, por que não sinto felicidade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque não existe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu beijei-te e só senti vazio, porquê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque não há nada para sentir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu queria sentir algo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só há desespero e vazio e sonhos inalcançáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque, quando se tornarem atingíveis, rapaz morto...?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, deixam de ser sonho e tornam-se vazio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o vazio desespero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já sabes tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei tudo o que há para saber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabes que estou morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que estás morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabes que gostarias de me amar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde que tu me amasses também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se isso acontecesse&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seriamos infelizes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estás morto, rapaz-morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais morto não poderia estar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Odeio-te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estás apaixonada por mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que estou. Não percebes que te odeio?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Compreendo-te. Amo-te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso é mentira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois é.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-3892453399004123308?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/3892453399004123308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=3892453399004123308' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3892453399004123308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3892453399004123308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/03/pequeno-excerto-dos-renegados.html' title='Pequeno excerto dos Renegados'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5974225235221457803</id><published>2010-03-01T21:33:00.001Z</published><updated>2010-03-01T21:34:29.426Z</updated><title type='text'>Outra vez para ti</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei que prometi não postar mais acerca dela, mas é o que me ocupa eternamente os pensamentos. Desculpem esta pobre alma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela morreu-se-me e eu fiquei sozinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela morreu-se-me e eu desamparada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se tenho família e amigos e alegria, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem ela só me sinto mais sozinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos meus sonhos regressas, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caminhamos noutra praia, de mão dada, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorrindo, as duas, sem pressas, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se a caminhada não fosse acabar &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a caminhada acaba sempre, Joanna &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordo do sonho e tu não estás, Sophia &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim deixaste-me esta nova Adriana, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sozinha, oca, distante, fria... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E não consigo parar de pensar em ti &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E não consigo para de te escrever &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele dia acho que também morri &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Joanninha, sem ti, o que me vai acontecer? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que é que me vou fazer? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como vou sobreviver? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que hei-de viver?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5974225235221457803?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5974225235221457803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5974225235221457803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5974225235221457803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5974225235221457803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/03/outra-vez-para-ti.html' title='Outra vez para ti'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2004589965725904966</id><published>2010-02-26T03:47:00.000Z</published><updated>2010-02-26T03:48:45.324Z</updated><title type='text'>Nem sei qual deveria ser o título</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez um mundo onde as pessoas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta que até poderia ser uma boa ideia e que me poderia levar a algum lado interessante, mais para um que para outros, mas agora não estou com disposição para falar sobre isso. Porque, afinal, eu não sei nada da vida, ou tão pouco que pode encaixar numa qualquer metáfora ou hipérbole, comparativas e diminutivas, ou seja, sei coisa nenhuma da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, porque, afinal, a vida é feita também de sacrifícios e somos todos mártires e eu não quero perceber isso porque tenho preguiça e não gosto de. E porque os tenho de fazer, porque todos temos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu gostava de ter era alguma vontade de viver, era algum objectivo neste mundo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era dançar à chuva sem ser olhada de lado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era dançar à chuva e parecer linda, artística e alegre, como parecem nos filmes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era dançar e parecer louca, mas a loucura ser algo bom, porque, afinal,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era acabar o que começo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E era não dançar sozinha, não quero invejas, só quero dançar à chuva e à Lua, à luz da Lua e à sombra da Lua, sem que ninguém me aborreça com olhares ou risadas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu adorava era não estar tudo categorizado e mandado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostava que não fossemos autómatos a responder às normas sociais,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostava que fossemos todos loucos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;LOUCOS&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;LOUCOS!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas tristes são estes dias, tenho de ver tudo com a minha calma, perfeitamente serena, estranhamente compreensiva. Tenho de estar no meu lugar e fazer como me mandam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então vamos todos acorrer ao masoquismo que, no fundo, esses sacrifícios que nos clamam são puramente egoístas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faria um sacrifício por alguém que precisasse de um?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faria?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sou tão egoísta e mimada, tal como esperam de uma filha única como eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sou tão obediente e bem comportada e nunca passo os limites e nunca falo demasiado, aliás, nunca falo,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu nunca&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu nunca&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nunca tenho os pensamentos que era suposto ter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podem fazer de mim a vossa marioneta, mas nunca deixarei de ser a minha alma e a minha consciência e isso nunca saberão domar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A menos que consigam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse caso, pobre, triste de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estarei vazia da personalidade que foi e tudo o que fizer vai ser falso, não fingido, falso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pobre eu que perdi uma amiga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Precisava tanto de ti, agora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2004589965725904966?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2004589965725904966/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2004589965725904966' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2004589965725904966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2004589965725904966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/nem-sei-qual-deveria-ser-o-titulo.html' title='Nem sei qual deveria ser o título'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7103136976293431021</id><published>2010-02-21T20:22:00.001Z</published><updated>2010-02-21T20:23:51.286Z</updated><title type='text'>Poço dos desejos</title><content type='html'>&lt;div&gt; As histórias que vamos ouvindo que já há muito se passaram&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São histórias não nossas que contaram aos avós dos nossos avós&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que nunca souberam quem somos nós&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque longínquos que tão longínquos que nós estávamos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A nós nos perguntam, porém, as nossas histórias&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ser velho mal ajuda a conhecer,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque descobridores são as gerações que vêm&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que amam aqueles que andam&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que nadam pelo gelo e nada e puro e céu triste&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E oh, que triste,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que tristeza deslumbrante a do fogo do nada,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do fogo gelado e cristalino,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Das pétalas que caem constantemente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No fundo do poço&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Espreito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Espreito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Empoleirada,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como se tivesse cinco anos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E grito para o fundo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do fundo da minha alma&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-JÁ VOU TER CONTIGO!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do fundo da minha alma,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Grito para o fundo do poço,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-ESPERA POR MIM!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E do fundo da alma,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deixo-me atrair para o fundo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou a cair,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou caindo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou no fundo do poço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7103136976293431021?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7103136976293431021/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7103136976293431021' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7103136976293431021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7103136976293431021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/poco-dos-desejos_21.html' title='Poço dos desejos'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5209581572389880125</id><published>2010-02-18T15:46:00.000Z</published><updated>2010-02-18T15:47:59.163Z</updated><title type='text'>Trecho do Suicídio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrever e escrever sobre a escrita e sobre o escrito, quão redundante é, mas é o que sobra. Assim passo dias e dias, assim o meu tempo se passa, porque nada nele faz sentido. Vivo a vida apenas para morrer, pouco importa o que faça ou diga ou sequer escreva, pouco importa tudo, porque no fim irei morrer e no fim nada há-de importar. Viver a vida até ao fim, esperar pela morte, é penoso, como atravessar uma febre ou um deserto ao sol. O pior, é que me impõem este sofrimento, não me deixam morrer já. Pouco me importa o que dizem, porém, não poderia ignorar o sofrimento da minha família. É a consequência desta idade e destes tempos modernos, em que as pessoas demoram ainda mais a morrer, curam-lhes tudo. Em suma, tenho uma família viva que desesperava se eu morresse. Ignorá-los é uma opção, mas como posso tapar os ouvidos aos soluços da meia-noite, como encolher os ombros às lágrimas incessantes de pais sem filhos? Não consigo e com eles vivendo lá me vou conformando com a minha triste sorte, esperando a vez deles para depois provocar a minha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há quem diga que é preciso estar muito à beira do desespero ou não ter amor à vida. Posso desmenti-lo já: amo a vida e não desespero assim tanto, simplesmente vejo que não há nada que se possa somar a tudo, o fim será sempre o mesmo, as alegrias passam rapidamente, a dor mantém-se constante ao longo do tempo, a alegria é cada vez menos, a dor cada vez maior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu for o sentido da vida dos meus pais, que eles mal conseguissem continuar sem mim, só significava que até a vida deles já não tinha o sentido deles. Continuar a viver a partir da existência de alguém que deixamos só revela o quão pouco estamos preparados. A morte está sempre à espreita e é real e é quando menos se espera que atinge. Por isso a espero de braços abertos, sabendo que poderia continuar a viver mesmo depois de todos terem morrido, se quisesse viver. Assim, como não quero, é a morte dos outros que espero. Se ela me apanhar primeiro, será por acidente e a única coisa que posso esperar é ter a noção de que a minha hora está a chegar, para poder saborear a doce certeza de que a minha existência há-de cessar por completo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também se diz que é estupidez. O que eu acho é que é a decisão consciente mais importante da vida de alguém, achar se viver vale ou não a pena, para que se possa construir tudo a partir disso. O que eu acho é que a nossa vida deveria ser só nossa e que ninguém deveria interferir na decisão de decidir continuar ou não vivo. Tanto pior, os preconceitos não deveriam ser transmitidos com tanta facilidade por gerações. E nunca, nunca, o suicídio de uma rapariga de quase 18 anos deveria suscitar mais choque e falatório que a violação de uma rapariga de 16.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só mostra o quanto as mentes das pessoas são fechadas e tamanha que é a preguiça de pensar por si mesmo. Demonstra a decadência deste povo. Pobres de nós se alguma vez se pudesse proibir o suicídio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5209581572389880125?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5209581572389880125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5209581572389880125' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5209581572389880125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5209581572389880125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/trecho-do-suicidio.html' title='Trecho do Suicídio'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2629723055372033361</id><published>2010-02-18T14:10:00.002Z</published><updated>2010-02-18T14:13:46.470Z</updated><title type='text'>Delovina</title><content type='html'>Eu sei que vocês ainda não sabem quem é a Delovina, mas se tudo correr bem, não vai faltar muito para que a conheçam.&lt;div&gt;Esta é a música que  lhe dediquei ;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tocada e composta por mim, ao piano, ainda não é a versão definitiva.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(O desenho também é meu :p)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-382a3ac19cadaf41" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" 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Semana que vem, não serei mais pessoa e, então, serei a pessoa mais feliz que alguma vez em tempo algum existiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Tem a certeza, senhor doutor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Eu lamento imenso, é irremediável e irreversível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Magico em tudo o que posso fazer. Matar-me já é uma tentação bastante grande, avizinha-se como um sonho antigo espreitando e fazendo-me as delícias. Mas não devo morrer já. Esta morte não é minha, ainda. A data do nosso casamento já está marcada, o dia em que te vou aprisionar-te em meus braços e beijar-te docemente, triste, amiga morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia matar-me já, sim, podia, abreviar o tempo de espera, mas este tortuoso mundo também reserva estranhas condições. Com uma semana apenas, parece que a criatividade excede os limites do possível, do que antes era possível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saio do meu triste apartamento com um sorriso na face, com o sorriso de quem sabe que vai morrer em breve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Sol refugiado atrás das nuvens brilha com muito mais intensidade e hoje é apenas meu. Comigo levo pouca coisa. A carteira, a caneta e o bloco de notas. Corro para o autocarro que me há-de levar à estação. Caminho sobre os carris do caminho de ferro com o equilíbrio de outros dias. À minha volta, as pessoas preocupam-se e deixam a urgência tomar conta dos seus rostos, as caras ficam deformadas e eu rio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A triste sorte seria somente o não poder fazer nada, estar impedida pelo meu corpo de ir a lado algum e ainda assim se poderia fazer algo, escrever e viajar na mente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, felizmente, tenho esta porção de tempo e vou fugir com ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui, além, mais além, que importa, esta semana é minha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saio no comboio rumo a uma cidade por conhecer. Telefonei-lhe de casa, ele deve estar à minha espera. À minha espera. Vejo a paisagem e absorvo-lhe cada traço, apesar de ir tão depressa. Já vi tudo isto noutros lugares, quase com a mesma forma, mas nunca perde o brilho, o esplendor e a essência de ser. Adoro ver a paisagem, nesta viagem particularmente, nesta viagem sabe bem, porque eu vou para parte incerta, vou para o desconhecido fazer tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho uma semana, tenho tudo. Tenho corpo ainda com forças, tenho tudo. Tenho companhia, tenho tudo. Tenho dinheiro como mo exigem estes tempos modernos, tenho tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se desço do comboio ou voo ainda pela janela, não sei. Acho que voo. Ele está à minha espera, corremos num abraço apertado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho uma semana, tenho companhia, tenho o mundo, tenho tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apanhamos um táxi porque estou farta de autocarros e de esperar e de parar em todo o lado. O meu tempo é todo mas todo não é assim tanto para quem tem uma semana. Vamos para o aeroporto, o grande centro dos aviões, não há tempo a perder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A planar, sobre as nuvens, nós seguimos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-WEEEEEEEE, fazem os meus braços, imitando o movimento de um avião exagerado, sou criança de novo, criança que vai atrás de paisagens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela terra nova, estrangeira, está coberta de frio e de gelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1762624943435496911?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1762624943435496911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1762624943435496911' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1762624943435496911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1762624943435496911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/boas-mortes.html' title='Boas Mortes'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4736328639936657983</id><published>2010-02-16T19:00:00.001Z</published><updated>2010-02-18T12:04:18.652Z</updated><title type='text'>Palavrão Negro da Loucura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apetece-me dizer um palavrão, daqueles altos que se diz chocar muita gente, daqueles bem cá do fundo porque estou farta de existir calada. Apetece-me gritar a podridão e decadência, a dor de cabeça e as larvas entranhadas, e as feridas não saradas e as merdas que as lágrimas não lavam. Por isto tudo quero dizer que nada que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;coise&lt;/span&gt;, fogo, estou farta, bem farta, vou dizê-lo, vou gritá-lo, bem alto para que todos me ouçam,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;BIZARRO!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou repeti-lo para o caso de não me terem ouvido,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;BIZARRO!!!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;treta&lt;/span&gt; de vida e de emoções e de instintos, perfeitamente parvos e caquécticos, decadentes, cadavéricos. Que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;inconstistência&lt;/span&gt; do ser que me obrigam a ser, odeio-vos profunda e eternamente e convosco podem bem levar as vossas regras, normas, leis e morais, eu quero que vós todos se&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;BIZARREM&lt;/span&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque estou farta, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;fartíssima&lt;/span&gt; do comum, desnaturado comum, não mais vos posso suportar, dor de cabeça tremenda, odeio-vos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;genuinamente&lt;/span&gt;,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;BIZARREM&lt;/span&gt;-SE!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sou BIZARRA e com tanto orgulho de não vos parecer bem, eu sou um ser tentando erguer-se dos escombros a que nos conduziram, tento fugir da prisão onde nos aprisionaram, tento &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;metaformear&lt;/span&gt;-me das literais mentiras que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;constroem&lt;/span&gt; e nos fazem engolir e assim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;BIZARRA&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim BIZARRA não há ninguém que possa fazer frente nem regras nem lavagens cerebrais, porque nada faz sentido, porque tudo é&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;BIZARRO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso façam-me um favor e&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;BIZARREM&lt;/span&gt;-SE!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4736328639936657983?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4736328639936657983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4736328639936657983' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4736328639936657983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4736328639936657983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/palavrao-negro-da-loucura.html' title='Palavrão Negro da Loucura'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5267818458906984271</id><published>2010-02-14T18:25:00.001Z</published><updated>2010-02-14T18:25:30.063Z</updated><title type='text'>Oh, poor girl</title><content type='html'>(Sorry about the bad english)&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Stupid, silly girl&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Why do you keep doing this to you?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You know that it will be worse anyway&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Why do you insist playing this game?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Stupid, silly girl&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Stupid, in love girl&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You love nobody, I can tell you&lt;/div&gt;&lt;div&gt;That is true&lt;/div&gt;&lt;div&gt;But you don't hear a word&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You just want to love&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You just, you just.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You think you need it, maybe,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Yes, maybe you need it.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;But who would ever love you?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You are a good girl, good friend, good sister.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;But love you? I'm sorry, it can't happen.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You're just not that one.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You were made to live alone&lt;/div&gt;&lt;div&gt;And now your learning&lt;/div&gt;&lt;div&gt;What happens&lt;/div&gt;&lt;div&gt;When we do things&lt;/div&gt;&lt;div&gt;We were not&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Supposed to.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Girl, your like dead inside&lt;/div&gt;&lt;div&gt;You play dead&lt;/div&gt;&lt;div&gt;While you play some music&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Your soul is dead, isn't&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Like you feel?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5267818458906984271?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5267818458906984271/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5267818458906984271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5267818458906984271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5267818458906984271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/oh-poor-girl.html' title='Oh, poor girl'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6303824759147926843</id><published>2010-02-13T22:34:00.000Z</published><updated>2010-02-13T22:36:52.699Z</updated><title type='text'>À procura de concentração</title><content type='html'>estou à procura de concentracção&lt;br /&gt;e de um tema&lt;br /&gt;basta uma frase&lt;br /&gt;basta a primeira&lt;br /&gt;para aparecer tudo&lt;br /&gt;como uma torneira mal fechada&lt;br /&gt;que não quer parar&lt;br /&gt;e por vezes&lt;br /&gt;por coisas simples&lt;br /&gt;um mero pensamento&lt;br /&gt;um erro, riscar, voltar atrás&lt;br /&gt;e essa torneira já fechou sem vermos&lt;br /&gt;e queremos voltar mas já não dá&lt;br /&gt;forçamos, mas está enferrujada&lt;br /&gt;e a isso ainda não se chama bloqueio&lt;br /&gt;deve ser perder o fio à meada&lt;br /&gt;bloqueio é mil vezes pior&lt;br /&gt;é sentires-te numa bola enorme e oca e tudo está longe&lt;br /&gt;és só tu e o vazio&lt;br /&gt;e a folha branca, em vez de promessas&lt;br /&gt;das promessas que normalmente te traz&lt;br /&gt;a folha branca é uma sentença de morte&lt;br /&gt;morte do escritor&lt;br /&gt;folha branca, condenada a ser branca para a eternidade&lt;br /&gt;e tu chegas com a caneta e a caneta foge-te, tu dás voltas à cabeça, mas os pensamentos páram&lt;br /&gt;tu fazes um movimento automático de levar a caneta à folha&lt;br /&gt;e a folha parece troçar de ti...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6303824759147926843?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6303824759147926843/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6303824759147926843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6303824759147926843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6303824759147926843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/procura-de-concentracao.html' title='À procura de concentração'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7843948081211266969</id><published>2010-02-13T21:57:00.001Z</published><updated>2010-02-13T21:57:46.416Z</updated><title type='text'>To you, my love</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Espero estar viva quando chegares. Estou à tua espera à tanto tempo... Eu jurei que ia esperar por ti. Talvez por te ter abandonado sem dizer nada, uma palavra que fosse. Eu tinha medo porque não sabia nada. Nada sabia e agora sei muito. Sei o bastante. O bastante para não ter medo de dizer, amo-te. Espero estar viva quando chegares. Porque viver entristece-me e julgo que não vou continuar assim muito mais. Acho que não vou aguentar muito mais. E seria tão triste se chegasses à minha beira demasiado tarde. Tão enternecedoramente triste, porque nunca vi um rapaz a chorar. Seria tão triste não te poder ouvir a pedires desculpa por teres chegado tarde de mais. Não, tu nunca saberás quem eu sou. Isto sou eu que me iludo na ilusão de que um dia tu e eu pudessemos partilhar alguma coisa. Mas quem eu sou mal eu sei e tu também não queres saber, apenas finges que sim, enquanto viras a cara para o lado para ver que mais linda menina e muito mais interessante aí vem, uma menina que sabe como se vestir e como se comportar, tão ao contrário de mim. E assim fui embora porque não nos suporto mais. Amo-te mais que devia. Amo-te, por que hei-de amar-te? Adeus. Vou só espreitar pela janela para ver se lá vens. Não, a janela só está cheia da minha respiração, naquele embaciado escrevo uma última palavra que ninguém compreenderá, uma palavra que não faz sentido, estranha e bizarra, essa palavra está lá e é só uma e diz quem eu sou, quem eu sou numa palavra. Tu não vens, não estarei viva quando chegares porque me resta pouco tempo, porque eu já só sou uma sombra. Mas amo-te. Até que a morte, bendita amiga, me separe de este corpo, trapo, tão cheio de emoções e de sensações. Até lá, amo-te, mesmo que não chegues. E a palavra ficou gravada na janela, está lá se a quiseres ver, se me quiseres ver. Até sempre, que esse nunca chegará. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7843948081211266969?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7843948081211266969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7843948081211266969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7843948081211266969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7843948081211266969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/to-you-my-love.html' title='To you, my love'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-276256571488504418</id><published>2010-02-05T23:17:00.001Z</published><updated>2010-02-05T23:17:29.896Z</updated><title type='text'>Pseudo-livro</title><content type='html'>Por mim. Aqui: &lt;a href="http://aleatorionaoexiste.blogs.sapo.pt/1449.html"&gt;http://aleatorionaoexiste.blogs.sapo.pt/1449.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-276256571488504418?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/276256571488504418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=276256571488504418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/276256571488504418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/276256571488504418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/02/pseudo-livro.html' title='Pseudo-livro'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2473841142236888739</id><published>2010-01-26T23:07:00.001Z</published><updated>2010-01-26T23:07:43.534Z</updated><title type='text'>Não quero Falecer.</title><content type='html'>&lt;div&gt;Façamos falecer as cores pálidas e bizarras deste mundo. E todas as mentes que não nós, que nos aprisionam. Falecer é a palavra mais feia que já ouvi dizer, é seca e áspera, parece dita pelo próprio falecido que pelos vivos. É daquelas palavras que deveriam ser abolidas do nosso vocabulário por se demonstrarem tão abomináveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que divagações são estas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São as de quem nada espera a não ser a morte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não a morte, a desexistência, existir farta. É um fardo. Odeio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;como me apetece acabar com tudo isto e escrever do modo que prefira, para não ter mais de olhar para nada, disto estou farta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;AAAAAARGH!!!!!!!!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pouico falta pois a isto para ser uma especie de piano, mas eu tenho dcada vex menos parciencia para corricir o que estcrevo ou dfe ohlar para o telclado, volas, venoho maisl que vvafazerm,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fim da narrATGICVA&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2473841142236888739?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2473841142236888739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2473841142236888739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2473841142236888739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2473841142236888739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/01/nao-quero-falecer.html' title='Não quero Falecer.'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6396762507543547200</id><published>2010-01-26T10:52:00.000Z</published><updated>2010-01-26T10:53:01.909Z</updated><title type='text'>Teoria das Caixas</title><content type='html'>&lt;div&gt;Depois do choro,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois da tristeza,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois do desespero,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois da angústia,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois da raiva,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há o tudo, há nada,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vontade não existe,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apenas este peso de existir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encolho os ombros,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encolho-me.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abraço-me num canto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se um dia o universo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fora uma caixa negra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encaixotada numa branca,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encaixotada noutra negra,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encaixotada noutra branca&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim pela eternidade,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em caixas cada vez maiores,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje sou eu que me escondo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro de caixas cada vez mais pequenas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro da caixa do mundo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro da caixa do país,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro da caixa da minha terra,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro da caixa dos amigos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro da caixa da casa,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro da caixa da família,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentro da caixa do meu quarto,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até, por fim, na caixa só minha,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fechada a fita-cola,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De onde não saia,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ninguém me aborreça,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não veja o que está lá fora,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tenha de sentir nem de pensar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aguentando o fardo da existência&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tão mal-vinda, tão maldita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sempre é melhor viver numa caixa,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apenas comigo e com o pouco ar que respiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não há pais, opiniões,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Falsas pessoas, preocupações,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não há medicamentos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Psicólogos ou psiquiatras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, na verdade,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que diferença faz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Viver numa caixa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou a vida que nos atiram,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não será também ela&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma espécie de caixa?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6396762507543547200?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6396762507543547200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6396762507543547200' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6396762507543547200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6396762507543547200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/01/teoria-das-caixas.html' title='Teoria das Caixas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-8553024774726986431</id><published>2010-01-18T10:49:00.001Z</published><updated>2010-01-18T10:53:05.894Z</updated><title type='text'>Desespero para toda a vida, malditas decisões definitivas...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um assunto urgente que me deixou paralisada. A suspirar... Ora bolas! Quem me mandou atrever-me a desejar o impossível? Eu própria, e agrada-me a minha mente aberta, mas deixo-me entristecer e volto para casa, tocar piano.&lt;br /&gt;E penso naquilo que terei de escolher, a decisão já tão próxima, sabendo que vou errar, quer dizer, nem sei se vou saber conseguir. Para onde quero ir? Agora? Arquitectura. Ontem? Antropologia. Amanhã? Quem saberá?&lt;br /&gt;Por isso toco acordes mais alto, porque só gosto do que não tem saída.&lt;br /&gt;Já é muito tarde para ginástica, não sou suficientemente boa para música, a ciência está descuidada, a escrita caminha ao esquecimento, a psicologia está longe.&lt;br /&gt;O futuro que desapareça com o futuro! Quero é ir para Paris, trabalhar num café em Montmartre, como soube desde que li The Lollipop Shoes, como confirmei quando lá estive e como assegurei quando vi Amélie.&lt;br /&gt;Não quero mais que isso, por que não percebem? Nem que tenha de pedir esmola a tocar violino.&lt;br /&gt;21.04.2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-8553024774726986431?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/8553024774726986431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=8553024774726986431' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8553024774726986431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8553024774726986431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/01/desespero-para-toda-vida-malditas.html' title='Desespero para toda a vida, malditas decisões definitivas...'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5788380128677716229</id><published>2010-01-15T23:23:00.002Z</published><updated>2010-01-15T23:29:08.489Z</updated><title type='text'>Afinal não sou - Bernardo Soares</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   style="  color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; font-family:verdana, palatino, georgia, arial, sans-serif;font-size:14px;"&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); "&gt;De repente, como se um destino médico me houvesse operado de uma cegueira antiga com grandes resultados súbitos, ergo a cabeça, da minha vida anónima, para o conhecimento claro de como existo. E vejo que tudo quanto tenho feito, tudo quanto tenho pensado, tudo quanto tenho sido, é uma espécie de engano e de loucura. Maravilho-me do que consegui não ver. Estranho quanto fui e que vejo que afinal não sou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olho, como numa extensão ao sol que rompe nuvens, a minha vida passada; e noto, com um pasmo metafísico, como todos os meus gestos mais certos, as minhas ideias mais claras, e os meus propósitos mais lógicos, não foram, afinal, mais que bebedeira nata, loucura natural, grande desconhecimento. Nem sequer representei. Representaram-me. Fui, não o actor, mas os gestos dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo quanto tenho feito, pensado, sido, é uma soma de subordinações, ou a um ente falso que julguei meu, por que agi dele para fora, ou de um peso de circunstâncias que supus ser o ar que respirava. Sou, neste momento de ver, um solitário súbito, que se reconhece desterrado onde se encontrou sempre cidadão. No mais íntimo do que pensei não fui eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vem-me, então, um terror sarcástico da vida, um desalento que passa os limites da minha individualidade consciente. Sei que fui erro e descaminho, que nunca vivi, que existi somente porque enchi tempo com consciência e pensamento. E a minha sensação de mim é a de&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quem acorda depois de um sono cheio de sonhos reais, ou a de quem é liberto, por um terramoto, da luz pouca do cárcere a que se habituara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pesa-me, realmente me pesa, como uma condenação a conhecer, esta noção repentina da minha individualidade verdadeira, dessa que andou sempre viajando sonolentamente entre o que sente e o que vê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tão difícil descrever o que se sente quando se sente que realmente se existe, e que a alma é uma entidade real, que não sei quais são as palavras humanas com que possa defini-lo. Não sei se estou com febre, como sinto, se deixei de ter a febre de ser dormidor da vida. Sim, repito, sou como um viajante que de repente se encontre numa vila estranha sem saber como ali chegou; e ocorrem-me esses casos dos que perdem a memória, e são outros durante muito tempo. Fui outro durante muito tempo - desde a nascença e a consciência -, e acordo agora no meio da ponte, debruçado sobre o rio, e sabendo que existo mais firmemente do que fui até aqui. Mas a cidade é-me incógnita, as ruas novas, e o mal sem cura. Espero, pois, debruçado sobre a ponte, que me passe a verdade, e eu me restabeleça nulo e fictício, inteligente e natural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi um momento, e já passou. Já vejo os móveis que me cercam, os desenhos do papel velho das paredes, o sol pelas vidraças poeirentas. Vi a verdade um momento. Fui um momento, com consciência, o que os grandes homens são com a vida. Recordo-Ihes os actos e as palavras, e não sei se não foram também tentados vencedoramente pelo Demónio da Realidade. Não saber de si é viver. Saber mal de si é pensar. Saber de si, de repente, como neste momento lustral, é ter subitamente a noção da mónada íntima, da palavra mágica da alma. Mas essa luz súbita cresta tudo, consume tudo. Deixa-nos nus até de nós.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="background-color: rgb(255, 255, 102); "&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b style="background-color: rgb(255, 255, 102); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000000;"&gt;Foi só um momento, e vi-me. Depois já não sei sequer dizer o que fui&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000000;"&gt;. E, por fim, tenho sono, porque, não sei porquê, acho que o sentido é dormir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;sup&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000000;"&gt;in Livro do Desassossego, Bernardo Soares&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5788380128677716229?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5788380128677716229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5788380128677716229' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5788380128677716229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5788380128677716229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/01/afinal-nao-sou-bernardo-soares.html' title='Afinal não sou - Bernardo Soares'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1837454716714131665</id><published>2010-01-12T00:16:00.006Z</published><updated>2010-02-27T00:42:11.804Z</updated><title type='text'>Conto do Pequeno Pianista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez um menino de 11 anos que passava o tempo livre a tocar piano. Já o fazia desde muito pequeno e aprendera quase tudo por ouvido. Todas as pessoas que o ouviam elogiavam-no profundamente, todas excepto o pai, que voltava costas a resmungar:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Em primeiro os estudos, primeiro, os estudos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era daquele tipo de pessoas que se aborrece facilmente em museus e que na rádio só ouve notícias. Para ele, o filho podia ser mesmo o mais conceituado músico a nível mundial, nunca aceitaria tal como profissão respeitável. Contudo, o pequeno amante da música era o melhor aluno da classe, pelo que o pai nada mais podia fazer que não consentir que ele passasse horas a fio brincando com as teclas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mãe, por outro lado, vivia deliciada pelo dom do filho. O seu próprio tio fora pianista e, não tendo mais família, deixara o grande instrumento de meia cauda à única sobrinha. Ela lamentava nunca ter aprendido, mas, felizmente, o gene musical parecia ter sido transmitido ao seu pequeno. Gabava muito as suas capacidades, de cada vez que ia ao mercado, e quem já o ouvira podia confirmar que ela não exagerava nos elogios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O pequeno pianista nutria um carinho especial pela grande colecção de discos do tio-avô que a mãe guardara no sótão. Quando não estava a tocar, ouvia uma daquelas preciosidades musicais, deitado, saboreando as melodias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adorava Vivaldi e as suas &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nGdFHJXciAQ"&gt;Quatro Estações&lt;/a&gt;, venerava Mozart e a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8GHSv8RLGlw"&gt;Flauta Mágica&lt;/a&gt;, arrepiava-se com Beethoven e a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=r32QPNdopVg"&gt;Quinta Sinfonia&lt;/a&gt;, descontraía com &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3-4J5j74VPw"&gt;Bolero&lt;/a&gt; de Ravel e acelerava com o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=h6A-JYbu1Os"&gt;Voo do Mosquito&lt;/a&gt; de Rimsky-Korsakov ou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=JAUCkc0TDPk"&gt;Gayane&lt;/a&gt; de Kachaturiam.  Porém, de longe, o seu preferido era Tchaikovsky. Adaptar músicas do bailado Quebra-Nozes para piano apenas fora um desafio e uma aventura. Terminar havia sido uma conquista. E um marco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira vez que apresentara aquele conjunto de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QQ3jrhkc52A"&gt;seis músicas&lt;/a&gt; que, no total, duravam quinze minutos, fora num restaurante de uma cidade das redondezas. Encantara todos os que estavam presentes e o conservador do teatro municipal convidou-o a tocar aquela peça, na semana seguinte, no próprio teatro. A mãe não queria acreditar e perguntou se haveria pessoas a assistir. Com a resposta afirmativa, o pai, por sua vez, perguntou se iriam receber algum tipo de remuneração. Ambos satisfeitos, aprovaram a proposta e levaram o filho a casa, para ensaiar sempre que tivesse algum momento disponível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No primeiro espectáculo, a peça apareceu enquadrada dentro de um programa de recitais dos melhores músicos das redondezas, mas foi decididamente ele quem recebeu mais aplausos. As pessoas queriam ver outra vez aquele prodígio. "E sem nunca ter aulas!" admiravam-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi assim que as sextas-feiras à noite se tornaram uma rotina. Durante a semana, escolhia as músicas que adaptava a piano com cada vez maior facilidade. De manhã, a mãe ia buscar o fato à lavandaria, de tarde fazia-se o ensaio geral, com a supervisão de um músico qualificado, que o corrigia em um ou dois pontos. O pai conduzia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Vamos chegar atrasados! - era o discurso da mãe, todas as noites. Chegavam sempre com meia hora de antecedência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um pequeno toque de maquilhagem nos bastidores. E ali estava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela sala era um abismo. No palco, o som dos seus passos ecoaria não fosse abafado pelo enorme aplauso da multidão. Plateia, balcão. E aquelas varandinhas adoráveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O piano, pronto para o receber. O banco já ajustado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazia uma pequena vénia e sentava-se. Respirava fundo, como lhe dizia a mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual quê. Aquilo era a sua brincadeira preferida, era o que mais gostava de fazer. E havia pessoas que o adoravam. Era fantástico, ele não conseguia estar nervoso, apenas sentia um formigueiro antes de cada espectáculo, nunca mais começa, nunca mais começa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Havia um pequeno jogo que gostava de fazer de cada vez que entrava em palco. Percorria a multidão com os olhos até encontrar uma menina da sua idade, talvez acompanhada pelos pais, talvez pelos tios, pela irmã mais velha, pela avó, e fixava-a, distinguia-la de todos os outros. Era para ela que sorria, para ela que orientava todas as vénias, todos os olhares. Por cada concerto, havia uma menina incógnita que, sem o saber, seria sua namorada nos minutos em que ele era uma estrela aos olhos de todos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dentro de si, havia uma pequena esperança de que, algures no mundo, uma rapariga se enamorasse secretamente pelo pianista enquanto duravam os concertos que via. Dentro de si, havia a esperança de, um dia, os seus olhares se cruzarem e aí seriam verdadeiramente namorados por uma noite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eram sempre diferentes, não queria perder a oportunidade de a escolher só por se ter decidido pelo tipo de rapariga que mais gostava. Havia a menina triste do nariz pequenino, a lourinha dos olhos verdes, a do cabelo cor de cenoura, a da pele cor de chocolate, a que não parava de sorrir, a do vestido com flores, a da borboleta a atar o cabelo, a das tranças. Só não a escolhia entre as que estivessem aborrecidas, as que parecessem obrigadas a estar ali, as que odiassem aquele tipo de música. A pequena que o procurava por todas as salas de espectáculo do mundo certamente que gostava de ouvir boa música.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daquela vez, nada de mais. Olhos castanhos-escuros, cabelo preto que se confundia com o casaco e vestido da mesma cor. Já estava sentada e ele nada mais conseguia ver. Pena. Tinha a certeza que a sua pequena trazia sapatos de fada. Não havia nada de particularmente diferente no físico dela. Era tão normal, podia ter aparecido como figurante num filme, uma personagem daquelas que passamos por ela e nem a vemos. Não teria sequer reparado nela não fosse o ar desafiador e triste. Como se toda a sua aldeia tivesse sido posta em chamas e ela fosse a única sobrevivente, desesperando por vingança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viu-a enquanto caminhava até ao piano. Hoje, é só a ti que vejo, é só a ti que amo. Esta noite, tudo o que eu tocar vai ser para ti, profundamente dedicado à tua pessoa. Ela não aplaudiu com a multidão quando ele chegou. Claro que não. Ele ainda não a merecera. Virou os passos na direcção dela e inclinou-se numa vénia. Olhava para ele. Muitas os faziam, na realidade, quase todo o auditório.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=j2PQ8LWXZD8"&gt;Começou&lt;/a&gt;. Eram aquelas seis músicas adaptadas do Quebra-Nozes de Tchaikovsky. A primeira. Sabia as teclas de cor, apesar da complexidade, raras eram as vezes em que consultava o lugar das mãos. Na maioria do tempo, fechava os olhos, abrindo-os para encarar a multidão. Corrigindo, para olhar para a sua pequena por uma noite namorada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segunda música, a ela dedicada, a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9bL6XE3ZoAg"&gt;dança da fada do açúcar&lt;/a&gt;. Se lhe pudesse ver os sapatos, tinha a certeza seriam azuis, brilhantes, pareceriam feitos em porcelana, ou talvez fossem apenas como o piano. Sim, aquela música era perfeita para ela, porque parecia descrever o modo como daria um passo após o outro, cauteloso e sorrateiro, deslumbrante. A escolha daquela peça era perfeita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhou para ela, na pequena pausa entre a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NzSGBGWO3r4"&gt;música seguinte&lt;/a&gt;. Os olhos tinham amansado e ele pôs-se a viver o ritmo frenético que o esperava. O piano era dele, mas isso não importava, era aquilo que lhe oferecia, tecla após tecla, grandes acordes, os dedos leves e pesados ao mesmo tempo, sempre fiel ao original, sem um único erro. De olhos fechados, sorria. De olhos fechados, conseguiu imaginá-la a sorrir sem mostrar os dentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta nova era uma &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tyg7rWnVEuI"&gt;pequena &lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tyg7rWnVEuI"&gt;música de amor&lt;/a&gt;. Imitar uma harpa no piano era uma tarefa fastiosa, tinha de ser tão delicado e tocar tantas notas de seguida, mas os olhos de ambos cruzaram-se e a música era para ela e para ela nada menos que perfeito, nada menos que o que ela merecia. Saberia que era uma canção de amor? Claro que sabia, aquele olhar dizia tudo, dizia que se derretia e desfazia e que cada fechar de olhos não era mais que puro deleite. Esta música é só para nós, saltou para a parte mais difícil, acompanhando a música com a cabeça e o corpo, de olhos fechados, saboreando e aperfeiçoando cada tom. Os dedos fluíam tão naturalmente pelo teclado que a única coisa em que pensava realmente era nela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=R3kdY2vMO0w"&gt;dança chinesa&lt;/a&gt;, algo de tão mais divertido que certamente a animaria um pouco. Fez os possíveis para conseguir gestos abertos e esforçou-se nas caras engraçadas, tal como vira fazer tantos pianistas famosos. Era uma música muito pequenina, mas todos se riram. Havia algo de cómico. Com um sorriso nos lábios, passou à &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PRlIy1zNnyE"&gt;última&lt;/a&gt;. Mais uma de amor, mais uma com harpa de fundo, que espelhava delicadeza e que variava por toda ela. Quis tanto saboreá-la que acabou antes que desse conta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já aplausos? De pé, da sua namorada daquela noite que o ia deixar para sempre em breves momentos. Como passara tão depressa aquela última se era a maior de todas? Prendera-se no pensamento e agora tinha de se levantar, porque estava tudo acabado. Ele era o menino do piano que acabara de tocar Tchaikovsky e tinha lágrimas nos olhos, mas ninguém estava suficientemente próximo que as pudesse ver. Ela já ia de costas, uma vez mais, no fim todas iam, no fim, os sapatos de fada não eram mais que vulgares sandálias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltou-se para os bastidores, para os braços da mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Vá, não correu assim tão mal, só tropeçaste numa nota, ninguém reparou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Tu dás-lhe demasiados mimos. - resmungava o pai - Se é para continuar a sério todas as semanas, não podem haver erros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Virou-se para a sala vazia, sem luzes, sem barulhos. Largou o aconchego da mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-O papá tem razão, tenho de treinar, este piano é um pouco maior e eu não estou habituado, mas tem de sair perfeito na semana que vem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perfeito. Para ser perfeito, aquela música não podia acabar nunca. Era a sua parte preferida porque parecia conter uma história dentro dela. Era a que o fazia viver mais, a mais poética, a mais expressiva. Precisava de a tocar as vezes que fossem precisas até ficar completa, até ficar perfeita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentou-se e voltou àquela escada feita pela harpa. Começou a misturar mais instrumentos, tornando-a cada vez mais difícil. Viveu cada sensação deles, como se cada um contasse uma história. Deixou-os lutar um pouco uns contra os outros, até os juntar na construção do mesmo, tentou escalar as emoções até ao cimo. Lembrou-se da menina de verdadeiros sapatos de fada que um dia o estaria a ver, sentiu aquilo de que a música falava e sentido conseguiu tocar ainda melhor, sem nunca desistir. Depois, lembrou-se do fim de cada noite, em que todas elas se iam embora e tocou aquele trecho destroçado. Enfim, voltou a esperança de um dia a encontrar, era só esperar, e para ela tocou até não mais poder, chamando-a. Abrandou o ritmo, preparando-se para o final, suave, como os passos de uma fada. Aquela tinha sido perfeita e tinha a certeza que, quando abrisse os olhos e espreitasse para trás do piano, ela estaria ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abriu os olhos e, espreitando, a menina dos olhos em desafio triste estava a olhar para ele. Não disse nada nem aplaudiu. Os sapatos eram azuis, eram tal como os havia imaginado, eram brilhantes e pareciam porcelana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levantou-se. Ganhou coragem. O coração batia a cem à hora, mas podia ser a única oportunidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-O concerto de hoje foi dedicado a ti, tens de saber, deves saber disso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Eu sei. Tu construías a música conforme a expressão dos meus olhos que deviam espelhar o que sentia. Mas a última música passou demasiado depressa, eu fiquei distraída com um pormenor, uma lembrança antiga. E tinha esperança de a ouvir outra vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Tinha esperança de que viesses. Esta noite, foste minha namorada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Fomos namorados enquanto tocavas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-E agora, continuamos a ser?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela hesitou e desviou o olhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Não pode ser. Não posso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Porquê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Porque eu gosto de raparigas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Calaram-se os dois. Foi ele que recomeçou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Mas, enquanto tocar, nenhum de nós vai ser pessoa, nem homem nem mulher, vamos ser música, vamos ser só o ser que toca e o ser que ouve, ambos os seres que sentem. Aí, poderemos ser namorados?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Enquanto tocares, sim. - concordou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-E durante o resto do tempo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Eu serei eu, tu serás tu, se quiseres podes ser meu amigo e podemos ter longas conversas à beira do lago, podemos ouvir música, podemos ler e fazer histórias. Mas namorada tua não poderei ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O pequeno pianista voltou ao teclado e tocou o trecho melancólico da última música, aquele em que se parecia desfazer em tristeza.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1837454716714131665?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1837454716714131665/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1837454716714131665' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1837454716714131665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1837454716714131665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/01/conto-do-pequeno-pianista.html' title='Conto do Pequeno Pianista'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5168077680360155159</id><published>2010-01-10T17:28:00.005Z</published><updated>2010-01-10T23:12:50.893Z</updated><title type='text'>Conto da noite (ou a morte da borboleta que caiu enquanto ascendia aos céus)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;por Adriana Gaspar de Matos, composto após a meia-noite do recém-chegado dia 10 de Janeiro de 2010, à memória de Joanna Sophia de Carvalho Matias, querida amiga, (e)ternamente nos nossos corações.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1h00 "&lt;i&gt;Olha,&lt;/i&gt;" aponta um dos irmãos para a janela em frente, "&lt;i&gt;que é aquilo no parapeito? Será uma estrela?&lt;/i&gt;", "&lt;i&gt;Não, é uma borboleta&lt;/i&gt;&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;" Debruça-se a borboleta para o voo. "&lt;i&gt;Oh, mas mano, a borboleta caiu.&lt;/i&gt;", "&lt;i&gt;Pois foi, vê, tinha as asas partidas.&lt;/i&gt;", "&lt;i&gt;Mas quem teria tamanha crueldade que despedaçasse as asas de uma linda borboleta? E que fez a inocente de mal para o merecer?&lt;/i&gt;", "&lt;i&gt;Nada, mano, a justiça é uma ilusão, nem todo o dinheiro do mundo lhe poderia devolver as asas e o imbecil até já anda em casa.&lt;/i&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1h23 "&lt;i&gt;Há luzes lá fora.&lt;/i&gt;", "&lt;i&gt;São as ambulâncias?&lt;/i&gt;" O irmão hesita e responde "&lt;i&gt;Não. São fadas que a levam a voar de volta ao céu.&lt;/i&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5168077680360155159?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5168077680360155159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5168077680360155159' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5168077680360155159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5168077680360155159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/01/conto-da-noite-ou-morte-da-borboleta.html' title='Conto da noite (ou a morte da borboleta que caiu enquanto ascendia aos céus)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2990789085339605498</id><published>2010-01-06T20:11:00.002Z</published><updated>2010-01-13T22:44:24.131Z</updated><title type='text'>Lindo dia de chuva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estava um lindo dia de chuva, um cinza pastel choroso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Maldita chuva!- comentou a mãe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pé seguiam, mas ela não se queixava porque ela efectivamente adorava sentir aquelas lágrimas a escorrerem, geladas de nos gelar por dentro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chuva é que a ajudara naquele mau momento quando quisera deitar tudo cá para fora, gritar o mundo com a força que trouxera apertada na viagem de comboio, a chuva que com ela chorara a sua perda, que com ela gritara contra quem lhe roubara a melhor amiga. A chuva que com ela cantava, a chuva que com ela desenhava movimentos, gestos que as outras pessoas não apreciavam ver na rua, abria os braços e cumprimentava as pessoas com uma larga vénia, e a chuva parecia imitá-la, a chuva sempre tivera um tanto de loucura, pois os loucos é que adoram passear à chuva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os carros seguiam e atiravam a água aprisionada no alcatrão contra elas, uma onda no meio do nada, no meio de lado nenhum, uma onda citadina, de poesia nenhuma gerada, apenas do horror da cidade, porém uma onda poética.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As calças salpicadas em lama, encharcadas em chuva.Está um bom dia para não lavar a roupa, pensou, ao mesmo tempo que a mãe dizia&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Quando chegarmos a casa, tiras imediatamente essas calças e pões a lavar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mãe não-louca, a normal mãe. Dava-se feliz por ter uma mãe assim: se fosse louca, talvez tivesse a tendência a ser o contrário dela, ou seja, monotonamente normal. Ou talvez não.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O céu eram nesgas pintadas e eu gosto mesmo, mesmo muito, mas agora não é a minha história, é a dela, bolas, e ela gosta mesmo mesmo muito. São tão doces tão frios dias de chuva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As cores de tudo mais definidas: as folhas amarelas mais amarelas, o castanho mais castanho, o verde musgo ou verde pinheiro mais vivo, o cinza das pedras um pouco mais escuro, um contraste acrescido comparado com o daqueles terríveis dias de calor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que ela gostava mesmo era de, no fim do dia, quando tudo parecia acabado, digitar tudo o que se lembrava por meio de palavras, gravar tudo na folha, atirar os dedos ao teclado e traduzir os pensamentos em algo legível, tal como faz agora, e, de tão habituada que está, não erra uma única letra, não falha e mesmo de olhos fechados sabe que não falha, pois é como que uma melodia tocada ao piano. Em dias de chuva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Melodia tocada ao piano em dias de chuva, daqueles em que a luz vai abaixo e não sobra mais nada senão o piano e o violino e a máquina de escrever.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pequenas coisas estas que me ajudam a não dizer não à vida nem aos meus pais, que me ajudam a não ficar para trás, não quero viver, mas, muito mais que isso, não quero magoar quem tanto gosta de mim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Piano à chuva, piano ao luar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2990789085339605498?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2990789085339605498/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2990789085339605498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2990789085339605498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2990789085339605498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2010/01/lindo-dia-de-chuva.html' title='Lindo dia de chuva'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7212811910069866916</id><published>2009-12-31T22:15:00.002Z</published><updated>2009-12-31T22:22:15.405Z</updated><title type='text'>2009</title><content type='html'>O feio do belo é que a aleatoriedade não existe e sabes eu não quero fazer algo belo, quero escrever apenas, escrever livre quase freewriting como não faço desde a minha prenda de anos e hoje é último dia, hoje é dia parvo de tristeza, porque quero e não quero só escrever sem sentido, assim a modos que disparatar e odiar a noite e amar a noite.&lt;div&gt;Mas que raio é isto?, perguntam, com toda a legitimidade. E respondo, é nada, é tristeza atirada em forma de palavras de uma escritora que já era, uma ex-critora. Uau, palavras novas, o ano vai acabar, o que não significa nada, apenas convencionaram que sim, nem é um dia especial nem nada nem nada nem nada, olha as vezes que me repito, como suo parva e estupidifico, olha, feliz natal. Bah, o natal já passou, tretas de tristezas. Bah.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou farta disto, estou com dor de cabeça de tentar escrever tudo o que me vem à cabeça e de interromper posteriores pensamentos. Por isso CALOU.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;bom 2010.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7212811910069866916?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7212811910069866916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7212811910069866916' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7212811910069866916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7212811910069866916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/12/2009.html' title='2009'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2415396361779321873</id><published>2009-12-26T01:28:00.002Z</published><updated>2009-12-26T01:28:53.061Z</updated><title type='text'>O Jardim Estranho da Minha Terra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na minha terra há um jardim estranho. Onde as flores não crescem, porque não são plantadas. São as pessoas que, em romaria, as levam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dias de cortejo e, nesses dias, é quando as pessoas são mais generosas e levam mais flores. São os dias em que plantam sementes de madeira, num buraco fundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que regam com lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste jardim estranho, não há casais de namorados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oh, não,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este jardim estranho não recebe muitas visitas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Raramente pessoas mais novas, só em dias de cortejo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste jardim estranho, há casasinhas baixas, de pedra, na alameda principal. Têm uma porta, nenhuma janela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste jardim, não há bancos, mas há mesas baixas, para as flores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste jardim, não há luzes eléctricas, mas há velas. Mesmo de dia, há velas acesas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não são apenas flores e velas e sementes de madeira que se plantam. Também letras e números. E fotografias, pequenas. Pequenas esculturas, também. Como anjos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As mesas baixas, as casinhas, os amontoados de terra, tudo está devidamente numerado. tudo tão organizado. Nem parece um jardim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O muro que rodeia este estranho jardim não é como os outros. É alto e não tem grades e só podemos ver para dentro dele pelos grandes portões. As pessoas não falam muito deste jardim. Não há visitas de estudo, só mesmo cortejos esporádicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há um segredo escondido. Foi a minha avó que me contou. É que, em cada casinha, mesa baixa ou amontoados de terra, há uma história, como um tesouro, enterrada. Cada uma dessas histórias está guardada na memória daqueles que visitam este jardim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E os anos passaram desde que este estranho e estranhamente belo jardim deixou de se chamar jardim. Agora, toma outro nome, algo mais feio. Para mim, porém, será sempre o meu estranho jardim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nestes dias, assim ultimamente, é mais frequentado por jovens. Não muitos, mas mais. Com uma certa regularidade. Jovens que não esperam pelo cortejo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu também o visito. Tomo sempre o mesmo percurso, nada de mais. Seguir pela alameda principal, até à última das casinhas de pedra, virar à esquerda, número 20.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dou um longo suspiro e deixo-me encostar. A rir ou a chorar, repito para o ar, a cantiga de todas as vezes:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então, Joanna?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2415396361779321873?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2415396361779321873/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2415396361779321873' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2415396361779321873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2415396361779321873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/12/o-jardim-estranho-da-minha-terra.html' title='O Jardim Estranho da Minha Terra'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6163135936047441015</id><published>2009-12-18T19:06:00.000Z</published><updated>2009-12-18T19:09:39.078Z</updated><title type='text'>Perguntas do Depois</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;@@"Onde estou?"&lt;br /&gt;Acho que era a pergunta mais acertada a ser feita.&lt;br /&gt;A pergunta certa.&lt;br /&gt;A pergunta do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Onde estou?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda a eternidade, tem sido essa a pergunta feita por tantos milhares de almas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, porém, não fiz essa pergunta.&lt;br /&gt;Havia algo naquilo tudo que me queria fazer disparar centenas de frases de tudo aquilo que me atravessava a cabeça. Não tinha problemas em agarrar tais pensamentos. Muito pelo contrário, fascinante e surpreendemente, pareço conseguir vê-los todos, todos em simultâneo, perfeitamente organizados, correndo e desfilando, num círculo que deixa de o ser para se transformar num cone imenso, erguido como que desde os céus, um tornado, um furacão de pensamentos.&lt;br /&gt;O meu problema não era agarrar, era libertá-los, porque como que se prendiam a mim de cada vez que os tentava soltar. E, mais importante que tudo, porque, pura e simplesmente não parecia fazer sentido dizer o que quer que fosse. Era inútil, de que servia falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria deles fala, sinto-o. E perguntam "Onde estou", mais outro aspecto estranho acerca deles. Se eu tivesse falado, teria, certamente, perguntado, "Quem sou eu?"&lt;br /&gt;Quem sou eu, certamente, mas o que sou eu seria igualmente uma opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria deles, chega nas formas com que partiu. Os homens são homens, os cães são cães, as árvores são árvores. Espantoso, observar que o conformismo e o egoísmo são característicos de todas as coisas.&lt;br /&gt;Chega com a forma e assim vê respondida a pergunta o que sou eu. E, para além do mais, passam a existência convencidos que sabem quem são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o equivalente à formação da Terra desde o Big Bang para conseguir achar-me. Não me pareceu uma eternidade porque aqui não há tempo, apenas constância. O tempo é algo que vem emprestado do lugar de onde viemos. Tal como o espaço e tal como todo o resto. Aqui, tudo obedece às nossas regras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem chegue e veja anjos, há quem veja demónios, há quem veja escuridão, há quem veja luz. Mas, na verdade, tudo isso são visões emprestadas do que esperariam encontrar. Há, até, quem julgue que continuou vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre neguei o mundo a certo ponto e, depois da passagem, não fiz mais que apagá-lo. Livrei-me de todas as coisas e significados, mas também esvaziei demais e perdi-me.&lt;br /&gt;E, depois de algum tempo ilusório que pode ter sido 15 mil milhões de anos ou dois segundos, reencontrei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por minha preferência que regressei a pequenas coisas do que fora.&lt;br /&gt;Tinha à minha frente um leque infinito de possibilidades, portanto, por que não começar pelo início?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há regras, claro.&lt;br /&gt;Há uma regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que tudo o que ainda não tiver passado e guardar a sua alma na vida aí está confinado.&lt;br /&gt;Podemos ter tudo, excepto almas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos construir a cidade de onde voltámos, as pessoas e os animais e as plantas e todo o mais, mas, sejam eles ainda vivos e não mortos como nós, as nossas cópias construídas não terão alma, serão ocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, mesmo que uma alma haja morta, não a podemos forçar a participar no nosso pequeno cenário.&lt;br /&gt;Assim, recomendo não fingir figuras. Apenas a nossa que já tem a nossa alma.&lt;br /&gt;A nossa que será como nós quisermos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, é com agrado que vejo que, quando se passa a este nível de percepção, todas as pessoas acolhem com um certo conforto o aspecto que tinham. Por mais defeitos que em vida se colocassem, é agora que fazem cópias exactas, sem alterarem um único detalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de me haver encontrado ou reencontrado, deixei-me levar para esse mundo que é o mundo que deixara. Começar pelo mais simples e fútil. Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciei pela altura que me fora mais cara. Neste espaço de imagens, tornei-me a adorável Adriana de cinco anos, correndo num vestido branco e lilás em direcção a um baloiço. Fingi o vento, fingi o assento, fingi o ar, só não fingi paisagem. Porque eu adoro balançar-me com os olhos fechados, sentir apenas a altura e o perigo. Só que, desta vez, não havia perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formaram-se os dinossauros e pereceram nesse intervalo de tempo fingido em que andei de baloiço. Imaginem-se milhares de anos apenas baloiçando, baloiçando, baloiçando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cessou esse balançar com um latido. Adriana de cinco anos saltou no ponto mais alto e voou um pouco, planando para aterrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse a minha primeira palavra na voz alta fingida disto que é isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Snoopy!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos o infinito para brincarmos e a eternidade para o fazer.&lt;br /&gt;@@&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um corredor. O chão em madeira, as paredes brancas. Um corredor estreito e eu. Eu, num corredor estreito, perante uma porta. Aventurei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tudo igual, a janela, a cama impecavelmente feita, a poltrona ao canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, mais importante que tudo isto, o avô.&lt;br /&gt;O avô enorme, a maior pessoa que eu jamais conhecera naqueles cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avô, o risco de cabelo que caía, os óculos enormes que enchiam toda a cara.&lt;br /&gt;O avô com o seu grande redondo nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos, pousando o cachimbo, os olhos, intensos, como se me pudessem atravessar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela estranha figura no seu estranho lugar, tal como sempre me recordava dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei-me a seu colo em menos de nada, agarrada às roupas grossas com cheiro a naftalina.&lt;br /&gt;Eu fui a neta mais velha. Uma das poucas que ele conheceu. Poderia dizer-lhe que agora havia uma Francisca, um Rui e uma Inês, mas, com os meus cinco anos, esses nomes eram-me desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar o magnífico cenário, juntei-lhe um último pormenor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fingi uma tossidela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avô cedeu, como sempre fazia. Levou a mão ao bolso e entregou-me uma pedra preciosa, embrulhada em papel branco. Desembrulhei o rebuçado e senti o sabor à infância. Parecia mel sólido com baunilha, mas era só rebuçado da tosse. Mas isso são detalhes, aquele é o verdadeiro sabor da minha infância na casa do avô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, mais tarde, poderei contar-lhe que a avó mudou de casa, que mais netos nasceram, que tive boas notas e nunca deixei um ano para trás e que consegui entrar na faculdade.&lt;br /&gt;Um dia, poderei dizer-lhe que nunca ninguém me disse que tu morreste e que eu continuei por anos convencida de que continuavas numa operação muito difícil que demorava muito tempo, no meio das paredes de tijolo do hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, por fim, estiver satisfeita e completa, pode ser agora mesmo, vou continuar por outros caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou até ao fundo do corredor, espreitar para aquele quarto ao canto, quarto escuro. Na cama vejo uma sombra e um feitio de mulher, mais que mulher, de velha. Até aqui está louca, permanece louca. Não me aproximo, limito-me a ver. Quase que tenho medo da minha bisavó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virando costas, dou meia volta e chego à entrada.&lt;br /&gt;Um espelho, uma mesa, um tapete e um telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pego no braço do instrumento mágico e marco um número.&lt;br /&gt;Ao ouvir uma voz desconhecida, desligo de imediato e quase choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro a porta e subo a escadaria até à minha divisão preferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sótão está cheio de luz e pó, como um nevoeiro de âmbar.&lt;br /&gt;No chão estão os legos do meu tio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está tudo uma confusão, uma agradável e confortável confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo à cadeira de baloiço, demasiado alta e larga para mim, e dou impulso para a frente e para trás. Só que, de cada vez que a sinto voltar atrás, ganho medo que caia. Fecho os olhos e finjo que comando um barco de piratas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou eu, em casa dos avós, baloiçando-me na cadeira, num barco de piratas.&lt;br /&gt;@@&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de ir à escola. Mas a professora ainda é viva e os meus amigos também. Seria um lugar vazio, corredores abandonados, escorregas inutilizados, salas desertas, casinhas de brincar ocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo a grande cabana de madeira e prometo um dia, quando todos reunidos na morte, regressar por uma eternidade para brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, segui para uma terra distante, onde quase não há casas.&lt;br /&gt;Normalmente, seguiria para casa da minha prima inglesa, mas ela não estava. Quando ambas existíamos no mundo, isso acontecia, por vezes, estaria lá na Inglaterra. Ali, porém, a verdade era, com lógica, outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também os meus tios eram vivos, tal como os meus avós, tal como outros primos, aliás, tal como todos aqueles que conhecera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o tivessem sido, não estaria ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi as escadas da casinha vermelha e puxei o cordão que fazia de maçaneta.&lt;br /&gt;Espreitei para a cozinha e deixei-me inundar por aquele tão característico cheiro de velho, de muito, muito antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentadas à mesa, estavam duas figuras, vestidas em tons de preto e cinza.&lt;br /&gt;Ao verem-me, com um sorriso, disseram a minha expressão preferida, naquele tom de vós ideal adequado ao que me lembrava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olhai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia ao certo o que aquela pequena palavra significava, mas, para mim, era o olá dos tempos dos pais da minha avó.&lt;br /&gt;Ri-me e corri a abraçá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contei-lhes que era boa aluna, que adorava ler e que tocava violino. A bisavó deixou-se deliciar pelas minhas palavras e contou-me as histórias que lhe pedi nos últimos dias de vida. O bisavô sorriu e pediu-me para pôr as tranças que levei ao funeral dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fiquei só na cozinha, levantei a toalha da mesa, na certeza de que quem esperava encontrar já se encontrava connosco.&lt;br /&gt;O gato amarelo repetiu os gestos da sua vida, levantou a pata e tentou arranhar-me. Passou a menos de um dedo do meu olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estremeci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí.&lt;br /&gt;Um dia, teria a oportunidade de conhecer o irmão  da minha avó que tão cedo partira, tal como todos os antepassados meus, tal como toda a humanidade, tal como todas as almas. Havia tempo para tudo, naquele nível de percepção.&lt;br /&gt;Mas esse dia não era aquele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tempo de visitar a casa em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mamã do meu avô.&lt;br /&gt;O sorriso magnífico sem dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uns óculos maiores que o que pudesse imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais outra eternidade a ser saboreada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@@&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de saber que ainda não havia vizinha do lado com quem brincar, fui até à minha rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Outono.&lt;br /&gt;Talvez fosse o meu aniversário, mas isso não se lê nas folhas das árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, entreguei-me à minha brincadeira preferida da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntei as folhas secas do chão, aquele remoinho colorido, num monte apenas. Quando atingiu uma altura considerável, dei uma corrida e atirei-me contra elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei o festim, atirando-as ao ar, atirando-as ao meu cabelo, sem nunca parar de rir.&lt;br /&gt;Tão agradável que é ser criança no Outono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia passar o resto da minha vida saboreando aqueles momentos. Se tivesse vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vestido dos cinco anos mudara.&lt;br /&gt;Agora, era aquele amarelo cor dos girassóis com flores azuis salpicadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado, enfim, o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ter dez anos, mas esse não era mais que o meu aspecto.&lt;br /&gt;Era uma ilusão, uma criação, uma imagem da minha imaginação, que aqui a imaginação vale tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi um jardim.&lt;br /&gt;Um jardim com um parque infantil.&lt;br /&gt;Sentei-me ao baloiço, à espera. Ela não se demorou e vinha com um vestido, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vestido cor do céu salpicado com girassóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrimos. Nunca antes fôramos tão iguais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos muito a dizer, muito a contar. Tínhamos tudo, mas, ao olhar uma para a outra, julgo que nos compreendemos instantaneamente.&lt;br /&gt;Começou ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, Adriana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz dela, por fim, não por um gravador nem por um vídeo.&lt;br /&gt;Ela, ali, ela. Apenas, ela. A minha amiga, a minha melhor amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, Joanna. - disse. - Olá, Joanna Sophia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto corremos a abraçarmo-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos no mundo dos mortos, éramos as melhores amigas, abraçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos diferentes, porque a minha alma não estava a sofrer e porque a dela estava inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava inteira. Haviam-se passado mais que ano e meio desde o dia em que a alma se despedaçara e parte morrera ao dia da morte da réstia da alma e do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi a primeira coisa que fiz, quando cheguei. Procurar o pedaço de alma que me abandonara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está forte. Está mais forte que nunca. E é a minha melhor amiga, tal como a conheci.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6163135936047441015?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6163135936047441015/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6163135936047441015' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6163135936047441015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6163135936047441015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/12/perguntas-do-depois.html' title='Perguntas do Depois'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7169666262161856393</id><published>2009-11-29T18:36:00.004Z</published><updated>2009-12-31T00:18:25.197Z</updated><title type='text'>A minha boneca preferida caiu</title><content type='html'>(A imagem foi retirada por opção da autora. Leiam os comentários, falam por si.)&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7169666262161856393?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7169666262161856393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7169666262161856393' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7169666262161856393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7169666262161856393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/minha-boneca-preferida-caiu.html' title='A minha boneca preferida caiu'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6878253728786433922</id><published>2009-11-24T19:17:00.001Z</published><updated>2009-11-26T23:30:05.603Z</updated><title type='text'>Arrotar &amp; Conversas à beira do abismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na manga trazemos o ventre mas não contamos. Escondemos. Na manga trazemos ideias clandestinas, espreitando. Escondemos, há polícias por todo o lado e todos os cantos, escondidos em busca da morte do pensamento. Na manga trazemos a vida mas fingimos também autómatos. Como os outros, disfarçados, escondidos. Na manga trazemos os nomes de todos e o segredo, aquele segredo de quem vai esmagar o arroteiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O arroteiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Arroteiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Arroteiro arrota ordens. Arrota exigências de submissão. O Arroteiro aloja-se em qualquer cérebro que queira, porque é um modo de pensar. Aloja-se e contra ele ninguém pode. A não ser quem pense para além do que o que lhe apresentam. E nós trazemos as ideias na manga e os escravos do Arroteiro que não nos vejam ou arrancar-nos-iam os olhos. E nós trazemos alguém e esse alguém é todos nós juntos e vem na manga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É agora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu não estou sozinha. Antes pensava que sim e com nervosismo espreitava pela manga ver se ainda repousava o pequeno. Dorme, dorme, pequenino. Pensava que estava até encontrar o génio, sob a forma de folhas debaixo da pedra tumular. Pensava que era a única viva até encontrar o gémeo, o meu irmão gémeo. Pensava que éramos os únicos até encontrar todos os outros e agora o segredo é nosso e o pequeno já não é só o meu, é o que ia em todos e de todos o melhor e o melhor é o melhor de todos e irá ser maior que o Arroteiro, porque é a força de todos nós que pensamos e todos juntos e conseguimos, mas temos de manter isto em segredo, senão chamam-nos loucos e saltam-nos e arrancam-nos os olhos e deleitam-se em puro prazer a devorá-los. Escondamos na manga o nosso segredo, longe da vista. Ninguém sabe nem desconfia, porque somos mais um, apenas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que não somos mais um. Somos todos. E todos um apenas. Mas não mais um.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos o um que te vai destronar e destroçar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cuidado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cuidado para a manga não subir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cautela aí onde pões os pés.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dá-me a mão, senão caio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desculpa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso não importa agora. Apenas chegar ao fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu querido irmão, olha onde chegou a nossa família.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À beira do abismo, bem vejo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E os outros que existiam caíram todos e sobrámos só nós contra o monstro arrotador, não foi?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não olhes. Não olhes. Não chores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A culpa não é deles, eles é que ganharam a inércia e a inércia é quase inata…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois não é deles.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não quero cair.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então não olhes para baixo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos tantos e antes pensava que era só uma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tu sabias que éramos tantos, só não sabias que nos íamos encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos tantos e somos tão suficientes. E há neve.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há neve e nuvens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mundo ainda é bonito, não é? A natureza não pensa e assim triunfa sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dá-me a mão, vais cair.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Queres sentar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tu queres?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sento sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sento contigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu amo-te.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, se nos pudéssemos ver, verdadeiramente, seriamos iguais, seriamos gémeos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos gémeos. E eu amo-te, irmã da minha alma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E à nossa família.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E à nossa família.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Arroteiro é fúria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nós fúria contra ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E quem ganha?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que vencer. Isto não é um conto de fadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu conheci-te, irmão, e conheci a nossa família. Eu ganhei. E tive ideias por isso também ganhei. Porque o Arroteiro quis uma sociedade desprovida delas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, eu também ganhei. Ganhámos os dois. E ganhou toda a nossa família.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o Arroteiro?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Arroteiro perdeu quando quis escravos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E as pessoas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As pessoas perderam quando se deixaram cair.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então somos nós os vencedores?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só nós?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E de que nos vale isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada vale, como a vida. Mas lava a alma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a alma vale tudo, certo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vale o fim e o início.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nós estamos no fim?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fim chegou, o Arroteiro está perto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então perdemos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca, maninha. Nunca perdemos. Nunca mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos os maiores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois somos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o tudo está a chegar ao fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos o fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos o fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E depois?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois, um novo início.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6878253728786433922?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6878253728786433922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6878253728786433922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6878253728786433922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6878253728786433922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/arrotar-conversas-beira-do-abismo.html' title='Arrotar &amp; Conversas à beira do abismo'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6995710578881295304</id><published>2009-11-23T23:47:00.001Z</published><updated>2009-11-23T23:47:52.342Z</updated><title type='text'>Sou e não sou</title><content type='html'>&lt;div&gt;O mundo é uma ferida na face das pessoas, porque é o que lhes oferecem quando nascem e elas o odeiam. Fingem que não, porém. Fingem tudo belo e tiram milhentas fotos. E o que são fotos que não prisão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o que não é fogo senão ferida nas faces das pessoas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Contigo levas nada e vais sozinha. E ir sozinha é medo e é triste…&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não era, pois não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ser não sozinha é prisão e também é triste.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tu hoje és flor, mas durante quanto tempo serás flor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hás-de cair, porque as flores duram pouco e são frágeis…&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hás-de cair porque todos os dias te vez ao espelho e vez com os teus verdadeiros olhos esse golpe de alto a baixo que é a desilusão que o mundo te deu como presente de nascimento e de existência… nula.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Podre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fétida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pobre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esquece, olha, tudo se há-de resolver sem tu seres mais flor. Ajuda a sarar as outras pessoas. Assim será porque, não te mintas, foste talhada para isto, para entreter e ajudar e não te mintas, porque achas que sabes fazer tanto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O violino e o origami e a ginástica e o desenho, que é tudo isso senão entretenimento para sarar as faces? Que é isso senão enternecimento desigual por tudo o que existe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mundo não é uma ferida, as pessoas é que o julgam assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enterte e enternece. Dá consolo à existência das pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E à tua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E sê positiva, por um texto que seja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sê fresca como a brisa, encantada como a moira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E sê a glória que a todos falta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sê mais que a esperança: o objecto de espera.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6995710578881295304?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6995710578881295304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6995710578881295304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6995710578881295304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6995710578881295304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/sou-e-nao-sou.html' title='Sou e não sou'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-787237169141514011</id><published>2009-11-23T23:41:00.001Z</published><updated>2009-11-23T23:41:34.765Z</updated><title type='text'>Reflexões multiplo-estúpidas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivemos num tempo feio de gente. Porque gente? Sempre gente, ora. Noutro tempo, mais bonito seria ver estes barcos a partir. Mas gente tem de ser má e deixar os outros. Estou em grave greve do mundo e das pessoas tão cheias de escrúpulos e preconceitos. Odeio pessoas, como não?? São bichinhos repugnantes. Comem-se uns aos outros e depois cospem e voltam a engolir, como moscas. Mas moscas são mandadas. Gente não, gente mete nojo e eu odeio. E não posso, não consigo vê-los sofrer. É como uma desesperada tentativa de matar o Gatinho Mau – ele não deixa de ser um gato, pois não? Um fofo e lindo gato, um gato horrível que persegue a minha Pantera, mas ainda assim um gato peludo e aprazível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim são as pessoas que não consigo deixar a sofrer. Pobres pessoas… e assim as amo e assim, do tão mesmo modo, odeio. E assim tudo, tudo assim, em forma de contradição. Tudo junto como um fascículo de revista que desejava ser melhor, ser uma pêra doce, docinha, paciência, existe e existe – ainda bem. Sou eu mas sem saber quem tenta escrever que me vai ditando palavras, é o pensamento?, e de onde vem o pensamento? E assim me debruço a coleccionar palavras em telas, para tê-las, para matá-las, para morrê-las, para morrer-me, para morrer. Caída. Em telas. Em telas de escrita. Caída. Morta. Queimada. Como um trapo que se deixou à lareira. Nada melhor. Sempre. Para sempre morta. Que se quer da vida? A morte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-787237169141514011?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/787237169141514011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=787237169141514011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/787237169141514011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/787237169141514011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/reflexoes-multiplo-estupidas.html' title='Reflexões multiplo-estúpidas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-8155995613468367482</id><published>2009-11-23T23:37:00.000Z</published><updated>2009-11-23T23:39:10.202Z</updated><title type='text'>O que vejo com os olhos da mente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenta alegrar e tenta ver o que vejo. Vejo tudo, só que não com os olhos. Os olhos são úteis, mas não para ver o que vejo. Vejo calma. Vejo calma despreocupada e calma. Nada de excessivos. As pessoas passam e acenam e sorriem, sorrisos tristes ou alegres, mas sempre calmos. Não há pressa. Não há nada para fazer que não possa ser feito já. Está tudo bem, tudo o que possa estar. As pessoas passam em pequenos passos e não há carros nem autocarros em corridas frenéticas. Não há estradas, sequer. Há caminhos e bilhetes para ver pessoas a morrer. Há tudo o que precisássemos. Não há pressa, porque nada precisa de pressa. Ninguém precisa de pressa porque há tempo para nada e nada é o que se passa. Acalma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é triste, é livre. Cada um é livre. E cada um, depois de reflectir longamente, assim escolheu, esperar a morte a cada segundo que passa. É que esse é o único propósito da vida. Esse e o de continuar a existir. E, cumprido o dever, esperam a morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este mundo não se vê porque não é nosso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este mundo onde vemos e vivemos chora e tem pressa e as pessoas não pensam. Então, tenho de me agarrar ao que vejo com os olhos da imaginação. Deixar-me desolada por esse ser não mais que utopia? Não vale a pena. Utopia é visível aos meus olhos e posso vê-la claramente como te vejo agora. Utopia é real como tu és real, porque vive em mim e na imagem que tenho dela, tal como a tua figura e o teu toque vive em mim e assim adquire a sua realidade perante o meu ser. Desejo que seja real aos meus olhos do corpo, mas esse desejo é impossível e é o que me faz sorrir assim. É uma ambição que não me deixará desiludida porque nunca fui iludida com a hipótese da sua concretização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou em paz comigo e com o meu pensamento e como teu mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queres sentar aqui ao lado e fechar esses pouco úteis olhos comigo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-8155995613468367482?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/8155995613468367482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=8155995613468367482' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8155995613468367482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/8155995613468367482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/o-que-vejo-com-os-olhos-da-mente.html' title='O que vejo com os olhos da mente'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1066002100778582750</id><published>2009-11-23T23:32:00.001Z</published><updated>2009-11-23T23:32:31.100Z</updated><title type='text'>Não cabem mais pessoas</title><content type='html'>&lt;div&gt;Não cabem mais pessoas. Já estou em desespero. Já não há mais espaço. Quem queira, quem sabe, não pode, porque não há espaço. Já não há vagas. Fechou, tudo, cessou a actividade e eu não consigo aguentar mais um segundo, estou apertada contra vós, pessoas, e não sobra mais espaço para mais ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou cheia de pessoas. Elas passam por mim e riem ou falam ou choram ou morrem. Alguns mandam beijos e abraços. Alguns evocam um tempo futuro suposto em que voltaremos a passar juntos. Só que eu não quero passar junto. Nem quero rir nem chorar, nem quero falar, nem quero sentir nem ouvir, nem quero beijar nem abraçar. Não quero nem quero pessoas. Pessoas ocupam espaço e querem espaço no meu coração, mas a procura é em vão porque não há. Não há mais. Não quero mais. Pessoas estorvam e prendem e pessoas mais, mais tenho preocupações. Pessoas não. Pessoa sim, mas Pessoa já cessou de exercer. Pessoas não, coração nada, não mexe, não há espaço. É que tenho feridas de alto abaixo, rasgadas e cosidas à mão de muitas lágrimas, e pelas brechas sai sangue, goteja sangue, coração aperta sangue para todo o corpo, sangue sai por veias mas também por brechas e eu não aguento mais cortes, mais feridas nem mais lágrimas, não há espaço para mais enquanto quiserem que viva, que seja viva e que haja viva, e não há, não há espaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aaaaperta e bombeia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bombeia e rebenta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Rebenta e despedaça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E não sobra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estilhaços&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Destroços&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pedaços&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De alma ferida pelos cantos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E não sobra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um coração rasgado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para sempre, até ao dia da sua decomposição total.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, aí, já há muito estarei morta e já há muito que não haveria espaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só despedaço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1066002100778582750?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1066002100778582750/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1066002100778582750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1066002100778582750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1066002100778582750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/nao-cabem-mais-pessoas.html' title='Não cabem mais pessoas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2312382393310526496</id><published>2009-11-23T23:16:00.000Z</published><updated>2009-11-23T23:30:23.730Z</updated><title type='text'>Mensagem de PPPFestejo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste dia o mundo festeja o dia em que tu chegaste à Terra e ainda não sabias nada. Nessa altura, nada te disse, o mundo, porque tu ainda não eras tu e ele não tinha modo de saber quem tu serias. Depois tu cresceste e continuaste a fazer anos e a festejar esse dia em que tu nada sabias mas que chegaste à Terra, mas, ainda assim, o mundo não tinha como saber quem tu eras e deixou-te a festejar sozinha. Hoje, o mundo és tu. Hoje, festejamos, pela décima oitava vez, esse dia em que apareceste perante a luz e as cores e os festejos e o frio e a fome e o desconforto. Coisa tola de se festejar, enfim, tu festejas, é como uma desculpa para ser e não ser. Um dia, quem sabe, há-de o mundo festejar este teu vigésimo terceiro de Novembro, só que o que te há-de valer? É que, por essa ocasião, já estarás morta. E ninguém festeja os aniversários antes de morrermos, pelo menos não os dos escritores. São datas fúteis. Serão? Depois, quando já não vos vemos, é que se lembram das homenagens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oh, repito, têm algo a dizer, contem agora! E depois esqueçam que existi, depois de existir! Aproveitem o que vos hei-de deixar do modo que preferirem, porque já não me podem prejudicar. Plágios e tudo o mais, que mal me farão à consciência se ela já não há?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esqueçam-me, post-mortem. Recordar é sofrer, porque eu não existo mais. Se não estou no presente, convosco, celebrando, então esqueçam o passado e desprendam do passado. Festejem hoje, como tu fazes, Adriana :D Parabéns, Parabéns!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2312382393310526496?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2312382393310526496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2312382393310526496' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2312382393310526496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2312382393310526496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/mensagem-de-pppfestejo.html' title='Mensagem de PPPFestejo'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2374104627535970550</id><published>2009-11-23T23:08:00.000Z</published><updated>2009-11-23T23:13:32.745Z</updated><title type='text'>E um dia os véus, será que descobrirão...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, um dia vamos afogar em terras que caminham e escondidos em mantos, porque ninguém nos consegue ver. Mas nós não vamos escondidos, vamos clamando o nosso ser, então porque não nos vêem? Não somos nós que vamos escondidos, são os olhos deles. Vão cobertos em preconceito. E nós vivemos em harmonia e eles nada conseguem e nada vêem. Nós sorrimos e por dentro choramos. É que as pessoas lavadas no que vão lavadas não vêem não só nós mas o mundo todo, o mundo de miséria que se estende a estes confins de pálidos desertos. É que as pessoas vivem em esferas espelhadas e é que as pessoas querem viver em férias e não sabem de quê e não gostam de nada e não ajudam ninguém e fecham os olhos, mais, cerram-nos com força de quem não quer ver. E mais, tentam obstruir a vista de quem vê e fazem da ajuda um estereótipo para dar a ilusão aos descontentes de fechar os olhos, uma ilusão de que ajudam, mas, sabes que mais, ajudam uma merda e encolhem os ombros perante nós e perante os outros. e é isso que fazem, ora encolhem os ombros ora fecham os olhos. Esses são os gestos de quem tenta limpar-se da moralidade e de quem quer ignorar e de quem não quer saber do rosto além do nariz. Esses são ainda mais pobres que nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São pobres de espírito, pobres coitados. Mas desses não tenho pena. Porque esses criaram a lama e o lodo onde vão vivendo e passando estes anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E nós seguimos, desfilando pela paródia e pelo circo e vamos ver a Lua e vamos ver as casas e voamos sem asas e vemos sem olhos e sentimos sem tocar e choramos sem lágrimas e amamos sem paixão. Somos o coxo que corre sem pernas, somos a luz que arde sem fogo e somos o mudo que grita sem voz. Somos mais do que aquilo que nos deixam sonhar sermos e assim somos e assim vemos e assim sentimos e assim vivemos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2374104627535970550?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2374104627535970550/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2374104627535970550' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2374104627535970550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2374104627535970550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/e-um-dia-os-veus-sera-que-descobrirao.html' title='E um dia os véus, será que descobrirão...'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5050279332247192635</id><published>2009-11-23T23:07:00.001Z</published><updated>2009-11-23T23:07:56.384Z</updated><title type='text'>Cândidas Baladas das Noites Tristes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora é a hora em que chegam estas horas de desglória, por quanto, quanto tempo mais? Por quantos infinitos vou ter de esperar? Por quantos olhares e dores e incertezas? Por quanto, quanto mais? Bolas, mais. Mais. Outro dia, outra noite, outro desliga. Ora, sempre, mas não quero sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que interessa o que quero, porém? Sou uma pequena formiga que corre contra os outros. Contra outros e ela apenas vê esses, porque vão contra ela, é tão difícil ver quem vai no mesmo sentido com o mar de gente que contra nós se insurge e aparece…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bolas, que raio de contas são estas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só quero mais cinco minutos, sempre mais cinco minutos, só quero não dizer boa noite outra vez, quero convosco para sempre. Para sempre, toda a noite e todo o dia e poder ver tudo e comentar e sempre juntos. Sempre juntos…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Boa noite, mais uma vez. Boa noite boas noites, durmam bem, adoro-vos, amo-vos e tudo o mais… e todos os dias e é penoso, ora. Ora. Porque pessoas contra mim, não percebo…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5050279332247192635?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5050279332247192635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5050279332247192635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5050279332247192635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5050279332247192635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/candidas-baladas-das-noites-tristes.html' title='Cândidas Baladas das Noites Tristes'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2043145539665324852</id><published>2009-11-23T22:43:00.001Z</published><updated>2009-12-01T16:33:06.263Z</updated><title type='text'>Amor em palavras</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Amo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;papoilas&lt;/span&gt; douradas ao sol que não são douradas, mas lembram os cinco anos. Amo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;estrelícias&lt;/span&gt; pelo arco-íris espectral de cores. Amo amores-perfeitos, então se forem roxos e laranja, deliro. Amo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;hortências&lt;/span&gt;, que parecem gorros de criança ou dentes de leão, e amo os tons que adquirem.  Amo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;narcisos&lt;/span&gt;, a tocar trompete. Amo flor do maracujá, rainha de algum coisa, não sei o quê porque não sei ler perfeição. Amo os dourados reflexos de aveia do trigo e amo todas as cores porque são da natureza e naturais. Amo os tons de prata que a água deixa escapar do passeio e atingem os meus olhos. Amo a quietude de um mundo adormecido que vou percorrendo ao som do vento acariciante. Amo perder-me em labirintos onde a razão não chega nem sequer os olhos e muito menos a realidade, amo ver jardins de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;lírios&lt;/span&gt; e árvores em choro calmo, amo imensamente os tons lava e fogo da lava e do fogo e da fogueira a arder e amo ouvir o crepitar, o estremecer dos troncos. E amo as pequenas coisas que assim tornam uma paisagem bela e dão descanso aos olhos e calma. E acalmam e não são excessivos porque não são excessivos. E amo as claridades matinais contra o negro das sombras que ainda povoam, os contrastes da luz, o céu todo branco e o mundo todo negro, como as asas de um corvo cor de carvão. E amo esta maldita beleza que cresce em toda a naturalidade com toda a naturalidade, sem reflectir ou hesitar ou planear ou pagar imposto. E amo a pequena gota que cai e atinge o mundo terreno em não outro lugar que não o meu nariz erguido às nuvens. E amo profundamente tudo isto, sem reflectir ou hesitar ou planear ou pagar imposto. E amo os caminhos lavados e amo os sorrisos e amo os olhos e amo e não posso deixar de o fazer. E então dizem-me que esta paisagem é feia e que sentem falta da modernidade de linhas e cinzas e eu choro o mal que querem a tudo o que amo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2043145539665324852?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2043145539665324852/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2043145539665324852' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2043145539665324852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2043145539665324852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/amor-em-palavras.html' title='Amor em palavras'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2309491601136373795</id><published>2009-11-23T22:31:00.001Z</published><updated>2009-11-23T22:31:39.548Z</updated><title type='text'>Amo o que escrevo, o que é lindo =)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou olhar para vós todos e guardar-vos comigo. São como gotas de água cristalina e amo-vos perdidamente. São meus filhos, meus e de todo o mundo. Escrever-vos é um transe, as palavras surgem, a caneta escreve e eu deixo-a pensar, a caneta pensa e eu dou-lhe movimento, mas depois apenas os meus olhos lêem, porque bico de caneta não foi feito para ver nem ler nem amar, rasgar o papel até brotar sangue, é esse o propósito de bico de caneta, construindo os meus textos, meus filhos. A caneta pensa e pensa e eu escrevo e escrevo, deixando a fonte de tinta satisfazer os seus caprichos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que sobra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobra enfim, dou descanso à caneta, fecho o pequeno caderninho e suspiro, completa. Acabou, pois claro, acabou mais um texto. É sobre quê? Não sei, ainda não li, ainda é um bebé, depois hei-de compreendê-lo, mais, hei-de vê-lo crescer a meus olhos e a transbordar de alma e significado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de vos abraçar todos, são tão tudo o que tenho e tudo o que significa, porque são eu verdadeira, a verdade todos os dias trancada. Se eu eu e eu existisse e não fosse pessoa, se fosse eu verdadeira ao que sou, não seria pessoa, nem gente nem humano, seria palavras em forma de textos, seria tinta de caneta, jorrando do ferido papel, por aparo de pena, rigidez sangrenta que não é mais que beleza em estado mórbido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São textos os meus textos e são meus filhos e do mundo e da caneta que assim se chega, e eu sou eles, estou neles, são o meu espelho e meu reflexo em verdade contada, porque não há verdade nem mentira, há apenas ser e ser só tem uma dimensão e nada mais se nota e ao olhar para vós é como debruçar-me a uma varanda e ver um rio ou um lago ou um mar ou o gelo ou uma nuvem e ler-vos é mergulhar nessa vossa imensidão transbordante é ir ao céu ver a Lua e as estrelas de perto, é tomar boleia da nuvem e pensar sobre isso e deleitar-me nisso e no conhecimento de saber que a vossa mãe sou nada mais que eu, mãe de todos vós, meu espelho da minha alma onde me espelho e onde a sabem reconhecer, como irmã e como gémea e digo, olhem para os meus filhos e esqueçam quem vos parece que sou, porque quem eu sou são eles e não há mais, é só, é simples e não há mais a dizer, apenas o cessar do discurso, pousar a caneta, fechar o caderno e suspirar, de harmonia, completa, inteira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2309491601136373795?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2309491601136373795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2309491601136373795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2309491601136373795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2309491601136373795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/amo-o-que-escrevo-o-que-e-lindo.html' title='Amo o que escrevo, o que é lindo =)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1460565727028525392</id><published>2009-11-23T21:41:00.000Z</published><updated>2009-11-23T21:42:30.581Z</updated><title type='text'>A vida - pessimismo realista - 12.11</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;A vida não vale a pena.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;E esta é a triste verdade de todas as coisas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;A vida não vale a pena. E não podemos fugir dela.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Mas, oh triste e vã esperança de um sentido, só que não existe.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Não há mais que oco. Oco. Oco. É o fim mas não é o fim. Querias fim, mas não podes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;A vida não vale a pena. E tu nada podes fazer. A vida foge por entre os dedos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Querias tu. Mas não. Tens de a viver e sofrer com os outros.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Tens de ir com os outros sofredores. A adivinhares o final.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;E tu já só vês o final. Só queres fim. Finito.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Mas finito não há. Não mais.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;É uma tormenta.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;É tortura.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;É a tua desgraça.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Em forma de corpo e carcaça física.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Em forma de átomos, de vasos e sangue,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;De frescos químicos à força da electricidade.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;De vontade vontade vontade. Só que vontade não há.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Porque a vida não vale a pena e a vida está fora de moda.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;E tu sabes e não queres mais, só que isso era egoísta e as pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Oh, as pessoas. Como mandam e são cegas e buscam sentido que não há.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;E, assim, encaixam em modelos de sentido por outros ditados, sentido que não há&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;E muito menos é verdadeiro. Encaixam e os modelos dizem que vale sim a pena&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Então repudiam-nos pelo nosso pensamento e chamam-nos egoístas&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;E nós não podemos partir sem eles, porque seriamos egoístas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Eu quero, mas não posso, eu quero e não aguento.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Eu tenho de aguentar. De cabeça baixa,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Para sempre caloira da vida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Sempre a perder.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Sempre perdida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Sempre na merda.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Sempre cumprindo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Sempre mobilizada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Sempre chorando.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Para sempre viva.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify"&gt;Mas que vida?&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1460565727028525392?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1460565727028525392/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1460565727028525392' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1460565727028525392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1460565727028525392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/vida-pessimismo-realista-1211.html' title='A vida - pessimismo realista - 12.11'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-745191868406274869</id><published>2009-11-23T21:24:00.001Z</published><updated>2009-11-23T21:25:58.175Z</updated><title type='text'>Dois Pequenos Mini</title><content type='html'>Escrevo-te porque um dia esquecerás porção e não mai sverás estes escritos até lá. Até lá, bom fixe de vida... =)&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;_&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Corvos e coveiros são pedaços da mesma paisagem e essa paisagem é bela e cinza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-745191868406274869?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/745191868406274869/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=745191868406274869' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/745191868406274869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/745191868406274869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/dois-pequenos-mini.html' title='Dois Pequenos Mini'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-456406041225356020</id><published>2009-11-23T21:22:00.001Z</published><updated>2009-11-23T21:22:47.766Z</updated><title type='text'>Divago</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parabéns, Adriana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tens 18 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabes o que isso quer dizer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quer dizer que já se passaram 18 anos desde o dia em que abandonaste o conforto da barriga da tua progenitora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quer dizer que vais ter de acatar novas regras, porque vives numa sociedade estupidificada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu poderia ser tu que vais ler isto, só que não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sou algo, neste momento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu serás outra, tu és outra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saúdo-te, cumprimento-te e, já agora, dou-te os parabéns.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os átomos que faziam parte de ti nesse 23 de Novembro de 1991 já não são os mesmos, apenas os elementos. Células? Acho que nenhuma, só de anos posteriores começaram a ser guardadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já viste como essas pequenas células são as que fazem de ti quem tu és?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem tu és?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem és tu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;És eu com mais células atulhadas em memórias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;És eu e tens mais que eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parabéns, parabéns!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia tentar adivinhar quem és, atrevo-me a dizer que não serás muito muito mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não em termos de socialização, não. Lá daquilo das tuas ideias, as tuas belas ideias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atrevo-me a dizer que amas a Natureza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atrevo-me a dizer que amas Pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atrevo-me a dizer que amas ler.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atrevo-me a dizer que amas escrever.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atrevo-me a dizer que não tens namorado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atrevo-me a dizer que odeias a branca de neve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atrevo-me a dizer que odeias modas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olha, estou para aqui a escrever-te, passa da uma e eu a escrever-te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei quem és, posso apenas adivinhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E adivinhar que isto te há-de chegar às mãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parabéns, tens dezoito anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;És, oficialmente, maior de idade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E levas-me contigo, não é lindo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ensinas-me o que acabas de descobrir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como é cinza e cinza espero que seja o teu dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que não chova, ou que não tenha chovido, depende de quando leres isto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adoro-te, de qualquer das formas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou talvez não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parabéns, Didi, Adri2..9, AGMattvs.9, Zozie, Nanou, Aiandra, Anairda, Nanveqn, Adóriana, DiMattos, Gaspar DiMattos, Adriana, Adriana Gaspar, Adriana Gaspar de Mattos, Adriana Maria Pires Gaspar de Mattos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parabéns, querida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-456406041225356020?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/456406041225356020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=456406041225356020' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/456406041225356020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/456406041225356020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/divago.html' title='Divago'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5132915940823829244</id><published>2009-11-20T23:05:00.000Z</published><updated>2009-11-20T23:08:11.898Z</updated><title type='text'>O sorriso mais lindo do mundo</title><content type='html'>&lt;div&gt;O sorriso dela era mais que viciante, era mais que querido, era mais que contagioso, era mais que lindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sorriso dela era mais que um sorriso de alguém mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sorriso dela era o meu tesouro de cada momento, era um mundo que se abria à minha frente, era uma luta ganha contra a nuvem que tomava conta dela, cada vez mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era o Sol que despontava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma raridade e uma preciosidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O meu mundo era o maior por cada sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por cada pedaço de mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amo-te amo-te e tu és a minha querida borboleta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O teu sorriso para sempre desapareceu, mas isso é só o que as pessoas vêem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque o teu sorriso estará sempre na minha memória, guardado como o meu maior tesouro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5132915940823829244?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5132915940823829244/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5132915940823829244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5132915940823829244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5132915940823829244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/o-sorriso-mais-lindo-do-mundo.html' title='O sorriso mais lindo do mundo'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7601796012190560631</id><published>2009-11-12T19:48:00.000Z</published><updated>2009-11-12T19:49:17.856Z</updated><title type='text'>Sinto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto-me como um peixe abandonado na areia, tentando respirar o ar, desesperadas tentativas de aspirar o todo à sua volta, sem conseguir, sentindo-se cada vez mais afogado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto-me assim, e assim me deixei cair em desespero, com lágrimas preguiçosas escorrendo, em silêncio apenas interrompido pela minha tentativa de respirar, respirar, aspirar o ar, tentativas espaçadas, cada uma mais intensa e curta que a anterior. O ar deveria ser-me familiar, mas parece que não que não que não :-(&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto assim é tristeza das palavras que ficam por dizer. Oh, tristeza de palavras, poucos, tão poucos os momentos restantes para o juízo final, eu tiritando de medo, como um espanta-espíritos ao sabor do vento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como odeio e odeio que fique algo por dizer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7601796012190560631?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7601796012190560631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7601796012190560631' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7601796012190560631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7601796012190560631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/sinto.html' title='Sinto'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2407045581561900124</id><published>2009-11-08T19:36:00.002Z</published><updated>2009-11-08T19:46:32.756Z</updated><title type='text'>Comentário</title><content type='html'>Os dias passam, porém, a adoração que nutro por ti não diminui com elas: é ampliada e multiplicada. Como te adoro, álgebra!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2407045581561900124?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2407045581561900124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2407045581561900124' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2407045581561900124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2407045581561900124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/comentario.html' title='Comentário'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-874179848071192516</id><published>2009-11-06T18:54:00.002Z</published><updated>2009-11-06T19:20:51.667Z</updated><title type='text'>Chegada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O comboio pára, num último solavanco, agarremo-nos ao que pudermos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um livro ou outro que cai, uma velhota que, depois do esforço para se levantar, aterra de novo no assento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tento espreitar para a rua, mas a janela devolve-me a minha própria cara, aquela face retorcida que me segue por todas as superfícies espelhadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meia dúzia de empurrões depois, estou às portas, de saída daquele, apesar de tudo, lugar confortável - é suposto sair depressa, parece que nos dão pontapés até o fazermos - num salto, porque é tremendamente mais divertido que descer os ridículos íngremes degraus, estou fora. Cheira a noite e a óleo. Cheira a borracha. Com sorte, cheira a serra e árvores, mas hoje não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma vez mais, sou abandonada no apeadeiro, largada pela lagarta que com vagar se afasta. Com vagar, não, com muita pressa. Olho sempre para trás, vê-la partir deixa-me melancólica. Depois, sigo contra a torrente de pessoas: vão todas para outro lado, qualquer que seja, não é o meu. Eu vou sozinha. Fico sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É noite, agora. Sempre de noite. Sempre sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sigo pelas ruas amargas. Não há passeio, sequer, só estrada, casas e linha. Os carros passam numa corrida desesperada. Não há luz, a não ser a de um ou outro candeeiro a avariar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou ouvindo os meus passos, esperando que sejam os únicos que vá ouvir. Conto-os. Ou canto baixinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sozinha, aconchegando o meu "livro do comboio" que não é livro do comboio coisa nenhuma, isso não é mais que um pretexto para o aconchegar contra mim, é o meu preferido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou eu e ele, numa rua de fábricas abandonadas, tentando ignorar o que vejo. Aqueles olhos verdes que me seguem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagino-os sempre verdes, ou qualquer outra cor que me faça estremecer em medo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acelero o passo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sozinha, de noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E com passados de outras vidas a atormentarem-me.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Podia ter sido eu. Podia ter sido eu."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E os olhos verdes vão-me seguindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Querem fazer uma ideia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu vejo cabeças de dragão em osgas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imaginem, então, o que verei na sombra da presença de um monstro de pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca há passeio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E as ruas estreitam e a luz é cada vez menos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o frio que tanto adoro, torna-se desconfortável, prende os movimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tento ignorar tudo e observo a minha sombra cintilante. Na maior parte do tempo, não há sombra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou sempre só, mas não estou só.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho os olhos verdes que tanto odeio, tenho o medo e a angústia. Tenho uma torrente de pensamentos e de recordações inventadas, que não são minhas mas serão de alguém. De alguém tão próximo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fecho os olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nestes dias, não cheira a nada. Nem a lavado, nem a serra, nem a puro, nem a arvoredo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comigo vêm os cheiros do comboio, à falta de outros: a tosse, a rugas e pele a sair, a mofo, a velho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já nem há animais a cumprimentar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recolheram ao conforto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está tudo molhado e cinzento, excepto que não é cinzento porque é de noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tudo negro ou cor de lâmpada quase a avariar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tudo gotejante e não há uma única estrela para amostra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dou os últimos passos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em casa, por fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estes dez minutos a pé cansam mais que o resto do dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é tudo tão feio...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-874179848071192516?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/874179848071192516/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=874179848071192516' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/874179848071192516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/874179848071192516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/11/chegada.html' title='Chegada'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7110037489924699645</id><published>2009-10-30T18:43:00.000Z</published><updated>2009-10-30T18:44:52.064Z</updated><title type='text'>Sobre todas as coisas</title><content type='html'>&lt;div&gt;Os assuntos não discorrem e não morrem, especialmente se escritos pela minha pena e ditos pela minha boca, o nulo calmo é anulado e a revolução desponta dos cérebros enferrujados porque todos queremos. A eloquência jamais deve ser apagada, a eloquência é a arte das artes, apenas superada em foça e beleza pela poesia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os absolutos rigorosos assuntos estão fartos de discussão que a nenhures leva a não ser a maior descontentamento e a fachada, a fantochada, desencanto, desperdício.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já não se pode mais assim, porque não união, para uma primeira manifestação e uma pós grandiosa revolução mas sem que se esqueça o que fomos, recordados como rudimentos não pensantes, idade das trevas, inquisição das mentes, puro afastamento de milhares e milhares, exclusão preconceituosa e monstruosa e vergonhosa, vergonhosa como tudo o que corre pelo mundo movido a ganância e a conformismo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a minha caneta não cala. A minha caneta rasga pele de alguém, sangrando as azuis palavras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sangrentas palavras sentenciando penas de morte e de tortura, contra a merda de mundo em que vivemos, que ainda mais mortes tem e de mais tortura é composto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Convido-vos a, comigo, compormos o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mundo descarrilou. As pessoas aguardam, impacientemente. Esperam e esperam, sem notarem que o mecânico morreu. Há quem arranje transporte privado, mas sem mais se preocupar com quem fica na estação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bora arranjar o comboio?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;:)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Dedicado ao Tony)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7110037489924699645?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7110037489924699645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7110037489924699645' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7110037489924699645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7110037489924699645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/sobre-todas-as-coisas.html' title='Sobre todas as coisas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-3381676030649028573</id><published>2009-10-29T22:57:00.006Z</published><updated>2009-10-30T18:41:49.070Z</updated><title type='text'>Felizes conformistas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tolas tentativas vão pessoas lamuriando-se de malvada sorte, não conseguirem ser felizes. Assim por não dito digo que tudo isso é tão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;desimportante&lt;/span&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queriam definir as vossas prioridades! Pensar, ao menos por uma vez na vida! por uma vez na vida, não pensem com a corrente dos "outros" porque também esses não pensam por si, pensam pela fonte e a fonte não pensa, também, age, apenas pelo seu interesse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanto conformismo, tanta uniformização para quê? E volto a perguntar, para quê? E ninguém me responde. Querem ser felizes? Então pensem e reparem que a procuram nos pressupostos de felicidade que outros definiram. Compreenderão, então, que não estavam a ser verdadeiros? E que era por isso que, assim que atingiam a felicidade de outros, esta rapidamente vos fugia entre os dedos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que comboio de incompreensão vocês tomam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que preconceitos aceitam como verdadeiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Excluírem-me também está no vosso manual de conformismo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quais alegras vivências, quais supostas esperas se já nem distingues o que é inato do que não é? Oh, horror de tão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;desprezíveis&lt;/span&gt; pessoas, carecendo de saúde de pensamento, cujo mecanismo de pensar sós se encontra desligado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixai-me só e assim me abandonar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não me desprezai apenas porque outros o fazem. qual é o problema, bolas, por que nunca me respondem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A nova Bíblia já não é escrita, mas permanece horrenda, popular, por todos seguida. Continua sangrenta. continua se insurgindo contra mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-3381676030649028573?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/3381676030649028573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=3381676030649028573' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3381676030649028573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3381676030649028573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/felizes-conformistas.html' title='Felizes conformistas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7227635884851698633</id><published>2009-10-29T22:49:00.005Z</published><updated>2009-10-29T22:56:44.757Z</updated><title type='text'>Fobia Social</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho sentido mais estranhas impressões, ultimamente. sempre me soube capaz de ultrapassar uma multidão, com o meu passo de corrida. Porém, nunca previ que esse passo pudesse alguma vez ser abrandado, estilhaçado por meros olhares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto-me esmagada quando me encontro numa multidão de jovens. Sinto que devia fazer parte e que não faço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não gosto deles, é certo, mas, mais que isso, tenho medo. Medo deles. Deles e delas. Das conversas, dos passos, das palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não compreendo esse medo, ao todo, apenas o sinto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cada tom soa como uma sentença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cada riso é uma reprovação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu quero fugir deles todos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero que desapareçam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quero deixar este medo longe de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(O mais curioso é que não os receio na faculdade, apenas fora dela.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7227635884851698633?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7227635884851698633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7227635884851698633' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7227635884851698633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7227635884851698633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/fobia-social.html' title='Fobia Social'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1527296948753349882</id><published>2009-10-29T22:36:00.003Z</published><updated>2009-10-29T22:45:38.390Z</updated><title type='text'>RubyAnnE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se me vires a passar na rua, presenciarás um fenómeno peculiar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parecer-te-à, apenas, um corpo, porém, ouvirás duas vozes em amigável cavaqueira. Não são, propriamente, vozes perfeitamente distintas, é o tom que as distingue, o alegre e bem disposto contra o triste melancólico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se tomares atenção, talvez ouças um texto composto, em conjunto, naquele momento. No entanto, são raras as vezes em que tal acontece, será um golpe de sorte poderes assistir a tal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Este é curto e inacabado porque o estava a escrever numa aula e uma colega que chegou atrasada veio sentar-se a eu lado. Deprimiu-me e desencorajou-me. Oh, isso é tão triste...)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1527296948753349882?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1527296948753349882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1527296948753349882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1527296948753349882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1527296948753349882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/rubyanne.html' title='RubyAnnE'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-456832620291641152</id><published>2009-10-29T21:54:00.003Z</published><updated>2009-10-29T22:33:59.706Z</updated><title type='text'>Viagem à volta das minhas teorias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que bonito quadro se abate sobre mim e que mais posso fazer que sorrir?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a morte me toldar a vista, para sempre ficará na memória a derradeira recordação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomara que fosse um mundo bonito, carregado de esperança para tomos futuros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomara estar tudo bem, tomara estar tudo tão ao contrário do que está.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas que bom é também pensar, fechar os olhos à visão, ignorar os sons, deixar o pensamento fluir e explorar recantos já explorados ou ainda não...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se me depara agradável voltar a fazer uma viagem já feita, mas já esquecida, chegar ao mesmo final, confirmando o que já confirmara, ficando em paz comigo e com a minha consciência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um suspiro de calma alegria, antes de regressar à habitual melancolia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois, o meu curso é incerto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso focar-me no que vejo, sintonizar-me com o que ouço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descansar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-456832620291641152?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/456832620291641152/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=456832620291641152' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/456832620291641152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/456832620291641152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/viagem-volta-das-minhas-teorias.html' title='Viagem à volta das minhas teorias'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5104952769668005322</id><published>2009-10-17T00:26:00.002+01:00</published><updated>2009-10-17T00:30:41.205+01:00</updated><title type='text'>Manhãs da Caloira</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do meu lugar à janela, no comboio, tenho a oportunidade de assistir a um nascer do Sol algo invulgar, se comparado com o da minha terra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira vez que a luz solar incide directamente sobre os meus olhos, a cada dia, é sempre de uma magia infindável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo a bola de luz tentando erguer-se da sombra dos montes. Porém, o comboio não estaca ao sabor desta visão e, tão depressa como apareceu, o Sol é engolido por outro recorte negro de um monte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se segue lembra uma luta contra as ondas para se manter à tona de água.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É como assistir a um milhão de amanheceres, podendo adivinhar o momento em que o Sol irá emergir, através das tonalidades brilhantes características que o céu adquire.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5104952769668005322?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5104952769668005322/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5104952769668005322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5104952769668005322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5104952769668005322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/manhas-da-caloira.html' title='Manhãs da Caloira'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6252308985479581483</id><published>2009-10-13T20:31:00.002+01:00</published><updated>2009-10-13T20:38:11.263+01:00</updated><title type='text'>Vou magicar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Vou professar os quatro cálculos aos quatro ventos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Vou praguejar contra a maldita falta de lucidez da sociedade devoradora de mentes diferentes do que querem que sejam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Vou assissassinar os que me interrompem quando escrevo, porque se perde, assim se perde uma boa ideia que não recupera, perdida nas profundezas do abismo da criatividade, exponencialmente maior que a realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Vou declamar um manifesto que faça a humanidade recuar e esconder.se em vergonha da crueldade que manifesta ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Vou entornar tinta, ternamente, sobre o espaço em branco que convida e desafia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Estou sozinha, como AnnE, estou sozinha, tão rodeada de pessoas e, ainda assim, tão sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Vou ensaiar palavras e gestos que nunca hão-de subir ao palco, porque, no momento em que o pise, esqueço-me das minhas linhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Vou ver-te. Não que faça grande diferença.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6252308985479581483?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6252308985479581483/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6252308985479581483' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6252308985479581483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6252308985479581483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/vou-magicar.html' title='Vou magicar'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1523411739359731870</id><published>2009-10-13T20:03:00.002+01:00</published><updated>2009-10-13T20:31:15.716+01:00</updated><title type='text'>Manhãs minhas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A intensidade luminosa é inconstante, a Lua reflectindo a do Sol, lá no céu tom azul-claro matinal. Lua, entre as nuvens, sobre os montes, surpreendendo toda a gente...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crueza da frescura... a beleza do toque gélido da brisa que me abraça e eu respiro-a e sabe bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Manhãs tão frescas e doces e são minhas e adoro-as e não quero mais nada. Pelo menos, nada para acrescentar a tão perfeitas manhãs.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"As nuvens erguem-se como vagas atrás dos montes. Nuvens viajam apressadas, como comboios em sonhos."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro, as nuvens são cinza e o céu é branco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois, mudam para laranja e, por último, para azul. E eu vejo-as do meu quarto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o vento... como que uma promessa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vento chamando e arrastando, dando movimento ao eterno estático, o vento despenteando as árvores, o vento despenteando-me os cabelos, provocando-me, "Onde foste deixar a tua liberdade?", parece perguntar, parece rir-se, parece troçar, mas é só ar, é só ar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abandonando outras terras, sobre carris, sobrevoando o Ceira e o Mondego, chego, por fim, à cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desembarco com as outras formigas, ao sabor do ar natural com o lixo do fumo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adoro o som das campainhas das cancelas, dando sentido, apenas, à existência de comboios e de pessoas, os carros estão parados no tempo, aprisionados nas estradas, condenados à imobilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Como adoro estas manhãs!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que diferença, ser ou não ser, ver, como eu, uma cidade bonita, se pintada de frio...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, num auditório, revendo Química, quão belo é ver a chuva, lá fora, limpando e refrescando e regando Coimbra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o Sol, despontando... pela primeira vez hoje...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que prenúncio de bom dia!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1523411739359731870?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1523411739359731870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1523411739359731870' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1523411739359731870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1523411739359731870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/manhas-minhas.html' title='Manhãs minhas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2732582936852763613</id><published>2009-10-05T22:57:00.011+01:00</published><updated>2009-10-05T23:07:18.150+01:00</updated><title type='text'>Despedidas (até quando?)</title><content type='html'>Tenho de dizer e não quero, volto ao mesmo que dizia antes, arranjo mais um pretexto.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho de dizer, porque, se não o disser, ainda será mais doloroso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A despedida tem de ser feita, mas eu não quero dizer adeus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porém, a despedida será, quer eu diga adeus quer me cale.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então digo, antes que seja tarde demais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Um dia não terá mais de ser assim, pois não?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Mas receio esse dia ainda mais.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Porque não sei o que será dele.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Receio esse dia por chegar, com um medo incontrolável, semeado de perguntas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se os meus receios se confirmarem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que será de mim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que será de mim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bolas, tenho medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou com um medo danado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou com um medo danado que cada despedida seja a última&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a última da espécie&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a última ainda-gosto-de-ti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não estamos todos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outra vez, então:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Boa noite, mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Boa noite, Sol.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Boa noite, comboio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Boa noite, olhos abertos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Boa noite, lucidez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Boa noite, .&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2732582936852763613?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2732582936852763613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2732582936852763613' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2732582936852763613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2732582936852763613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/despedidas-ate-quando.html' title='Despedidas (até quando?)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-62803034773260864</id><published>2009-10-03T21:32:00.003+01:00</published><updated>2009-10-03T21:35:02.733+01:00</updated><title type='text'>Tenho escrito, escrevendo por aí</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Uma vez palhaço,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Eternamente palhaço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;São as leis da Natureza.&lt;br /&gt;Palhaços armam-se em palhacinhos de papel num carrousel de mãos dadas.&lt;br /&gt;Palhacinhos presos por cordéis são agora marionetas existenciais&lt;br /&gt;.Escondo-me dos palhaços, com medo. Medo que me levem com eles para debaixo das suas redes e seja para sempre palhaça.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Alegrando as pessoas&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;mas as pessoas&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;deviam estar tristes!&lt;/div&gt;_&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sangue na minha caneta.&lt;br /&gt;Sangue seco, de cicatriz. Coagulado. Sangue que jorra.&lt;br /&gt;Caindo no papel como tinta. Já não sei se a caneta é a assissassina ou se também ela é assissassinada.&lt;br /&gt;ASSISSASSINADA.&lt;br /&gt;ASSIMSSÓSSEMNADA.&lt;br /&gt;De tudo desprovida.&lt;br /&gt;De mágoas de sangue como tinta.&lt;br /&gt;De vida.&lt;br /&gt;_&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valerá a pena tomar conta destas bestas que zurram, presas, destas mentes desutilmente fúteis?&lt;br /&gt;De que vale falar-lhes? De que vale ouvi-los?&lt;br /&gt;São planos e nada ouvem.&lt;br /&gt;Sabem repetir, apenas, nada mais.&lt;br /&gt;Que interessa todo o resto?&lt;br /&gt;_&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão vem parado connosco.&lt;br /&gt;O movimento é relativo.&lt;br /&gt;_&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpo morto no Regional Coimbra - Serpins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota de último momento: corpo morto acordou e é de novo jovem inundado de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que lindo, que lindo dia para ter permanecido em Coimbra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-62803034773260864?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/62803034773260864/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=62803034773260864' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/62803034773260864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/62803034773260864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/tenho-escrito-escrevendo-por-ai.html' title='Tenho escrito, escrevendo por aí'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2202453127927067770</id><published>2009-10-03T19:33:00.006+01:00</published><updated>2009-10-03T21:27:53.990+01:00</updated><title type='text'>teorias elaboradas às 2h, partindo de conversas, chegando à espontaniedade de freeWriting, por pensamentos recém formados de inundações no exterior do</title><content type='html'>(cont. do título: do Dolce Vita e Estádio.)&lt;br /&gt;talvez também devesse investir algum tempo em socializar com as minhas colegas, mas também acho que é uma causa perdida.&lt;br /&gt;já nada vale a pena.&lt;br /&gt;o que deveria ter aprendido na altura devida, não aprendi, agora parece-me impossível falar com personalidades tão distintas da minha.&lt;br /&gt;eu não conseguiria passar o tempo a falar de compras e de roupa e de lojas. a menos que fossem lojas de livros. ou decoração, tenho de confessar.&lt;br /&gt;eu não consigo ver como é que um jantar de curso pode ser melhor que uma noite a ver ballet.&lt;br /&gt;para lá de ter grandes dificuldades comunicativas, no início.&lt;br /&gt;nada ajuda, sabes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada ajuda e não sei como, não sei se posso, não sei se é permitido, não sei como suportar, não sei como querem que o faça, não sei se estou à espera, se estiver é da altura certa, não de alguém, porque agora já não estou sozinha, nem nunca estive, sempre tive o edgar e o coveiro, sempre tive mundos comigo, sendo eu dona deles porque eles são eu e nunca de mais precisei, mas agora tenho mais e não o quero desperdiçar, isto vai sair algo lindo, não te metas comigo mundo, olha para ti e para o teu grupo de futilidades, não tentes ser feliz, porque ser feliz é uma merda enquanto existirem infelizes torturados sem poder viver, quanto mais falar de futilidades, não se esmerdem em roupas, porque algum dia não haverá mais, não se esmerdem em recursos naturais, que estes não hão-de durar mais que vós próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vejam, vejam, olhem o presente de frente, sim, o presente, o que diziam ser futuro longínquo já chegou, parem de falar e vejam a verdade que vos escondem, vejam por trás dessas fachadas que vos contam, não haverá mais mundo além deste, por que insistem em fechar os olhos?desmerdem-se.&lt;br /&gt;eu já não tenho nada que ver com vós.&lt;br /&gt;eu caminho com os meus,&lt;br /&gt;já vocês, preocupem-se com o que quiserem.&lt;br /&gt;depois não se espantem, não se deixem apanhar desprevenidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou com os meus.vamos em conjunto, somos muitos.&lt;br /&gt;somos suficientes.somos auto-suficientes&lt;br /&gt;e somos independentes da vossa escravatura cega por mariquices.&lt;br /&gt;e somos independentes da vossa ditadura do consumismo.&lt;br /&gt;ajudaremos quem nos pedir ajuda.&lt;br /&gt;estenderemos a mão a quem se estiver a afogar.&lt;br /&gt;mas o que poderemos fazer com aqueles que insistem em não abrir os olhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já nada sei. nunca soube.&lt;br /&gt;isto é demasiado estranho e confuso, mas acho que eu e os meus detemos uma certa razão, mais certa que a vossa.&lt;br /&gt;não é razão, é alinhamento de prioridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, segundo os problemas de hoje, os vossos estão todos errados.&lt;br /&gt;os vossos baseiam-se na premissa de que vão morrer quando forem muito velhos, e, ainda assim, estão tão mal planeados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deus meu, quem sois vós?&lt;br /&gt;sois o povo adormecido.&lt;br /&gt;não vos posso deixar para trás só por quererem estar a dormir, pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já nada sei, já nada sei, nunca soube.&lt;br /&gt;por isso tenho de pensar e escrever o que penso, para chegar lá, para descobrir e saber mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sozinha?&lt;br /&gt;sozinha nunca estive.&lt;br /&gt;nunca estive tão longe de estar sozinha.&lt;br /&gt;agora tenho a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que não errei nas prioridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que são meramente muito mais que meros pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que eu sou e que quem sou me é permitido ser, não vai contra um dado tipo de natureza,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que sou, quem sabe, humana, que a minha espécie não vive só.&lt;br /&gt;que vive só, mas que não sou a única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem sou, agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem és, agora? povo adormecido ou tribo das insónias?&lt;br /&gt;quem és, agora? por mim ou ignorando as nossas ideias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que espaço&lt;br /&gt;que chuva&lt;br /&gt;que nada&lt;br /&gt;que eu&lt;br /&gt;que feio&lt;br /&gt;que estranho&lt;br /&gt;que estranheza&lt;br /&gt;que lentidão........&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a processar....................&lt;br /&gt;encontrado erro, pensamento fora da norma.&lt;br /&gt;o programa vai ser encerrado.&lt;br /&gt;não vale a pena tentar moldar uma personagem plana.&lt;br /&gt;não vale a pena tentar moldar barro que já cozeu, só o pode partir.&lt;br /&gt;FIM DA APLICAÇÃO.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2202453127927067770?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2202453127927067770/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2202453127927067770' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2202453127927067770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2202453127927067770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/10/teorias-elaboradas-as-2h-partindo-de.html' title='teorias elaboradas às 2h, partindo de conversas, chegando à espontaniedade de freeWriting, por pensamentos recém formados de inundações no exterior do'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-3039877184436849788</id><published>2009-09-29T18:13:00.001+01:00</published><updated>2009-09-29T18:14:44.236+01:00</updated><title type='text'>This night could be magic</title><content type='html'>&lt;div&gt;Look to her smile&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isn’t she gorgeous?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Look to her eyes&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isn’t she beautiful?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;How couldn’t I love her?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;How couldn’t you love her?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;She’s smiling&lt;/div&gt;&lt;div&gt;She’s smiling to everyone&lt;/div&gt;&lt;div&gt;She must be some Queen....&lt;/div&gt;&lt;div&gt;The Queen of the Seas, maybe,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Yes, she could be&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Every time I see her, I cannot look other way&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I wanna kiss her&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I wanna kiss her&lt;/div&gt;&lt;div&gt;But she hides, she smiles and hides&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I wanna scream&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I wanna cry&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Where are you?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I love you!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;How couldn’t I?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;She’s so beautiful, so gorgeous&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Look to her smile, look to her face&lt;/div&gt;&lt;div&gt;She’s so perfect&lt;/div&gt;&lt;div&gt;She’s a perfect sculpture&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tonight I won’t miss you&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tonight I will kiss you&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I love you! I love you!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I scream it to you&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I scream it up to you in the sky:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I LOVE YOU, MOON!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-3039877184436849788?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/3039877184436849788/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=3039877184436849788' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3039877184436849788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3039877184436849788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/this-night-could-be-magic.html' title='This night could be magic'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4427859577943719296</id><published>2009-09-24T20:38:00.003+01:00</published><updated>2009-09-24T21:01:48.356+01:00</updated><title type='text'>Bonito</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-3898756e94719548" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param 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/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4427859577943719296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4427859577943719296' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4427859577943719296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4427859577943719296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/bonito.html' title='Bonito'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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mamã?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eles parecem tão bonitos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olha, mal tocam no chão e voam&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assiiiiiiiiim&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vês como te digo?, é assim que eles voam&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E são lindos, são lindos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São pássaros acrobatas, mal tocando no chão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São pássaros humanos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Graciosos, ágeis,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Belos, belos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como hei-de explicar, mamã?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parece-me que não há explicação&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como gostaria de saber voar assim&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assim”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Ela abana os braços como se fossem asas num espaço mais alto que aquele onde estava, metros mais alto.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Anos mais tarde dirá]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Quem me dera que as ruas fossem trampolins e que pudéssemos saltar como pássaros de um lado para o outro.”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Acompanhará estas palavras de olhos abertos, vendo as ruas, mas distante, arquitectando tudo no seu modo livre, em que a gravidade deixa de ser um obstáculo ao voo e passa a ser o sua maior aliada. Acompanhará estas palavras com um sorriso fresco e gotas de chuva rolando pelo nariz.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dentro de poucos dias, há-de escrever palavras que começarão assim]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Por um momento, gostava de saber, para além de quem sou, que tipo de inteligência criativa tem o ser humano. Olho à minha volta e não compreendo. Talvez seja da idade, à qual tantos se prendem, que ainda não me permitiu amadurecer o suficiente para que eu perceba, enfim, coisas de adultos. Coisas de adultos. Não compreendes porque és muito nova. Achas que era bonito as pessoas andarem por aí aos saltos cada vez que lhes apetecesse, Diana? Achas que era bonito fazermos todos figura de palhaços?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-3535927316562165960?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/3535927316562165960/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=3535927316562165960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3535927316562165960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3535927316562165960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/pequenos-factos.html' title='Pequenos Factos'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4722721577056512595</id><published>2009-09-18T18:56:00.003+01:00</published><updated>2009-09-18T19:02:44.122+01:00</updated><title type='text'>Tentando saber quem sou</title><content type='html'>Para que nunca ninguém se esqueça de quem eu sou:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu não sou o meu nome!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Uma parte de mim é influenciada por ele, mas não todo o meu ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu sou quem sou, mas saber quem sou é tão difícil,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que escrevo, escrevo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E escrevo, até querer descansar,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Até estar perfeitamente farta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Farta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nunca me farto de escrever&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A escrita faz muito mais parte do que sou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que qualquer nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Escrita enraizada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Fabulosa escrita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Para que nunca ninguém se esqueça de quem sou, vos digo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sou uma péssima pessoa segundo os vossos habituais parâmetros –&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não acato as regras, as leis, as normas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não falo, nem paro de escrever,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não odeio as bruxas, nem adoro as princesas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não gosto de roupas nem de sapatos a tentarem definir quem se é&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não gosto de telemóveis nem de telefones&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não gosto de programas ocos de significado, nem detesto a censura,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Acho que o 25 de Abril foi uma perda de tempo e de recursos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que apenas serviu para estupidificar todas as mentes,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Penso sozinha,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio quase toda a gente,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Amo mais todas as restantes espécies que a minha,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Amo as pessoas por serem como são e não pelo aspecto que têm,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro matemática e adoro física e acho que são a base de tudo o que se conhece,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro francês e não inglês&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro música com alma e significado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio a desprovida deles&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Vejo os filmes errados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Leio os livros errados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Faço tudo ao contrário e questiono tudo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não acredito no livre arbítrio, nem no acaso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E acho que a vontade própria é uma ilusão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não tenho a certeza se este mundo é real&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não tenho a certeza do que real significa,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tenho uma gata preta, parti um espelho, não vejo mais azar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Do que o que já existe,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Vejo o sofrimento dos que sofrem, mas nem de longe o sinto e,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;No entanto, preocupo-me e choro por eles,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Receio pelas árvores arrancadas contra sua vontade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Receio pelos animais, receio pelos seres vivos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio e amo a humanidade,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sonho matar todos aqueles que se deixam viver,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Digo que eles apenas se deixam morrer&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sonho torturar todos aqueles que o merecem,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro o frio, detesto o calor,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro a natureza, detesto o cimento,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro o som da água, odeio o álcool,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tenho ideias erradas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Apoio as pessoas erradas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Venero o suicídio colectivo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Questiono a educação&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Acredito que o mundo não vai sobreviver a este século&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio robots&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro ópera, adoro sopranos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio futebol,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro teatro, odeio novelas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro o Inverno, acho que o Verão é inútil&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Prefiro os fjords da Noruega às praias das Caraíbas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro o Outono acima de todas as estações&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio centros comerciais, odeio multidões, odeio consumismo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio poluição, tenho medo de carros,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio aviões, adoro comboios&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro abismos, adoro ter ideias&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro overdoses d’imaginação&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro paradoxos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro cobras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adoro crocodilos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Odeio existir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto tudo para que as pessoas compreendam que fui mais que uma menina calada e sossegada. Para que saibam ver, finalmente, quem sou. Para que me saibam ler os lábios, para que adivinhem em que estou a pensar. Para saberem o que estou a tocar. Parabéns, encontraram-me, esta sou eu. Esta sou eu e chamam-me Adriana.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4722721577056512595?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4722721577056512595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4722721577056512595' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4722721577056512595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4722721577056512595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/tentando-saber-quem-sou.html' title='Tentando saber quem sou'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7189981711138731085</id><published>2009-09-17T19:33:00.000+01:00</published><updated>2009-09-17T19:34:42.403+01:00</updated><title type='text'>23ª mensagem (roubada ao Culpa)</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Walt Disney Script v4.1'; "&gt;&lt;div style="border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 3px; padding-right: 3px; padding-bottom: 3px; padding-left: 3px; width: auto; font: normal normal normal 100%/normal Georgia, serif; text-align: left; "&gt;23 te digo, como um nome bonito, 23 é meu 23 somos nós,&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;23 23 como te digo 23, 23 era meu,agora meu só não pode, não pode só meu ser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não perdi, só ganhei, mas não sei se sei bem que ganhei, porque o sofrimento também é ganho, nem sempre ganhar é bom,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas somando tudo parece-me bom, parece-me que, de qualquer modo, ganhei, tu também, ganhámos os dois, não empate, porque ganhámos, porque não é preciso ser só um a ganhar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;às vezes partilha-se. assim deixamos o ganhar só um e ganhamos todos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não é bonito, não é adorável? este é para se ler depressa, porque o estou a pensar depressa e tento escrever depressa, não quero deixá-la,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;abandoná-la outra vez, amo-a, inspiração, inspiração, foge-me entre os dedos, quando me roça só a quero abraçar e dizer-lhe amo-te&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas ela foge, foge, corre esconde, mas isso agora não importa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porque tenho o 23 comigo e o 23 é sempre motivo de inspiração&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porque tenho alguém comigo, apesar de agora estar sozinha,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porque estou a libertar-me do pensamento,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porque estou à procura de overdose&lt;/div&gt;&lt;div&gt;d'imaginação, d'escrita,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu espero, eu espero, mas se paro, desespero,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tenho medo, porque tenho de ir dormir outra vez?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e repeti-lo outra vez?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e outra vez será outra tormenta, mais desespero&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;oh, como odeio que me repudiem pelo que sou,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pelo que gosto,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;como odeio que me encham de etiquetas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"autora", "editora",&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu sou escritora,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu sou escritora&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;eu sou escritora&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;EU SOU ESCRITORA&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;EU SOU ESCRITORA, OUVIRAM?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;b&gt;EU SOU ESCRITORA&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;b&gt;EU SOU ESCRITORA!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:6;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:22px;"&gt;&lt;b&gt;EU SOU ESCRITORA!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:7;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;EU SOU ESCRITORA!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;EU SOU ESCRITORA, OUVIRAM?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;ESCRITORA.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;EU ESCREVO&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;EU AMO ESCREVER,&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;E AMO TODAS ESSAS SENSAÇÕES&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;DESESPERADAS QUE SE NÃO DIZEM&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;QUE SE CALAM&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;QUE SE ESCREVEM&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:7;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:27px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Porque só escrevendo, lá chego.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Amo-vos sem escrever,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;mas escrevendo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;n&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;ã&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;f&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;ica mais bonito?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-size:6;color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:22px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;(Lindo, adorável.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7189981711138731085?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7189981711138731085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7189981711138731085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7189981711138731085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7189981711138731085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/23-mensagem-roubada-ao-culpa.html' title='23ª mensagem (roubada ao Culpa)'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-7416555419964736018</id><published>2009-09-17T18:43:00.002+01:00</published><updated>2009-09-17T18:44:22.348+01:00</updated><title type='text'>Noite lá no cimo</title><content type='html'>&lt;div&gt;o céu, fazes assim, deitas-te no chão, esperas que anoiteça, ao som dos teus colegas a cantar e tocar guitarra, a Lua vai ficar no canto direito do teu angulo de visão, as estrelas em todo o lado e vão cada vez parecer-te mais, esperas, respiras, vais ouvindo, até podes cantar uma ou outra com eles (até foste tu que sabias de cor a do cuco que não gostava de couves), mas não tires os olhos do céu,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;senão deixa-las escaparem-se, toma atenção e cuidado, vão aparecer no meio daquele repouso absuluto que te parece o céu&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas o rio agora não se ouve, porque o rio está lá em baixo e tu não estás lá em baixo com o rio, estás no topo da serra, estás no topo do mundo, estás ao pé da Lua, estás a falar com as estrelas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas quando a noite se acabar, podemos descer e ir ouvir o rio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Feito com base em perguntas perguntadas no msn, daí não fazer sentido)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-7416555419964736018?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/7416555419964736018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=7416555419964736018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7416555419964736018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/7416555419964736018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/noite-la-no-cimo.html' title='Noite lá no cimo'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-1572167046200395182</id><published>2009-09-17T18:32:00.001+01:00</published><updated>2009-09-17T18:33:37.551+01:00</updated><title type='text'>Segundo Manifesto Outono</title><content type='html'>&lt;div&gt;"&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#3333FF;"&gt;o que vês agora&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#3333FF;"&gt;?&lt;/span&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;agora vejo o outono, mas o outono está longe, só que isso é apenas na minha cabeça, na minha cabeça é que não vejo nem sinto o outono, e o que manda agora é a minha vontade e a minha vontade diz: é outono, queres saber o que vê a minha vontade?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#3333FF;"&gt;quero&lt;/span&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vê uma rua e duas meninas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;vê um grande castanheiro &lt;/div&gt;&lt;div&gt;castanheiro castanho, com folhas castanhas, com castanhas no chão &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e as meninas vão à procura de castanhas, o castanheiro é enorme, dá para toda a gente &lt;/div&gt;&lt;div&gt;abrem ouriços, à procura de castanhas, enchem os bolsos, de manhã, antes de irem para a escola, à tarde, quando voltam, até à noite, só veem castanhas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;castanhas e folhas, que também são castanhas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;se não choveu, é dia de juntar todas as folhas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;montes e montes de folhas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;como se fossem serpentinas, como se fossem uma grande festa &lt;/div&gt;&lt;div&gt;no final, atiram as folhas à rua &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e os carros passam e elas voam e voam &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e as duas meninas fingem que voam com elas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;agora, noutra rua qualquer, as árvores enchem-se de cor &lt;/div&gt;&lt;div&gt;verde, vermelho, amarelo, laranja, castanho, roxo &lt;/div&gt;&lt;div&gt;à folhas cor de violino &lt;/div&gt;&lt;div&gt;depois vem o vento, muito vento, sempre na altura certa &lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando ninguém estava à espera &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e, quando as meninas saem da escola, as ruas estão cheias de folhas, os carros estão tapados por folhas, parece um rio delas invadindo a vila das duas meninas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;depois são os anos de uma e mais de um mês depois, da outra, mas é sempre outono, elas saem a pregar partidas aos colegas que as vieram visitar, porque aquele é o mundo delas, de ambas &lt;/div&gt;&lt;div&gt; gora vejo o agora &lt;/div&gt;&lt;div&gt;o castanheiro mantém-se, intacto &lt;/div&gt;&lt;div&gt;às vezes, adoro subir ao pé do tronco, e ficar naquele lugar escondido que parece ser feito para mim, quando os troncos se juntam e me deixam sentar &lt;/div&gt;&lt;div&gt;só falta a outra menina &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e a infância &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e os trabalhos de casa excessivos &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e a vontade de apanhar castanhas &lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas a melancolia também é bonita, não achas? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-1572167046200395182?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/1572167046200395182/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=1572167046200395182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1572167046200395182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/1572167046200395182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/segundo-manifesto-outono.html' title='Segundo Manifesto Outono'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-6203726225428013781</id><published>2009-09-17T14:37:00.001+01:00</published><updated>2009-09-17T14:38:50.661+01:00</updated><title type='text'>Aos 5o Ventos</title><content type='html'>&lt;div&gt;Nesta noite morri para os versos conjugados de sempre, olha queres que te diga?, claro que concordo com a censura, à coisas que não deviam ser públicas, que estupidificam as mentes, que não servem, que são ocas, e não são poucas, são putas ideias, como as odeio e como deveria haver um maldito mecanismo regulador e selectivo, bolas, emparvalhados e emproados que se pavoneiam por corredores de estudios de tv e por corredores de estudios de gravação e por corredores cheios de fotografos, pavoneiam-se pela passadeira, até à apresentação do seu novo livro que não é livro, é lixo, é traste, é sujo e é editado, publicado, difamado aos cinquenta ventos e todos gostam e todos amam, todos amam o lixo que não compreendem, mas fingem que gostam para parecer que sabem, mas não sabem nem querem saber, porque não é deles, mas é comigo, e se é comigo eu digo CENSURA SERIA BEM VINDA A ESTE PAÍS&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;mas não este tipo de censura, que deixa escapar lixo e detém o que tem sementes, que enche as cabeças tão influenciaveis de tretas sem nexo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que, bolas, odeio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;odeio e estou farta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e não posso,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e não quero mais&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;bolas, acordem, pessoas, queiram acordar, queiram acordar!!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-6203726225428013781?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/6203726225428013781/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=6203726225428013781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6203726225428013781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/6203726225428013781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/aos-5o-ventos.html' title='Aos 5o Ventos'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4618478713462398070</id><published>2009-09-17T14:28:00.003+01:00</published><updated>2009-09-17T14:33:50.892+01:00</updated><title type='text'>Telas de desatino</title><content type='html'>Pinceladas cor de sal.&lt;div&gt;Pinceladas cor de neve.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pinceladas cor de vidro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pinceladas cor d'açúcar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pinceladas cor de nuvens fofas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pinceladas cor da Lua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pinceladas cor do papel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;__________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Pinceladas cor da noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Pinceladas cor de breu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Pinceladas cor de corvo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Pinceladas cor do céu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Pinceladas cor de carvão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Pinceladas cor de tinta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;__________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Pinceladas erguem paredes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;erguem portas e horizontes, erguem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;escadas, erguem placas, erguem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;palcos, erguem palácios,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;erguem barcos, erguem árvores,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;erguem forcas, erguem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;sentenças.       &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Pinceladas dadas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;nas mãos erradas erguem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;preconceitos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4618478713462398070?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4618478713462398070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4618478713462398070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4618478713462398070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4618478713462398070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/telas-de-desatino.html' title='Telas de desatino'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-3341495959358953463</id><published>2009-09-17T14:11:00.005+01:00</published><updated>2009-09-17T14:27:19.973+01:00</updated><title type='text'>~Quando o choro é sério~</title><content type='html'>Doem-me os olhos de tantas lágrimas, dias e dias, noites e noites, no chão, tentando agarrar-me à vida, mas a vida está lá, então o que vejo, o que vejo? Que choro eterno, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;desabandonado&lt;/span&gt;, há-de haver sempre lágrimas nos meus olhos, lágrimas escorrendo, quando sorrir hei-de desfazer-me em lágrimas, lágrimas de compaixão, de dor que é parte minha, de dor que é tanta tua, demasiada dor que é tua, passando pelos tristes arcos, dor da despedida da inocência, dor da inocência despida que, uma vez despida, deixa de ser inocência. Dor e medo das sombras que passam, mágoa e ódio e sal  a lágrimas.&lt;div&gt;  E cinco feridas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  E tolos pensamentos de esperança, tolos como aqueles que tinha quando a minha bisavó ainda era viva mas de nada se recordava, aqueles tolos pensamentos, tola esperança de ela estar a fingir para um dia levantar-se e segredar-me o grande segredo da sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  E, naquela noite, eu mal acordada, dizendo disparates com voz dos sonhos, mas era o meu pai, com um sorriso triste na cara, que mo disse e repetiu, porque eu, apenas o negava, "a avó Gertrudes morreu." e eu Não, Não, Estás a mentir, Não estás?, desesperada, de mim, nada mais restava, em pranto, toda a noite, despedaçada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  Ardem-me os olhos, como duas feridas abertas. A minha alma está ferida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  Assim choro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-3341495959358953463?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/3341495959358953463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=3341495959358953463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3341495959358953463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/3341495959358953463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/quando-o-choro-e-serio.html' title='~Quando o choro é sério~'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-2403172013195987007</id><published>2009-09-16T17:17:00.000+01:00</published><updated>2009-09-16T17:19:44.181+01:00</updated><title type='text'>Assissassinando Hoje</title><content type='html'>&lt;div&gt;Hoje, hoje, hoje sinto-me particularmente irritada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parece feio, parece tudo feio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parece grande dor de cabeça a flutuar acima de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje, hoje, tremenda imensidão de um navio que naufraga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O hoje é de quem o passa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quem passa hoje?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Onde estás hoje?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje, hoje já não faz sentido,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Já nada promete hoje ser hoje&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje já não quer ser hoje,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje quer ser hoy, ajourd’hui, today&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje não quer ser hoje, porque hoje&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Soa a tremendamente excessivo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje não descança, porque hoje não há descanço&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje não sorri, porque hoje quer gritar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje não quer mais hoje&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quer outro dia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mas hoje vai ter de suportar hoje&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Porque o tempo manda que seja sempre hoje:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Assim seja,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje será, para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Será, para sempre, hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Até que o fim derreta o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Condenados até ao fim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;A ser hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Hoje é e não existirá mais dia que não seja hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Fábula, no entanto floresce.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Vamo-nos livrar do hoje?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje já não é o mesmo hoje de à instantes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Porque hoje já não quer dizer hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Já não há hoje,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A partir deste momento, declara-se que não há hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A partir deste momento&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A partir deste parágrafo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não haverá mais hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje acabou,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Hoje morreu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Só há agora.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-2403172013195987007?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/2403172013195987007/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=2403172013195987007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2403172013195987007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/2403172013195987007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/assissassinando-hoje.html' title='Assissassinando Hoje'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4660338474465055603</id><published>2009-09-16T12:59:00.003+01:00</published><updated>2009-09-16T13:17:14.180+01:00</updated><title type='text'>Assissassínio das Horas Vagas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Tic toc&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;para o que sinto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Tic toc&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;para as palavras&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Tic toc&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;para as horas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Tic toc&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;para as horas vagas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;O pequeno passarinho desiste e renuncia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;ao prazer delicado de bater as asas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;O vento forte que o derrete&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Que o envolve e devolve à terra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;É vil, é diabo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;É vento amargurado,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;É contra e sempre contra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho desiste de lutar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;As asas partiram-se em cacos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Estilhaços de penas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho amargurado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Não bate mais as asas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Amargurado pelo vento contra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;vento sempre contra...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho é farto de estar sozinho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Ou talvez&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho está farto de ser sozinho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho está sempre parado,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Mas o vento continua contra, sempre&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;sempre contra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;......&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;........&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;..............&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;........&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;..........&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;.....&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Foge passarinho!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Mas passarinho não foge,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;passarinho desistiu,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;farto farto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho não quer perder mais tempo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho está farto do temporal&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho, lutando contra o vento&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passarinho desiste e chora,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;chora, chora choro,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;porque deste passarinho, só será recordado:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;nascimento e funeral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Malvadas horas vagas impostas por quem não se importa por nós, quem somos, como somos, se pensamos, querem apenas escravos da sua vontade, por sua vontade e ninguém será libertado, não há fim até ao verdadeiro fim e o fim será apenas fim e do fim, nada mais. Nada, nada, assim:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;(finito)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;_________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Como vos odeio mentes apodrecidas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Gentes moles com cérebro em frasco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Que dos outros só querem aquilo que&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;[querem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;E todos condenando todos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;De uma vez&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Sem excepção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Obrigando-me agora&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Perder tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Perder tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;PERDER TEMPO.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Tempo daquele tempo que não regressa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Tempo daquele tempo que não volta atrás&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Tempo como todo o tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Malvadas pseudomens!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4660338474465055603?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4660338474465055603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4660338474465055603' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4660338474465055603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4660338474465055603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/assissassinio-das-horas-vagas.html' title='Assissassínio das Horas Vagas'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-4749768654912970346</id><published>2009-09-15T19:59:00.006+01:00</published><updated>2009-09-15T20:32:10.739+01:00</updated><title type='text'>Assissassinando Papel</title><content type='html'>Folhas de papel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;papel que desintegra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quão típico desperdício de folhas de papel, nas matrículas, em tudo, sem tudo, com nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pós de fada (pós de fada?)... reencontrada uma antiga folha&lt;br /&gt;perdida na imensidão de...&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;MAS NÃO!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;NÃO!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;É MENTIRA!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;não encontrei nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;sem nada&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;que desperdício de positivo espaço&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;espaço branco&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;que de branco passa a rabiscado,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;rascunhado por traços ditos traços&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;PAPEL ESFAQUEADO PELO APARO DA CANETA,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;SANGRANDO AZUL, AZUL EM TODA A PÁGINA,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;AZUL ESCREVENDO&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;AZUL RISCANDO&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;Azul, os meus textos são azul&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Os meus textos são tinta permanente&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Os meus textos são permanente azul.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#000066;"&gt;E o papel assim sangra...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#000066;"&gt;em azul.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-4749768654912970346?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/4749768654912970346/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=4749768654912970346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4749768654912970346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/4749768654912970346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/folhas-de-papel-papel-que-desintegra.html' title='Assissassinando Papel'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-5675655218934730332</id><published>2009-09-15T16:36:00.003+01:00</published><updated>2009-09-15T17:54:01.254+01:00</updated><title type='text'>Excerto de um texto aborrecido</title><content type='html'>&lt;span style="color:#000099;"&gt;  As pessoas nada de interessante têm a&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;dizer, então repetem-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  E repetem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  E repetem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  E repetem. E falam do tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  E falam da saúde da outra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  E dos filhos deste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  E desta ou outra notícia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Fazem-no na perfeição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  É como um dom.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  Que eu não tenho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;       Depois chamam-me mal educada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;e antipática.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;        Que temas de conversa desagradáveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;        Ou então nada sabem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  e calam-se. Limitam-se a existir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;       Eu perco sempre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;            De vez em quando, aparece alguém.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;E eu, farta, disparo tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;        Quando ninguém aparece, esfaqueio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;o papel com a caneta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;      No papel abrem-se feridas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;                 cor de azul.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#000099;"&gt;  O papel sangra azul.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;    E as feridas, uma vez&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;      expostas, não se dignam a sarar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;     &lt;span style="font-size:100%;"&gt;     Que noite, enquanto pisco os&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;     olhos.  FIM.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;              Podem bocejar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-5675655218934730332?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/5675655218934730332/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=5675655218934730332' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5675655218934730332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/5675655218934730332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/excerto-de-um-texto-aborrecido.html' title='Excerto de um texto aborrecido'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168155347141531184.post-801915562101315043</id><published>2009-09-15T01:54:00.001+01:00</published><updated>2009-09-15T01:55:18.263+01:00</updated><title type='text'>pequeno petit poema fingindo-ser-poema</title><content type='html'>&lt;div&gt;Ynot ynot, nome da sorte&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ou da morte&lt;/div&gt;&lt;div&gt;da esperança de mudança&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ynot ynot Anar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amar-te ynot&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é certo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(nunca sonhei estares assim tão perto)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Adriana Gaspar de&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Matos não&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Omite:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- há um rio que corre mais leve,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ter-te conhecido é&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estonteante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dias passam sem que queira,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mundo sorri, mas nunca para mim&lt;/div&gt;&lt;div&gt;odeio profundamente esta nojeira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;este lodaçal oco de gente sem fim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ynot, tu apareceste:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não és principe encantado,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;és muito mais,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;és a alma que tenho em vão procurado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e que, sem receios nem hesitações,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se veio sentar a meu lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;meu irmão, vem comigo, de braço dado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;imaginar o monstro de sociedade enterrado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;afundado, afogado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(O.o estripado, despedaçado,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;desmembrado, comido e vomitado)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[esmiuçado nunu]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ynot, ynot anar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que é feito do sentido de quando estava só?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(mantém-se, sim, mas está ampliado,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tudo tão ampliado, tão significativo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;valorizado)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;doce saudade,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;espezinhando a minha espécie:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dolorosa maravilhosa saudade&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tristeza infinitamente bela&lt;/div&gt;&lt;div&gt;lágrimas plácidas vão perseguindo os meus olhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e o mundo adquire aquela tonalidade&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de melancolia que lhe faltava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168155347141531184-801915562101315043?l=escritosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/feeds/801915562101315043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168155347141531184&amp;postID=801915562101315043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/801915562101315043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168155347141531184/posts/default/801915562101315043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosdispersos.blogspot.com/2009/09/pequeno-petit-poema-fingindo-ser-poema_15.html' title='pequeno petit poema fingindo-ser-poema'/><author><name>AGMattvs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10286713307846344658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_aCG63C5TT8Y/Sg2q-RJHfKI/AAAAAAAAAB0/1nzrjhSAyQs/S220/ptn-acabada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
